Alemanha, campeã da Copa das Confederações 2017

A Copa das Confederações 2017 chegou ao fim, e foi conquistada de maneira surpreendente pela Alemanha, pois na tarde de ontem, os pupilos de Joachim Low bateram o Chile pelo placar mínimo (a x 0), e levantaram pela primeira vez na história, a taça do torneio. Além disso, os alemães igualaram os feitos de França (2001) e Brasil 1997 e 2005), que também venceram a competição depois de serem campeões mundiais.
Antes do início da Copa das Confederações, poucas pessoas imaginariam a Alemanha campeã do torneio, afinal, o treinador Joachim Low convocou um plantel repleto de jovens promessas, que inclusive receberam da mídia local, o apelido de Perspekitive Team, traduzindo ao português, “A equipe da perspectiva”. A explicação do técnico para o fato de ter convocado uma seleção composta de diversos jogadores novatos, é porque ele ainda busca algumas peças para encaixar em seu conjunto principal, e por isso, Joachim Low se deu ao luxo de dar um descanso a atletas como Mesut Ozul, Thomas Muller, Marco Reus, Manuel Neuer, Toni Kroos, Mats Hummels, Sami Khedira, entre outros. Portanto, é correto afirmar que a Alemanha utilizou a Copa das Confederações para realizar uma verdadeira bateria de testes. Acontece, que com o decorrer da competição, a Mannschaft (apelido da seleção alemã), foi evoluindo, se entrosando, ganhando confiança, o que culminou com a conquista do torneio. No entanto vale lembrar, que esse longo e competentíssimo trabalho teve início no começo dos anos 2000, época em que a Federação Alemã em parceria com os clubes, investiu pesado na formação de jogadores, tudo visando a constante renovação do selecionado alemão, pela qual já passaram estrelas como Franz Beckenbauer, Sepp Maier, Lothar Matthaus, Karl-Heinz Rummenigge, Jurgen Klinsmann, Rudi Voller, Andreas Brehme, e mais recentemente Michael Ballack, Miroslav Klose, Bastian Schweinsteiger e Philipp Lahm.

O atacante Timo Werner, destaque do RB Leipzig na temporada, pode pintar entre os 23 nomes da Alemanha na Copa do Mundo de 2017, após uma realizar uma excelente Copa das Confederações.
O atacante Timo Werner, destaque do RB Leipzig na temporada, pode pintar entre os 23 concovados da Alemanha na Copa do Mundo de 2018, tudo por conta de suas ótimas atuações na Copa das Confederações.

A Copa das Confederações é uma prova de que os frutos plantados pela Federação Alemã nas categorias de base realmente surtiram efeito, e hoje, os alemães estão apenas colhendo essa rica safra. Apesar de ter vencido na estreia do torneio, a Alemanha deixou muitas interrogações em relação ao sistema defensivo de sua equipe, principalmente ao goleiro Bernd Leno, que falhou em dois gols, porém mesmo assim, a vitória por 3 a 2 garantiu aos comandados de Joachim Low, os seus primeiros três pontos. Na segunda rodada, a Mannschaft entrou em campo para enfrentar o temível Chile, considerado o adversário mais forte de seu grupo. Já com o goleiro Marc Ter Stegen debaixo das balizas, o empate por 1 a 1 acabou agradando ambos os lados, após um jogo bastante morno, bem abaixo das expectativas. Na terceira e última partida da primeira fase, os alemães abandonaram o sistema 3-5-2 dando lugar ao 3-4-2-1, e na minha opinião, foi a partir deste exato momento, que o time passou a jogar um futebol mais convincente, não à toa, a Alemanha atropelou Camarões por 3 a 1, triunfo este, que garantiu a liderança do grupo ao admirável conjunto alemão.

Marc Ter Stegen é outro que garantiu uma vaga na Copa do Mundo da Rússia em 2018. Ele será o reserva imediato de Manuel Neuer.
Marc Ter Stegen é outro que garantiu uma vaga na Copa do Mundo da Rússia em 2018. Ele será o reserva imediato de Manuel Neuer.

Na segunda e decisiva fase da Copa das Confederações, os alemães receberam o México, segundo colocado do grupo A, nas semifinais. Conhecidos por sua grande variedade tática e o seu futebol ofensivo, os mexicanos sucumbiram diante da Alemanha, e incrivelmente sofreram dois gols em menos de dez minutos. A partir de então, o time de Joachim Low precisou apenas administrar o restante da partida. Com uma atuação digna de uma campeã do mundo, com todos os setores do time (defesa – meio – ataque) cumprindo muito bem o seu papel, a Mannschaft sacramentou sua classificação aplicando uma sonora goleada de 4 a 1 sobre a equipe de Juan Carlos Osório. Separada a noventa minutos da inédita taça da Copa das Confederações, os alemães teriam pela frente mais uma vez o Chile, que chegou bastante confiante na final, pois havia eliminado os atuais campeões europeus (Portugal) na fase semifinal, após uma exibição heroica de Claudio Bravo. Mesmo sabendo do favoritismo chileno, os meninos de Joachim Low fizeram valer toda a tradição e mística da camisa tetracampeã do mundo, e se aproveitaram da única falha cometida pelos sul-americanos no jogo, quando aos 20 minutos da primeira etapa, o volante Marcelo Díaz se enrolou na saída de bola, perdendo a redonda para o atacante Timo Werner, que precisou apenas rola-la para o meia Lars Stindl marcar o gol do título.

Joachim Low desembarcou em solo alemão com mais um título na bagagem, desta vez, com o inédito troféu da Copa das Confederações.
Joachim Low desembarcou em solo alemão com mais uma taça na bagagem, desta vez, com o inédito troféu da Copa das Confederações 2017.

Muitos podem achar que a Copa das Confederações não vale nada, porém com a conquista do torneio, a Alemanha, pelo menos ao que tudo indica, será a nova líder do ranking da FIFA, posição que a seleção de Joachim Low não ocupa desde o junho de 2015. Com isso, os alemães tomarão a liderança do Brasil, que por sua vez, cairá ao vice-lugar. Argentina, Portugal, Suíça, Polônia e Chile, aparecerão nas posições seguintes, e hoje seriam os cabeças-de-chave na Copa do Mundo ao lado da anfitriã Rússia. Vale ressaltar que essa é somente uma previsão baseada no critério adotado pela FIFA, a atualização oficial do ranking será divulgada pela entidade na próxima quinta-feira. Depois do inédito título da Copa das Confederações, os alemães entraram para o glorioso hall de vencedores do torneio, se juntando ao Brasil, maior campeão com quatro canecos, da França, que obtém dois troféus, além do México, da Argentina e da Dinamarca, todos estes com uma taça cada um. Fazendo uma breve avaliação, podemos afirmar que a Perspektive Team já pode ser chamada pelos alemães de Mannschaft. Fica claro também, que a Alemanha está segura que terá por muitos anos, um time apto a brigar por competições, entrando em qualquer que seja, como franca favorita a vencê-la. Para finalizar, fica novamente provado que através de trabalhos sérios, organizados, inovadores e conduzidos por pessoas competentes, pode-se chegar ao topo, independente de qual for o ramo de atividade. É por essas e outras, que a Alemanha deve ser usada como exemplo por todas as seleções que almejam o sucesso a longo prazo.

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