O impacto do Brexit no futebol

Na madrugada desta sexta-feira, às 03:00 (horário de Brasília), deu-se por encerrada a votação do Brexit (referendo que definiu a saída da Grã-Bretanha da União Europeia), e com uma vantagem de apenas 1,2 milhão de votos, o referendo foi aprovado, ou seja, 51,9% dos eleitores britânicos que foram as urnas na quinta-feira, optaram pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia. Além de afetar drasticamente a economia mundial, a aprovação do Brexit prejudica e muito o mundo do futebol.
O primeiro fator prejudicial ao futebol, será a difícil saída de jogadores britânicos para outros mercados, como o europeu por exemplo. A partir de agora, os jogadores ingleses, galeses e norte-irlandeses são considerados extra-comunitários, assim como são os atletas sul-americanos. Uma boa comparação é o Real Madrid, que tem o direito de ter apenas três jogadores extra-comunitários em seu elenco, e já conta com o volante Casemiro, o lateral-direito Danilo e o meia James Rodriguez. Agora surge um problema para o time merengue, pois o galês Gareth Bale, passou a ser considerado extra-comunitário, e portanto, não poderá mais se encaixar na lista de jogadores europeus, que tinham livre acesso para jogar pelas equipes espanholas.

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O galês Gareth Bale, a partir de hoje, passa a ser considerado um jogador extra-comunitário no Real Madrid.

Outro fator prejudica ainda mais os jogadores estrangeiros, a partir de agora, a entrada destes ao mercado britânico ficará muito mais restrita, a movimentação de atletas espanhóis, italianos, franceses, alemães, e de outros países europeus, fica mais complicada, tudo porque os europeus terão de obedecer as mesmas regras dos sul-americanos para jogar na Premier League (campeonato inglês). Por exemplo, quando um jogador brasileiro vai atuar na Inglaterra, ele precisa ter uma porcentagem mínima de convocações na seleção brasileira, para assim receber o direito de jogar em qualquer equipe inglesa. Com a aprovação do Brexit, os europeus seguirão a mesma regra, terão de obter a porcentagem mínima de partidas por suas respectivas seleções, algo que vai inviabilizar e muito a entrada de jovens jogadores, ou de atletas pouco conhecidos na Premier League. Além disso, o aspecto financeiro também vai pesar muito, pois o valor do euro irá aumentar em comparação ao valor da libra, só hoje, desde a confirmação do Brexit, o valor da libra já caiu 5% em relação ao euro, fazendo assim com que clubes ingleses tenham que gastar ainda mais com contratações.
Caso o Brexit tivesse sido aprovado na temporada passada por exemplo, o meia-atacante Dimitri Payet do West Ham, não teria condições de estar jogando na Premier League, afinal, Payet não tinha a porcentagem de convocações mínimas na seleção francesa, fator esse que inviabilizaria sua transferência ao West Ham. O atacante Anthony Martial, contratado pelo Manchester United, também não teria condições de transferir-se ao futebol inglês pelo mesmo motivo. Citei apenas estes dois atletas, porém centenas de outros jogadores não teriam condições de migrar ao futebol inglês em decorrência do Brexit.
Não é a toa que organizadores da Premier League, não eram favoráveis a aprovação do Brexit, e no inicio da semana, lançaram até uma nota defendendo a permanência da Inglaterra na União Europeia, muito disso, se deve a aspectos comerciais que envolvem a maior liga de futebol do planeta, e o receio da possível saída de parceiros e investidores estrangeiros da Premier League, além do aumento das quotas de transmissão do torneio para outros países.
Sabemos que os efeitos deste referendo não são imediatos, fala-se num período de transição de dois anos para que as mudanças comecem a aparecer, porém já fica nítido enxergar a onda de choque que o Brexit vem causando desde sua aprovação a poucas horas atrás.

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