Fantástico, assim posso definir a conquista da Eurocopa pela seleção de Portugal, afinal, vencer a França em pleno estádio de France, completamente lotado, é algo alcançado por poucos. A partida foi uma verdadeira batalha, onde os portugueses superaram o limite do físico e do psicológico, para então, depois de doze anos da fatídica final diante da Grécia no estádio da Luz, quando foram derrotados por 1 a 0, eles puderam tirar o grito entalado na garganta, e enfim pela primeira vez levantarem a taça de campeão da Eurocopa.
Considerada uma zebra pela maior parte da mídia, a seleção de Portugal entrou em campo frente aos franceses com a mesma proposta de jogo que utilizou durante todas as partidas na Eurocopa, uma equipe sólida defensivamente, que costuma roubar a bola do adversário no seu campo de defesa, para então explorar os velozes contra-ataques, em sua maioria, puxados por Nani e Cristiano Ronaldo, além de aproveitar o bom jogo aéreo que lhe é peculiar, sempre com Pepe, William Carvalho, Cristiano Ronaldo e José Fonte dando muito trabalho aos oponentes. Iniciando no esquema 4-1-3-2, o técnico Fernando Santos armou uma forte linha de quatro homens na defesa com Cédric, Pepe, José Fonte e Raphael Guerreiro, utilizando o volante William Carvalho à frente dessa linha de quatro, e um pouco adiante, posicionou uma linha de três meio-campistas composta por Renato Sanches, Adrien Silva e João Mário que davam suporte tanto na armação de jogadas, quanto na marcação. Já na frente, Nani e Cristiano Ronaldo ficaram encarregados de puxar os contra-ataques, além de preencher espaços no meio quando Portugal estava sem a bola.
No início do jogo, a França partiu pra cima, e Griezmann quase fez um gol de cabeça, mas Rui Patrício, um dos destaques da partida, fez ótima defesa. O drama português começou quando aos 8 minutos de bola rolando, o craque Cristiano Ronaldo sofreu uma falta de Payet no meio-campo, e com suspeita de ruptura do ligamento do joelho, o camisa 7 português foi substituído aos prantos, ainda nos 23 minutos da primeira etapa. Gostaria de aproveitar a oportunidade, para esclarecer que na minha visão, Dimitri Payet deu uma entrada normal em Cristiano Ronaldo, usou certa força, mas visou a bola, e em partidas como essas (finais), as disputas são intensas, afinal todos querem ganhar, mas volto a frisar, foi uma jogada normal e para a infelicidade de Ronaldo, o joelho dele acabou virando. Achei um absurdo comentaristas esportivos dizerem que foi uma falta desleal, digna de cartão amarelo e até vermelho. Acho uma entrada totalmente maldosa, aquela que Neymar recebeu de Zuniga na Copa do Mundo, essa sim, merecedora de expulsão, diferentemente da infração de Payet.

Com a saída do capitão do time, Ricardo Quaresma entrou exercendo a mesma função de Cristiano Ronaldo, portanto, a equipe portuguesa só perdeu mesmo em qualidade técnica individual, pois o esquema se manteve o mesmo. A França comandou as ações no primeiro tempo, buscou mais o gol, tentando aproveitar o abalo psicológico dos portugueses, e assustava demasiadamente com as chegadas de Sissoko, o principal nome dos franceses no jogo.
Na segunda etapa, o jogo iniciou morno, com ambas seleções não encontrando espaços em campo, porém com a entrada de Coman e a saída de Payet, a França ganhou mais velocidade, e o talento de Coman se sobressaiu, afinal, tanto Griezmann, quanto Pogba estavam apagados na partida. Passando sufoco, o treinador Fernando Santos mexeu pela segunda vez, sacou Adrien Silva para colocar João Moutinho, dando mais qualidade na saída de bola e controlando a mais o jogo. Não satisfeito, o treinador português queimou todas suas substituições, e mandou o atacante Éder ao gramado, no lugar do meio-campista Renato Sanches, aumentando com isso o poderio ofensivo de sua equipe. Mesmo assim a França continuou pressionando na maior parte da segunda etapa, até que aos 45 minutos, o atacante Gignac, que havia acabado de entrar, acertou uma bola na trave, depois de um bate rebate na área de Portugal. Com sorte e superação os portugueses seguraram o placar, levando a decisão do confronto para a prorrogação.
Na primeira etapa da prorrogação, Portugal conseguiu equilibrar as ações, após mudar o esquema para o 4-1-4-1, deixando o atacante Éder isolado no ataque, e posicionando Nani, João Moutinho, João Mário e Quaresma numa linha de quatro homens à frente do volante William Carvalho. Somente escanteios de ambas equipes, levam perigo no primeiro tempo da prorrogação, que já apresentava o cansaço dos jogadores.
Na etapa final do tempo extra, a seleção portuguesa foi pro tudo ou nada, querendo evitar a decisão por pênaltis, Portugal começou assustando a França e logo aos 3 minutos, o lateral-esquerdo Raphael Guerreiro acertou o travessão de Lloris após cobrança de falta próxima a área. No ataque seguinte, veio a ducha de água fria para os comandados de Didier Deschamps. Ao receber a bola na frente, Éder consegue achar espaço, e acerta um belo chute no canto direito de Lloris, para explodir de alegria a torcida portuguesa presente em Saint-Denis. Os minutos finais foram de ataque contra defesa, onde a desesperada França atacava, e Portugal bravamente se defendia. Até que o apito final do árbitro inglês Mark Clattenburg, consolidou de vez o placar final, 1 a 0, garantindo assim o título à Portugal.
Novamente a Eurocopa nos proporcionou uma final histórica, e o roteiro não poderia ser diferente, nos apresentando primeiramente o choro de sofrimento de Cristiano Ronaldo ao deixar a partida, para depois nos mostrar o comovente choro de felicidade do craque, que sem sombra de dúvidas, é o maior jogador da história de Portugal. Tivemos também o improvável herói Éder que entrou no final do segundo tempo, e levou milhares de portugueses aos prantos com a primeira conquista de uma seleção que há anos batia na trave, e ontem, feliz, pôde soltar o grito de campeão. Parabéns Portugal, pelo merecido e emocionante título da Eurocopa 2016.