Quando Pep Guardiola desembarcou no Etihad Stadium na temporada passada, a expectativa dos torcedores dos Citizens (apelido do Manchester City) era realmente alta, afinal, trata-se de um dos maiores treinadores do mundo. Além disso, o investimento feito pela diretoria em contratação de jogadores foi enorme, tanto é que o clube inglês foi ao lado do rival Manchester United, a equipe que mais gastou em compra de atletas, desembolsando a bagatela de 177,5 milhões de euros, para incorporar Gabriel Jesus, Claudio Bravo, Leroy Sané, Nolito, John Stones e Ilkay Gundogan ao seu elenco milionário. Acontece, que nem mesmo a terceira colocação na Premier League (campeonato inglês) salvou a campanha do Manchester City, que passará mais uma vez por uma reformulação, visando um melhor desempenho na nova jornada que está por vir.
A apresentação de Pep Guardiola no Manchester City pode ser comparada a exibição de um popstar, ou então de um grande astro do cinema norte-americano, digo isso, porque aproximadamente seis mil fãs tiveram a oportunidade de acompanhar a primeira entrevista do espanhol como treinador dos Citizens. Naquele momento, o que se esperava, era uma temporada repleta de títulos, com uma equipe extremamente organizada, ofensiva e dona de um futebol envolvente. O início do City até deu mostras de que todos esses planos seriam traçados, pois a estreia do conjunto inglês ainda na fase pré-eliminatória da Champions League não poderia ter sido melhor, uma goleada por 6 a 0 no Steaua Bucareste em plena capital romena. Em seguida, uma incrível sequência de seis vitórias consecutivas na Premier League, colocaram o Manchester City no lugar mais alto da tabela, liderança essa, que foi ocupada da 2ª até a 10ª rodada do campeonato. Diante deste cenário, tudo corria conforme o planejado, mas eis que vieram os confrontos contra os demais concorrentes ao título. Começaria ali o pesadelo de Guardiola e sua trupe.

A trágica campanha de Guardiola pode ser dividida em duas partes, nas competições nacionais e nas internacionais. Primeiramente analisando a performance do Manchester City na Champions League, constatamos que os Citizens não conquistaram nenhum triunfo atuando fora de seus domínios (a partir da fase de grupos). Nos quatro jogos realizados como visitante, o time inglês foi goleado pelo Barcelona por 4 a 0, empatou frente o Celtic (3 x 3) e o Borussia Monchengladbach (1 x 1) e novamente perdeu para o Monaco por 3 a 1. Além disso, a precoce eliminação nas oitavas de finais do torneio, justamente para o Monaco, não estava nos planos do Manchester City, lembrando que na edição passada da Champions League, época em que ainda era comandado pelo chileno Manuel Pellegrini, a equipe havia chegado na fase semifinal. Este foi um duro golpe tanto para a torcida quanto para os dirigentes que investiram cifras enormes buscando o tão almejado título europeu.

Já nas competições nacionais, podemos afirmar que o time também decepcionou. Depois de vencer o clássico contra o arquirrival Manchester United por 2 a 1 pela Premier League, a equipe de Pep Guardiola sofreu sua primeira eliminação na temporada, ao perder exatamente para os pupilos de José Mourinho por 1 a 0, graças ao gol de Juan Mata, em partida válida pelas oitavas de finais da Copa da Liga Inglesa. Vale ressaltar, que este revés não afetou a confiança do Manchester City, pois naquela ocasião, o time atuou com alguns jovens jogadores, como por exemplo Aleix Garcia e Pablo Maffeo. Por outro lado, na FA Cup (Copa da Inglaterra), os Citizens sofreram uma derrota duríssima na prorrogação do confronto diante do Arsenal (2 x 1), disputado no glorioso estádio de Wembley, na fase semifinal do torneio. O único fato que ameniza este resultado negativo, é que posteriormente o Arsenal tornou-se campeão da Copa da Inglaterra, batendo o Chelsea na decisão. Para finalizar, não poderíamos deixar de mencionar a trajetória dos comandados de Pep Guardiola na Premier League, aonde apesar de ter sido bastante irregular, o Manchester City terminou na terceira colocação com 78 pontos ganhos, colecionando 23 vitórias, 3 empates e 6 derrotas em 38 partidas realizadas, registrando assim uma performance de 68,4% de aproveitamento, ou seja, pouco para um clube que investiu tanto.

Isto posto, não da para esconder a tamanha decepção de Pep Guardiola em sua primeira temporada à frente do clube. Mesmo dispondo de um plantel tão amplo, competitivo e acima de tudo caro, o treinador espanhol não foi capaz de erguer nenhuma taça, ao contrário do vizinho José Mourinho, que logo de cara conquistou a Copa da Liga Inglesa e a Europa League. Alguns aspectos pesam à favor de Guardiola, entre eles, o fato de ele nunca ter trabalhado na Terra da Rainha, portanto, o quesito adaptação pode sim ter atrapalhado o técnico. Mas deixando de lado todas estas justificativas, o momento agora é de focar na próxima época, e o planejamento inclusive já teve início. Uma prova disso é a dispensa dos atletas Willy Caballero, Pablo Zabaleta, Bacary Sagna, Gael Clichy, Nolito e Jesús Navas, todos com o aval do comandante. Para suprir todas estas saídas, a diretoria dos Citizens agiu rápido, contratando os jogadores Bernardo Silva, Ederson e Daniel Alves. Como não poderia deixar de ser, os rumores encima do Manchester City não param, e nomes como os de Ousmane Dembélé, Ryan Bertrand, Kyle Walker, Benjamin Mendy e de Virgil van Dijk aparecem na extensa lista de reforços da equipe, por isso, vale a pena aguardar o andamento da janela. Depois de um começo decepcionante, os torcedores do City esperam ansiosamente um segundo ano muito melhor do técnico espanhol.