Foram longos e dolorosos 28 anos, período esse, que os egípcios sofreram com a ausência de sua seleção em Copas do Mundo. No entanto, os dois gols do craque da equipe, Mohamed Salah, selou o retorno do Egito a um Mundial, e consequentemente, levou os mais de 90 mil torcedores presentes no Borg El Arab Stadium, literalmente a loucura.
A grande tradição do Egito no mundo do futebol deve-se ao fato de suas diversas conquistas da Copa Africana de Nações (CAN), afinal, os Faraós colecionam sete taças da competição no currículo, sendo inclusive o maior campeão da CAN até hoje. Em contrapartida, quando analisamos Copas do Mundo este cenário muda completamente, pois o Egito disputou os Mundiais de 1934 e 1990, ou seja, participou somente de duas edições do torneio, após bater na trave em várias Eliminatórias. Desta forma, a Copa do Mundo da Rússia será a terceira dos egípcios ao longo da trajetória.
Com a classificação assegurada, agora a principal meta do treinador argentino Héctor Cúper é fazer com que o Egito melhore seu desempenho no próximo Mundial, já que nos anteriores, os Faraós não conseguiram nem ao menos passar da fase de grupos, tendo o 13º lugar na Copa do Mundo de 1934, realizado na Itália, como sua melhor posição até aqui no torneio.

Mas quem pensa que a classificação do Egito ao Mundial da Rússia foi tranquila, está redondamente enganado, muito pelo contrário, a vaga só foi mesmo confirmada nos acréscimos do duelo dos egípcios contra o Congo. Antes da bola rolar no Borg El Arab Stadium, já era sabido que os donos da casa só precisariam de uma simples vitória para se qualificarem à Copa do Mundo 2018. O caminho ficou mais fácil aos 17 minutos do primeiro tempo, quando o atacante Mohamed Salah abriu o placar a favor dos anfitriões. O Congo, porém, logo mostrou poder de reação, e empatou o embate aos 43 minutos, com Bouka Moutou. Contudo, ao passo que a festa egípcia parecia ter acabado de maneira nada alegre, eis que surge um pênalti para os Faraós nos acréscimos da partida. Mesmo sentindo uma enorme pressão de 28 anos nas costas, o craque do time Mohamed Salah, assumiu a responsabilidade, cobrou a penalidade, e marcou um dos gols mais importantes da história do Egito. Com isso, os comandados de Héctor Cúper terminaram as Eliminatórias africanas na liderança isolada do grupo E com 12 pontos ganhos, contabilizando 4 vitórias e 1 empate em cinco jogos disputados, obtendo assim, 80% de aproveitamento na competição.

O maior nome dos Faraós na atualidade é Mohamed Salah, carinhosamente chamado de “Messi Egípcio” pelos torcedores do Egito. O camisa 10 da seleção vive o melhor momento de sua carreira, não apenas devido a classificação de seu selecionado para a Copa do Mundo, mas sim porque nesta temporada ele foi comprado pelo Liverpool junto a Roma, pelo montante de 42 milhões de euros, ganhando assim uma segunda chance de brilhar na Premier League, lembrando que Salah já havia defendido sem sucesso as cores do Chelsea em 2014. O progresso do craque de 25 anos de idade, teve início após a sua saída do Chelsea, justamente quando Salah transferiu-se para a Itália, aonde atuou pela Fiorentina (2015) e pela Roma (2015/16 e 2016/17). A volta para a Terra da Rainha já tem sido melhor do que o período no Chelsea, digo isso porque em somente 12 jogos com a camisa do Liverpool, Salah já balançou as redes adversárias sete vezes, justificando todo o alto investimento feito pelos Reds para adquiri-lo.

Como não poderia deixar de ser a festa dos egípcios durou até altas horas da madrugada, e através de fotos foi possível observar um mar de pessoas comemorando pelas ruas da cidade do Cairo. Isso mostra quão grande eram as toneladas de peso que carregava o treinador Héctor Cúper, que inclusive, afirmou ter tomado medicações para controlar a pressão arterial, quase sempre elevada. O feito alcançado pelos Faraós no domingo passado, rendeu ao bolso dos jogadores a bagatela de 85 mil dólares, fielmente pagos pelo presidente do país, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, depois do jogo contra o Congo. Todos estes detalhes apenas comprovam o quanto que o povo é apaixonado por futebol, que ao lado da religião (muçulmana), são as duas paixões dos egípcios. Tecnicamente, as Eliminatórias africanas ainda não acabaram, pois ainda resta uma rodada para o seu término do torneio, e o Egito ainda terá pela frente a partida diante da seleção de Gana, fora de seus domínios. Independente de qual seja o resultado deste confronto, é certo que os egípcios estarão em festa, e assim será até o dia 14 de junho de 2018, data do início da Copa do Mundo da Rússia.