Último colocado da tabela da Scottish Premiership, o Hearts, tradicional clube do futebol escocês, está prestes a sofrer o seu segundo rebaixamento na atual década.
Heart of Midlothian Football Club, clube fundado no ano de 1874 (há 146 anos), em Edimburgo, capital da Escócia. O Hearts (tradução de corações), como é popularmente chamado, viveu a sua hegemonia entre os anos de 1954 a 1962, gloriosa época em que a equipe ergueu dois canecos da liga escocesa, um da Copa da Escócia e quatro da Copa da Liga Escocesa. Vale ressaltar, que a última liga nacional conquistada pelos Jambos deu-se na temporada 1959/60, quando eles faturaram a liga e a Copa da Liga, sendo o único time fora da cidade de Glasgow a fazer a “dobradinha” no país até hoje.
Contudo, apesar desta rica história no futebol escocês, o Hearts vive uma triste realidade no momento, tanto é, que o time corre um sério risco de cair à Segunda Divisão. Para que isso aconteça, basta os organizadores da Scottish Premiership declararem o encerramento da temporada 2019/20, que já encontra-se paralisada desde março em decorrência da pandemia do novo coronavírus, lembrando que restam somente três rodadas para o término da competição. Todavia, o rebaixamento não seria algo inédito pelos lados do Tynecastle Park, visto que o Hearts acumula quatro descensos no currículo.

Ocupando o último posto na classificação da Scottish Premiership com 23 pontos ganhos, o Hearts coleciona o total de 4 vitórias, 11 empates e 14 derrotas em 30 jogos disputados, obtendo 25,5% de aproveitamento através desta pífia campanha. Entretanto, como a diferença dos pupilos de Daniel Stendel em relação ao Hamilton Academical, penúltimo colocado na tabela, é de apenas quatro pontos, ainda existem chances do conjunto de Tynecastle escapar da degola – na liga escocesa o penúltimo colocado disputa os playoffs do rebaixamento contra o vice-líder da Segunda Divisão.
Mas embora exista a possibilidade do Hearts manter-se na elite do futebol escocês caso a temporada seja finalizada, é muito difícil imaginá-los alcançando este feito, haja vista a péssima performance da equipe na Scottish Premiership. Para se ter uma ideia, o lanterninha do campeonato é o participante que menos venceu partidas na competição (4 triunfos). Além disso, os Jambos são donos da segunda defesa mais vazada da competição com 52 gols sofridos, ao passo que o ataque é somente o sexto melhor do torneio com míseros 31 tentos marcados em 30 jogos (1,03 gols de média).

De qualquer forma, nem mesmo o torcedor mais pessimista do Hearts seria capaz de imaginar o seu time voltando à Segunda Divisão após cinco temporadas, sobretudo porque os Jambos têm o terceiro plantel mais valioso da Scottish Premiership, permanecendo somente atrás de Celtic e Rangers, ou seja, as duas principais forças do futebol escocês. Deste modo, fica evidente o quão ruim é o trabalho realizado pelo treinador Daniel Stendel, que inclusive, já é comparado a Gary Locke – técnico que esteve à frente do Hearts no último rebaixamento da equipe em 2014.
Depois de desembarcar em solo escocês no final do ano passado para substituir Craig Levein, Daniel Stendel assumiu o Hearts na 10ª posição da Scottish Premiership. Sob a batuda do ex-treinador do Barnsley, os Jambos caíram para a última colocação na tabela do campeonato. Em contrapartida, o comandante alemão conseguiu a façanha de conduzir a equipe de Edimburgo às semifinais da Copa da Escócia, tudo graças ao triunfo por 1 a 0 frente o Rangers no Tynecastle Park, pelas quartas de final do torneio. Ademais, os dois triunfos sobre o eterno rival, Hibernian, também podem entrar na lista de melhores momentos do Hearts na temporada.
Enquanto o futuro da Scottish Premiership segue indefinido, a diretoria do Hearts continua na torcida para que a liga seja encerrada sem que haja rebaixamento. A proposta apresentada pela presidente do clube Ann Budge, é a favor do acesso tanto do Dundee United quanto do Inverness , isto é, primeiro e segundo colocados da Scottish Championship (Segunda Divisão). Assim, a divisão de elite do futebol escocês passaria a ter 14 participantes – e não mais doze – na sua próxima edição. No entanto, essa mudança mexeria com toda a estrutura do campeonato, algo que vai na contramão do que pensam os organizadores. Logo, a queda do Hearts é praticamente inevitável nesta temporada. A ver!