O início de Tite sob o comando da seleção brasileira, não poderia ter sido melhor, afinal, logo em sua estreia, o treinador além de vencer o atual líder das Eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia por um incrível 3 a 0, ainda quebrou um tabu que já perdurava longos 33 anos.
Nem mesmo Tite imaginava que sua primeira partida como técnico da seleção brasileira seria tão empolgante como foi. Adotando um discurso cauteloso desde a convocação, Tite afirmava a todo momento, que caso a seleção voltasse com um empate de Quito, já seria um ótimo resultado, haja visto as dificuldades que os adversários encontram jogando na altitude da capital equatoriana. Para se ter ideia da eficiência do Equador, quando joga em seus domínios, o time não perde uma partida válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, desde 2010, contabilizando 11 partidas invictos em casa, contabilizando o total de 9 vitórias e 2 empates. Soma-se a isso, o fato do Brasil ter conquistado sua última sobre o Equador, em Quito, no ano de 1983 (33 anos de tabu). Com todas essas informações em mente, Tite e sua comissão técnica já sabiam das dificuldades que encontrariam em campo e fora dele.
Armando o mesmo esquema e plano de jogo que utilizou no Corinthians campeão brasileiro do ano passado, Tite montou uma equipe sólida defensivamente, que priorizava a posse de bola, e dona de um contra-ataque fatal, chegando à frente sempre com cinco ou seis jogadores, deixando a defesa do oponente totalmente perdida. Quando o Brasil estava sem a bola, Tite esquematizou o 4-1-4-1, com Gabriel Jesus isolado no ataque, e uma linha de quatro atrás dele. Vale lembrar, que o treinador brasileiro adiantou bem as linhas, fazendo uma marcação pressão na saída de bola do Equador, principalmente com Neymar e Willian que fechavam tanto reto, marcando os laterais, quanto na diagonal, pressionando os zagueiros adversários e induzindo eles ao erro. Abaixo o desenho tático do Brasil, quando estava sem a bola, se defendendo:

O que chamou a atenção, foi que Tite não armou uma retranca, como muitos previam, o Brasil foi ótimo defensivamente, como são as equipes dirigidas pelo treinador, mas também soube atacar, quase sempre em blocos, com a chegada ao ataque de diversos jogadores. Era comum, ver o Brasil recuperar a bola ainda em seu campo, e sair para o contra-ataque com rápidas transações, toques curtos, objetivos, e contando sempre com a subida dos bons volantes Paulinho e Renato Augusto, dos pontas Neymar e Willian, e também dos laterais Daniel Alves e Marcelo. Eram tantas opções que os equatorianos se perdiam na marcação. Quando estava com a bola, atacando, o Brasil utilizou o 4-3-3, abaixo o desenho tático do time brasileiro:

Só no segundo tempo, pudemos constatar que o Brasil se poupou durante toda a primeira etapa, ficando assim com mais gás no segundo tempo, diferentemente do que sempre acontece nas partidas em Quito, quando os adversários costumam ficar cansados na metade final dos jogos. Gostaria de citar três jogadores que foram os grande destaques na minha opinião, primeiramente, o meia Philippe Coutinho, que deu nova dinâmica ao time, substituindo o apagado Willian, e a partir de sua entrada, o Brasil atropelou o Equador. Além de Philippe Coutinho, não poderia deixar de mencionar o volante Casemiro, que evoluiu absurdamente na Europa, e para mim, já e o dono da camisa 5 da seleção. Por último, o atacante Gabriel Jesus, que mostrou toda sua qualidade técnica, nos dois gols marcados ontem, e apesar da pouca idade (19 anos), já demonstra ser um excelente jogador.
Para a próxima partida, a escalação de Philippe Coutinho entre os onze que iniciarão o jogo não está descartada, porém as chances são remotas, pois após a vitória de ontem, Tite deu a entender que iniciará a duelo frente a Colômbia na terça-feira em Manaus, com os mesmos jogadores que começaram ontem entre os titulares.
Ainda é cedo para falar, mas uma coisa é fato, Tite é realmente o homem certo para comandar a seleção, só ele pode recuperar o prestígio da seleção perante aos adversários e logicamente, perante a exigente torcida brasileira.