A surpreendente despedida na Liga das Nações da UEFA em plena Allianz Arena, fez a seleção alemã voltar algumas casas no tabuleiro que a separa da Copa do Mundo de 2026, sobretudo ao aumentar as incertezas referentes ao trabalho do treinador Julian Nagelsmann.
Todavia, o cenário antes da bola rolar na capital da Baviera era realmente perfeito aos alemães, a começar pela possibilidade de sediar a Final Four da Liga das Nações jogando diante da sua torcida. Além disso, o duelo contra Portugal marcava o jogo de número 100 do capitão Joshua Kimmich vestindo a camisa da Alemanha, um feito alcançado por apenas 15 jogadores até aqui, cujo líder máximo responde pelo nome de Lothar Matthäus, com 150.
Ademais, é importante destacar que os portugueses desembarcaram em Munique pressionadíssimos em meio aos rumores envolvendo a possível demissão de Roberto Martínez no caso de uma derrota, lembrando que a Alemanha não era superada por Portugal há exatos 25 anos, desde o revés por 3 a 0 com direito a um hat-trick de Sérgio Conceição (técnico do Milan) pela fase de grupos da Eurocopa de 2020.
Ainda assim, a Alemanha não foi capaz de avançar à sua primeira decisão da Liga das Nações ao cair diante dos portugueses por 2 a 1 e, detalhe, de virada após sair na frente do placar, aos 3 minutos do segundo tempo, através do tento de Florian Wirtz. Entretanto, um resultado que até ficou no lucro considerando o amplo domínio por parte dos portugueses, algo que se refletiu nas estatísticas.
Na 2.ª parte, ????????Portugal fez 13 remates com 2.02 de xGoals!!! pic.twitter.com/fUaRyCndvK
— Playmaker (@playmaker_PT) June 4, 2025
Sem jogar desde os confrontos diante da Itália pelas quartas-de-final da Liga das Nações da UEFA na última Data Fifa, a Alemanha encarou a seleção de Portugal repleta de novidades na Allianz Arena, dentre as principais, a estreia de Nick Woltemade, artilheiro do Stuttgart na temporada com 17 gols em 33 jogos, que não balançou as redes ao longo dos 60 minutos em que esteve em ação na sua primeira aparição pela Mannschaft.
No entanto, a formação com três zagueiros também chamou bastante a atenção, em especial porque a Alemanha havia decepcionado na única das 21 partidas anteriores em que atuou nesta formação desde a chegada de Julian Nagelsmann em 2023, mais especificamente no empate em 3 a 3 com a Itália no início do ano. Aliás, o 4-2-3-1 foi utilizado em todos os demais compromissos da seleção tetracampeã mundial sob o comando do treinador de 37 anos de idade.
A explicação para essa mudança pode ser a ausência dos lesionados Antonio Rudiger e Nico Schlotterbeck, o que sugere a hipótese que Julian Nagelsmann não confia numa dupla sem a presença de nenhum dos titulares. Logo, se subentende que ele preferiu escalar a defesa que já contava com o regresso de Marc ter Stegen ao gol alemão depois de oito meses, com Jonathan Tah, Robin Koch e Waldemar Anton compondo um trio de zaga, a fim de deixá-la menos exposta, tendo ainda os volantes Aleksandar Pavlovic e Leon Goretzka dando-lhe proteção.

No centésimo jogo defendendo as cores da Alemanha, Joshua Kimmich deu a 15ª assistência dentre os 30 gols de cabeça marcados pela Mannschaft desde a sua estreia.
Por sinal, comprova essa tese o fato de que bastou a Alemanha sofrer a virada no marcador para que Julian Nagelsmann abrisse mão do sistema com três zagueiro ao sacar Waldermar Anton para promover a entrada de Karim Adeyemi, aos 26 minutos da etapa final, retornando assim ao 4-2-3-1. No entanto, uma alteração tática que não trouxe qualidade ou dinamismo, já que os alemães seguiram lentos, passivos, e pobres na criação.
E outro detalhe não menos relevante, que também pesa contra Julian Nagelsmann, é que os dois gols sofridos pela Alemanha ocorreram justamente nos minutos seguintes após o ex-treinador do Bayern de Munique realizar as três primeiras trocas no time ao colocar Robin Gosens, Serge Gnabry e Niclas Fullkrug, nos lugares de Maxi Mittelstadt, Leroy Sané e Nick Woltemade, respectivamente.

Julian Nagelsmann coleciona 22 jogos no comando da Alemanha, somando 12 vitórias, 6 empates e quatro derrotas neste que é apenas o seu quarto trabalho na carreira.
Deste modo, a Liga das Nações da UEFA, antes tida como a melhor oportunidade para a seleção alemã dar a primeira volta olímpica desde a conquista da extinta Copa das Confederações em 2017, acabou aumentando ainda mais a pressão sobre o técnico Julian Nagelsmann, que nunca foi unânimidade entre a opinião pública por conta da pouca experiência, além das trajetórias pouco inspiradoras por RB Leipzig e Bayern de Munique.
E com Jurgen Klopp exercendo uma função administrativa no grupo Red Bull, os questionamentos em relação ao trabalho de Julian Nagelsmann só crescem, obviamente, alimentados pelos recentes traumas criados pelas eliminações da Alemanha na fase de grupos das últimas duas Copas do Mundo que abrange tanto o pífio fim de ciclo de Joachim Low, quanto a curta passagem do sucessor Hansi Flick.
Seja como for, a realidade é que essa queda na Liga das Nações um ano depois do adeus nas quartas-de-final da Eurocopa também disputada no país e através de uma derrota por 2 a 1, porém para a Espanha, acabou gerando um clima instável em torno da seleção alemã, por mais que Julian Nagelsmann se justifique alegando os desfalques de Antonio Rudiger, Nico Schlotterbeck, Jamal Musiala e Kai Havertz.
Vou falar com alguns jogadores. Não posso ser agressivo porque estamos evoluindo, estamos no meio do caminho, mas preciso ter uma conversa muito séria porque senti que alguns não deram cem por cento. E assim será difícil ganhar jogos.
Julian Nagelsmann, treinador da Alemanha
De qualquer maneira, é inegável que falta profundidade ao elenco alemão, principalmente nos momentos em que o plantel se encontra desfalcado, o que se constatou nesta última partida em que Roberto Martínez tinha um qualificado banco de reservas com Vitinha, Francisco Conceição, Diogo Jota, João Palhinha, Diogo Dalot e Rafael Leão. De fato, o grupo da Alemanha é inferior tecnicamente em comparação aos de França, Espanha, Portugal, Inglaterra e Argentina.
A escassez de bons centroavantes é outro aspecto que ainda incomoda a Alemanha, a julgar que Niklas Fullkrug, Tim Kleindienst, Jonathan Burkardt, Max Beier e Deniz Undav não são atacantes de classe mundial, enquanto Nick Woltemade surge como uma promessa. Contudo, Julian Nagelsmann vem falhando na tarefa de extrair o máximo possível de cada um dos seus jogadores, e encontrar alternativas para solucionar os problemas da Mannschaft.
Portanto, por mais que uma boa campanha nas Eliminatórias — na qual o grupo da Alemanha é formado por Eslováquia, Luxemburgo e Irlanda do Norte — se confirme, o enorme equívoco cometido pela DFB (Federação Alemã de Futebol) ao apostar em Julian Nagelsmann para comandar a seleção alemã na busca pela quinta estrela ficará escancarado após o Mundial de 2016.