Haja paciência

O último domingo ficou marcado negativamente na história do Arsenal, isso porque os comandados de Arsène Wenger levaram uma dura goleada por 4 a 0 para o Liverpool no estádio Anfield Road, em partida válida pela 3ª rodada da Premier League (campeonato inglês). Assim, os Gunners (apelido do Arsenal) sofreram sua segunda derrota consecutiva na competição, e por consequência, caíram para a 16ª posição na tabela, obtendo dessa maneira um pífio aproveitamento de 33,3%, ou seja, uma performance digna de equipes rebaixadas. Todo este cenário vivido pelo Arsenal foi suficiente para gerar uma crise no time londrino, tanto é, que o chileno Alexis Sánchez, um dos principais atletas de Wenger, enviou na manhã de ontem uma carta para a diretoria solicitando a sua saída clube, e isso que a temporada mal começou.
O declínio do Arsenal não me causa estranheza alguma, esta queda já era premeditada, afinal, a boa relação de Arsène Wenger e os Gunners definitivamente parece ter chegado ao fim. Na minha opinião, quando a diretoria estendeu o contrato do treinador francês por mais dois anos, ela havia cometido ali um grande erro, pois Wenger ocupa o cargo de técnico do Arsenal desde 1996, portanto são exatos 21 anos comandando o time londrino. E pior, a 5ª posição obtida na Premier League 2016/17, fez com que a equipe ficasse de fora da Champions League, algo que não acontecia há vinte anos. No entanto, como os Gunners encerraram a temporada com o título da FA Cup (Copa da Inglaterra) e iniciaram esta nova jornada conquistando o troféu da Supercopa da Inglaterra, podemos considerar que Arsène Wenger ganhou uma sobrevida no clube. Mas bastaram três rodadas para que a torcida perdesse de vez a paciência com o comandante francês, paciência essa, que o treinador pede constantemente aos adeptos, e como sempre, voltou a pedir após a derrota para o Liverpool. Acontece que a falta de paciência aliada ao desgaste excessivo dessa conturbada união, está causando uma verdadeira ira pelos lados do Emirates Stadium, porém a diretoria insiste em não perceber que o barco está literalmente afundando.

O treinador Arsene Wenger vive dias de extrema turbulência no Arsenal.
O treinador Arsène Wenger vive dias de extrema turbulência no Arsenal. A impressão é de que o técnico francês perdeu o controle sobre o elenco de atletas.

Ao contrário dos anos anteriores, o Arsenal teve uma atuação extremamente tímida nessa janela de transferências, uma prova disso é que apenas o lateral-esquerdo Sean Kolasinac (Schalke 04) e o atacante Alexandre Lacazette foram contratados pelo time para a disputa da temporada. Contudo, os velhos problemas defensivos continuam assolando os Gunners, não à toa a equipe de Arsène Wenger tem a 2ª pior defesa da Premier League com 8 gols sofridos em três jogos, permanecendo somente atrás do West Ham, líder neste quesito (10 gols sofridos). Levando em consideração esta informação, fica nítido que o Arsenal investiu pessimamente na janela de verão europeia, mais um fato que causou uma grande insatisfação na torcida do clube da capital inglesa. Agora, a diretoria dos Gunners tem só dois dias para tentar achar uma solução no mercado. Se a chegada de novas peças é um assunto complicado de se resolver pelos lados no Emirates Stadium, a saída das que lá estão, é um problema a mais para atrapalhar a vida de Arsène Wenger. Para quem não sabe, a novela Alexis Sánchez ao que tudo indica está bem próxima do fim, pois rumores dão conta de que o Manchester City teria feito uma proposta envolvendo uma alta quantia em dinheiro juntamente com o atacante Raheem Sterling para comprar o chileno.

 O jogo diante do Liverpool, pode ter sido o último de Alexis Sánchez defendendo as cores do Arsenal.
O jogo diante do Liverpool, pode ter sido o último de Alexis Sánchez defendendo as cores do Arsenal.

Alexis Sánchez já havia manifestado o desejo de sair do Arsenal desde o fim da temporada passada, lembrando que o meia Mesut Ozil também foi outro atleta que não aceitou a proposta de extensão de seu vínculo com o time londrino, afirmando que gostaria de atuar por um clube no qual pudesse brigar por títulos. Os contratos de ambos são válidos até junho de 2018, dessa forma eles poderão assinar um pré-contrato a custo zero, com qualquer agremiação a partir de janeiro, assim sendo, não vejo o porque a diretoria dos Gunners segurar os jogadores no elenco, por mais que Arsène Wenger tenha a intensão de contar tanto com o atacante chileno quanto com o meia alemão. Outro detalhe que chamou a atenção, foi que Arsene Wenger iniciou o embate frente ao Liverpool com o francês Alexandre Lacazette entre os reservas, dando lugar justamente a Alexis Sánchez, Devido a sua fraca apresentação, o camisa 7 foi substituído aos 17 minutos da segunda etapa, e depois que os Gunners sofreram o quarto gol, a câmera da televisão flagrou o chileno sentado no banco de reservas com um leve sorriso estampado no rosto. Através desta imagem, não nos restam dúvidas de que Sánchez está totalmente desmotivado no Arsenal. A pergunta que faço é a seguinte: será que só Alexis Sánchez e Mesut Ozil não confiam no trabalho de Wenger? Acredito que a resposta seja não!

Alex Oxlade-Chamberlain e Mesut Ozil, podem ser os próximos a deixarem o Arsenal nas próximas horas.
Alex Oxlade-Chamberlain e Mesut Ozil, podem ser os próximos a deixarem o Arsenal nas próximas horas.

Sempre acostumado a voltar do mercado com suas bagagens repletas de reforços, o Arsenal vive dias de extrema tensão, por isso caso o time londrino consiga sair ileso, sem nenhuma perda considerável nessa janela de transferências, este fato será comemorado como uma grande vitória pelos Gunners. Todavia, dificilmente isso ocorrerá, já que além da iminente saída de Alexis Sánchez como citei anteriormente, Arsène Wenger corre um sério risco de perder mais duas peças importantes de seu plantel, trata-se do meia-atacante Alex Oxlade-Chamberlain, que está de malas prontas para o rival Chelsea, em uma negociação que giraria em torno de 40 milhões de libras, e do zagueiro Shkodran Mustafi que vislumbra a possibilidade de defender a Internazionale. Restando menos de 48 horas para o encerramento da janela de verão europeia, o Arsenal corre contra o tempo para repor estes enormes prejuízos, e os nomes de Julian Draxler (PSG) e de Jonny Evans (West Bromwich) surgiram como possíveis substitutos. Apenas no primeiro dia de setembro teremos condições de avaliar como será o futuro dos Gunners, entretanto uma coisa é certa, o castelo de Arsène Wenger está desmoronando, na realidade está em ruínas. Isto posto, é bom a diretoria abrir bem os olhos, acender a luz de alerta, antes que seja tarde demais e o grandioso Arsenal afunde junto com seu técnico em um abismo sem fim.

 

 

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