Dois dias após a surpreendente conquista da Eurocopa 2016 pela seleção de Portugal, muitas pessoas e boa parte da mídia ainda questiona o merecimento ou não do título pelos portugueses. Isso se deve ao fato de Portugal ter vencido apenas uma partida no tempo regulamentar em toda sua campanha na Eurocopa, afinal, se analisarmos, os comandados de Fernando Santos terminaram a competição somando o total de 6 empates e 1 vitória. Além disso, o estilo de jogo português não agradou em nada, e continua a ser contestado por muitos.
Na primeira fase, Portugal por pouco não foi eliminado, se classificando na terceira posição do grupo H, atrás da líder Hungria e da vice-líder, Islândia. Durante a fase de grupos, a seleção portuguesa qualificou-se com três pontos, provenientes dos três empates obtidos nas partidas disputadas diante da Islândia (1 a 1), Áustria (0 a 0) e Hungria (3 a 3). Nas oitavas de finais, novamente um empate, desta vez frente a Croácia por 0 a 0, mas nos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, veio o gol salvador de Ricardo Quaresma, uma ducha de água fria nos croatas. Na fase seguinte, vieram as quartas de finais, e mais uma vez Portugal empatou, agora contra a Polônia em 1 a 1, por isso o jogo foi decidido na cobrança de pênaltis, e para a alegria da nação portuguesa, os atletas acertaram 100% das penalidades, e venceram por 5 a 3. Já estando entre as quatro melhores seleções da Eurocopa, Portugal encarou País de Gales nas semifinais, e enfim veio o primeiro triunfo (2 a 0) dentro do tempo normal de jogo (90 minutos), com isso a seleção lusa avançava para a final do torneio. Considerado o grande azarão da Euro, Portugal entrou no estádio de France, disposto a calar mais de 70 mil vozes que soavam a favor da França, além de defrontar-se com uma equipe superior tecnicamente. Depois de uma partida emocionante, digna de uma final de Eurocopa, o empate de novo prevaleceu no placar (0 a 0). Com o resultado igual, veio a prorrogação, até que aos 4 minutos do segundo tempo, Éder fez o gol sacramental, que garantiu o título ao guerreiro time de Portugal.
Na minha visão, a seleção portuguesa, não começou bem a Eurocopa, apresentando diversas falhas, principalmente no setor defensivo, falhas essas, que foram corrigidas pelo técnico Fernando Santos depois da partida diante da Hungria. Após este jogo, Portugal entrou em campo mais quatro vezes, e sofreu apenas um gol, a partir daí (inicio das oitavas de finais), os portugueses mantiveram a cautela, dando ênfase à parte defensiva, e lutando sempre por uma bola no ataque. As estatísticas nos mostram claramente isso, o treinador Fernando Santos, em 14 jogos oficiais sob o comando da seleção de Portugal, venceu apenas uma única partida com mais de um gol de diferença. Vale ressaltar ainda, a competência dos portugueses nas cobranças de pênaltis, dignas de muito treinamento e estudo. Aliado ao esquema tático, ao posicionamento dos jogadores dentro de campo, e a proposta de jogo estabelecida pelo treinador, está o fator psicológico, pois perder o principal atleta da equipe, logo no inicio de uma final, na casa do adversário, digamos que não é uma tarefa nada fácil, isso pode abalar mentalmente qualquer grande equipe.
Por essas e outras achei merecida a conquista de Portugal, que convicto de suas limitações, adotou uma proposta de jogo compatível com o que tinha em mãos, e diferentemente da Espanha que venceu as edições de 2008 e 2012 da Euro, encantando o público com um futebol vistoso, os portugueses no final das contas atingiram o mesmo objetivo e levantaram a taça da competição.