Depois da frustração no Mundial de 2026, a seleção holandesa, agora sob o comando de Xavi Hernández, procura reencontrar sua identidade entre a herança de Cruyff, novas escolhas e antigos desequilíbrios. A Holanda costuma carregar uma cobrança que ultrapassa o resultado: espera-se dela uma maneira particular de ocupar o gramado. A camisa laranja evoca movimento, ousadia e inteligência, mesmo quando o presente oferece uma paisagem bem menos luminosa. A eliminação diante do Marrocos, nos dezesseis-avos-de-final da Copa de 2026, aprofundou essa distância entre memória e realidade. O desfecho encerrou as ambições de uma geração que tinha recursos para permanecer mais tempo no torneio. Ronald Koeman deixou o comando, enquanto Xavi Hernández recebeu a missão de abrir outro horizonte. Mais do que substituir um treinador, sua chegada propõe discutir aquilo que os neerlandeses desejam reconhecer quando observam a própria seleção. Seria confortável resumir o fracasso mundialista à ausência de coragem, mas…
Mancini reencontra a Itália: o passado no banco, o futuro em campo
Entre jovens promessas e uma base experiente, a Squadra Azzurra procura transformar os primeiros sinais de recuperação em um projeto para 2028 e 2030. A camisa italiana continua carregando quatro estrelas, mas há algum tempo o peso do tecido parece superar a proteção que sua história oferece. Depois de três ausências consecutivas em Copas do Mundo, a Azzurra precisa recuperar algo anterior ao prestígio: a capacidade de construir um amanhã que não dependa da lembrança de ontem. O retorno de Roberto Mancini nasce dessa urgência. Há um treinador conhecido no banco e uma geração diferente à sua disposição, combinação que oferece esperança, embora também cobre explicações. Recomeçar com alguém que já esteve ali pode fazer sentido, desde que a familiaridade não substitua a revisão dos erros. Os quatro primeiros compromissos ajudam a dimensionar esse início sem autorizar grandes proclamações. A derrota por 2 a 0 para a Bélgica, em casa,…
Espanha, 40 jogos invicta: quando vencer se transforma em linguagem
Com Lamine Yamal em ascensão e uma identidade que resiste às mudanças, a campeã mundial aproxima seu presente do maior legado de sua história. Há seleções que atravessam grandes momentos; outras conseguem transformar a excelência em endereço permanente. A Espanha parece instalada nesse segundo território, onde vencer deixa de representar uma surpresa e passa a traduzir uma maneira de compreender o futebol. Depois do bicampeonato mundial conquistado em 2026, seria compreensível encontrar alguma dispersão entre celebrações, homenagens e compromissos seguintes. Entretanto, a resposta veio com autoridade: triunfo por 3 a 2 sobre a Inglaterra em Wembley, seguido de uma goleada por 4 a 1 diante da Croácia, em Sevilha. O troféu recém-erguido não encerrou a caminhada espanhola; apenas ampliou o horizonte da Fúria Roja, que continua faminta. No Ramón Sánchez-Pizjuán, o placar expressivo apresentou mais do que a superioridade da anfitriã diante de uma adversária respeitável. Revelou a facilidade com…
Portugal vence em Oslo, mas a reconstrução de Jorge Jesus ainda pede respostas
Duas vitórias em dois jogos colocam a seleção na liderança da Liga das Nações. A resistência diante da Noruega revela uma base competitiva e expõe as dúvidas que seguem no meio-campo. A eliminação diante da Espanha, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, deixou em Portugal uma sensação de caminho interrompido. Jorge Jesus assumiu a seleção com a tarefa de transformar aquela frustração em uma ideia reconhecível de futebol. Depois do triunfo por 1 a 0 sobre o País de Gales, veio a vitória por 2 a 1 contra a Noruega, em Oslo. São seis pontos em duas rodadas e a liderança isolada do grupo A4 da Liga das Nações da UEFA. O placar oferece tranquilidade ao início do trabalho, embora ainda não entregue todas as respostas. Vencer em território norueguês tem um peso que a leitura apressada da tabela talvez não revele. O selecionado de Stale…
Klopp ainda não venceu: derrota histórica para a Grécia expõe as fissuras da Alemanha
Após o empate com a Holanda, a Mannschaft caiu diante da Grécia por 1 a 0 em Augsburg e descobriu que intensidade exige organização, tempo e uma ideia coletiva. A Alemanha esperava que a estreia de Jurgen Klopp em casa tivesse o som de um recomeço.Em Augsburg, porém, a noite terminou com o silêncio de uma derrota por 1 a 0 para a Grécia.Foi a primeira vitória grega na história do confronto e a primeira queda do treinador à frente da Mannschaft. Depois do empate por 1 a 1 com a Holanda, são dois jogos sem vencer nesta nova etapa sob o comando do ex-técnico do Liverpool. O placar não sentencia um projeto nascente, mas impede que a esperança seja confundida com desempenho. A contratação carregava uma promessa que nenhum outro nome disponível parecia oferecer.Jurgen Klopp é um dos técnicos alemães mais vitoriosos de sua geração e chegou cercado pela…
Depois de Paris e Porto, Portugal volta a fazer história. Desta vez, em Munique
Heróis do mar, nobre povo, nação valente, imortal! O hino de Portugal simboliza de forma exímia o espírito da seleção portuguesa, que através de muita garra, personalidade, alma e superação, regressou de Munique com o título da Liga das Nações da UEFA ao derrotar a Espanha nas penalidades. Entretanto, para compreender melhor o tamanho do feito alcançado por Cristiano Ronaldo e companhia limitada é necessário destacar que Portugal desembarcou em solo alemão para disputar a Final Four da Liga das Nações totalmente pressionado, com o técnico Roberto Martínez na corda bamba devido as pesadas críticas recebidas por parte da opinião pública, além dos fantasmas de José Mourinho e Jorge Jesus que o assombravam cada vez mais. Deste modo, a única condição de Roberto Martínez assegurar sua permanência na seleção portuguesa era por intermédio da conquista da Liga das Nações, ou seja, uma dificílima tarefa que começou a ser traçada com…
A aposta da Alemanha em Julian Nagelsmann se mostra cada vez mais equivocada
A surpreendente despedida na Liga das Nações da UEFA em plena Allianz Arena, fez a seleção alemã voltar algumas casas no tabuleiro que a separa da Copa do Mundo de 2026, sobretudo ao aumentar as incertezas referentes ao trabalho do treinador Julian Nagelsmann. Todavia, o cenário antes da bola rolar na capital da Baviera era realmente perfeito aos alemães, a começar pela possibilidade de sediar a Final Four da Liga das Nações jogando diante da sua torcida. Além disso, o duelo contra Portugal marcava o jogo de número 100 do capitão Joshua Kimmich vestindo a camisa da Alemanha, um feito alcançado por apenas 15 jogadores até aqui, cujo líder máximo responde pelo nome de Lothar Matthäus, com 150. Ademais, é importante destacar que os portugueses desembarcaram em Munique pressionadíssimos em meio aos rumores envolvendo a possível demissão de Roberto Martínez no caso de uma derrota, lembrando que a Alemanha não…
Sem evoluir, Portugal se vê numa encruzilhada sob o comando de Roberto Martínez
Quem vê a goleada de Portugal sobre a Dinamarca por 5 a 2 pelas quartas-de-final da Liga das Nações imagina que os portugueses atropelaram os dinamarqueses no estádio José Alvalade. No entanto, este é apenas mais um resultado que não traduz em nada o que aconteceu em campo, tendo em vista que a seleção de Portugal foi absolutamente nula em 60 dos noventa minutos da partida, e acabou se sobressaindo na prorrogação por estar mais inteira na parte física, a julgar pelos dois gols marcados no tempo extra. Mas antes de me debruçar no jogo de Lisboa, é importante salientar que no compromisso anterior, em Copenhagen, os portugueses realizaram a sua pior apresentação sob a batuta de Roberto Martínez, e só perderam pelo placar mínimo devido a brilhante atuação do goleiro Diogo Costa, autor de sete defesas, incluindo um pênalti, dentre as 23 finalizações da Dinamarca ao longo da partida.…
O futuro da Espanha se mostra promissor na busca pela segunda estrela na camisa
O triunfo por a 3 a 2 sobre a Suíça encerrou o histórico ano de 2024 da seleção espanhola, marcado tanto pela conquista do tri da Eurocopa, quanto pela confirmação de um futuro extremamente promissor, que inclui a Copa de 2026. A inédita conquista da Liga das Nações da UEFA na temporada anterior, rendeu a permanência de Luís De La Fuente no comando técnico da Espanha, que até então atravessava um momento pra lá de conturbado após a decepcionante queda diante de Marrocos nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2022, dando um mísero arremate na meta adversária. No entanto, o revés frente a Colômbia pelo placar mínimo no primeiro compromisso dos espanhóis em 2024, já gerava novamente uma série de questionamentos em torno do ex-treinador da seleção sub-21, por mais que a Furia Roja acumulasse uma sequência de seis vitórias consecutivas pelas Eliminatórias da Eurocopa, composta por 22 gols…
Queda de braço entre Deschamps e Mbappé não abala a seleção francesa
Seleção francesa e polêmicas. Não importa o dia, a hora, o ano, o clima, o campeonato ou o momento, a realidade é que ambas estão sempre lado a lado, deixando a nítida impressão de que se trata de algo absolutamente natural no cotidiano do selecionado bicampeão mundial. Pois é, e o problema da vez na atualidade responde pelo nome de Kylian Mbappé, que embora não tenha sido convocado para defender as cores da França nas partidas contra Israel e Itália na última Data Fifa de 2024, continua ocupando os holofotes dos Les Bleus em virtude de um suposto entrevero junto ao treinador Didier Deschamps, negado de maneira veemente até mesmo pelo presidente da FFF (Federação Francesa de Futebol), Philippe Diallo. Vale ressaltar que Kylian Mbappé entrou em rota de colisão com Didier Deschamps antes da penúltima Data Fifa do ano, em outubro, quando decidiu não integrar a seleção da França…
Turbulência assola a Bélgica em meio aos mesmos problemas de sempre
A missão de Domenico Tedesco ao assumir o comando técnico da Bélgica tinha como principal ponto liderar o processo de transição da seleção belga, que incluía gerir o início de um novo ciclo composto por uma safra não tão brilhante quanto a geração de ouro do país, mas ainda assim promissora. Vale ressaltar ainda, que naquela oportunidade os Diabos Vermelhos atravessavam um momento pra lá de turbulento em virtude da precoce eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2022. Ou seja, mais um duríssimo obstáculo a ser superado pelo jovem treinador de 37 anos de idade, que iniciava somente o primeiro trabalho à frente de uma seleção. Mas apesar das dificuldades, Domenico Tedesco começou de forma avassaladora a sua trajetória no comando da seleção belga, tanto é, que ele terminou o ano de 2023 invicto no cargo, somando 8 vitórias e dois empates em dez jogos realizados,…