Começa neste sábado (17/06/2017) a 10ª edição da Copa das Confederações, um torneio curto que reúne os seis atuais campeões continentais, o anfitrião do próximo Mundial e o último campeão da Copa do Mundo. Com isso, participarão da competição as seleções da Alemanha (atual campeã), Rússia (país sede), Portugal (campeão da Eurocopa), Camarões (campeão da Copa Africana de Nações), Chile (campeão da Copa América), México (campeão da Copa Ouro), Austrália (campeã da Copa da Ásia) e Nova Zelândia (Copa das Nações da Oceania). A Copa das Confederações é usada como uma ferramenta de ensaio, em outras palavras, é um teste da FIFA para fazer os últimos ajustes e implantar possíveis mudanças, visando a melhoria do evento Copa do Mundo, que terá início daqui um ano. Esse mini-campeonato passou a ser disputado de quatro em quatro anos a partir de 2005, e é sempre realizado um ano antes dos Mundiais. O último campeão foi justamente o Brasil (2013), país sede da Copa do Mundo de 2014, aliás, a seleção brasileira é a atual tricampeã e maior vencedora do torneio com quatro títulos, seguido da França com duas taças e de México, Argentina e Dinamarca com um troféu na bagagem cada. Confira abaixo como ficaram divididos os grupos da Copa das Confederações 2017:

Grupo B – Camarões, Chile, Austrália e Alemanha.
O espetáculo dentro de campo com certeza será garantido, porém o que preocupa bastante a FIFA é justamente os problemas extra-campo. Esses contratempos são referentes a algumas obras atrasadas, o racismo contra torcedores e jogadores, e ao vandalismo dos temidos hooligans, que aterrorizaram a Eurocopa 2016 na França. Quatro dos dez estádios receberão jogos da Copa das Confederações, lembrando que o jogo de abertura entre Rússia x Nova Zelândia será realizado na Zenit Arena, em São Petersburgo, que foi alvo de diversos escândalos envolvendo corrupção, além do atraso na entrega do estádio. O projeto que deveria ser concluído em 2008, foi finalizado somente este ano, ou seja, quase uma década após o prazo estipulado, o que gerou uma despesa de 600% a mais no orçamento previsto inicialmente. E não para por aí, um relatório divulgado pela Human Rights Watch nesta semana, informou que alguns trabalhadores haviam sido submetidos a condições perigosas de trabalho e uma boa parte deles está com salários atrasados. Estima-se que 17 operários morreram nas obras envolvendo as construções dos estádios. Uma outra investigação, apurou que pelo menos 190 homens vindos da Coreia do Norte trabalharam longos turnos e sem períodos de folga, sendo assim verdadeiros escravos.

No entanto, as expectativas do presidente Vladimir Putin e dos russos como um todo, é realizar uma grande Copa do Mundo, recebendo os povos das diferentes nações da melhor maneira possível, eles acreditam que o torneio é uma chance de mostrar ao mundo um lado diferente do país A Copa é também uma espécie de vitrine para a Rússia se mostrar ao planeta. Mas para que tudo isso ocorra, o racismo deverá ser combatido, afinal, dados apontam que na temporada 2014/15 foram registrados 93 incidentes de cânticos racistas na Rússia, algo que preocupa tanto a FIFA quanto as autoridades russas. Em contrapartida, a entidade insiste que está levando o problema a sério, tanto é, que instituiu um sistema na Copa das Confederações que permitirá que os árbitros pausem o jogo enquanto um anúncio será feito nos auto-falantes do estádio, exigindo que os cantos ou os atos discriminatórios parem de maneira imediata, inclusive, se o juiz achar plausível, ele terá direito até a cancelar a partida caso essas lamentáveis ações persistam.

Finalmente chegamos a questão que mais aflige os organizadores da Copa do Mundo, a violência dos hooligans russos, que horrorizaram a França durante a disputa da Eurocopa 2016, se envolvendo em diversos confrontos, inclusive contra os ingleses. A FIFA vem trabalhando em parceria com a polícia para que brigas não aconteçam durante a realização do Mundial, por isso, alguns membros considerados perigosos ligados a clubes russos já estão sendo observados pelas autoridades, e caso pratiquem algum ato violento, sofrerão duras penalidades. Um documentário transmitido pela BBC este ano, captou o depoimento de hooligans russos aguardando ansiosamente o início do torneio para entrarem em combate. Diante destes fatos, a intenção da FIFA no momento é provar através da Copa das Confederações que o evento será extremamente seguro, fiscalizado e que nada irá acontecer, por isso, os torcedores não devem ter medo de viajar à Rússia para acompanhar a Copa. Para finalizar, mesmo com todas estas preocupações, a boa notícia é que sabemos que assim como nós brasileiros, o povo russo é apaixonado por futebol, e terá cidades bastante agradáveis que sediarão os jogos, portanto, só nos resta torcer para que pequenos incidentes não atrapalhem uma competição tão prestigiada como é a Copa do Mundo.