O que futuro reserva ao Olympique de Marseille?

Após encerrar a temporada com o simbólico vice-título da Ligue 1, o Olympique de Marseille garantiu a tão sonhada classificação à Champions League, um feito que o time da Costa Azul francesa não alcançava há exatos sete anos.

Se tem uma equipe no futebol francês que comemorou a decisão dos organizadores da Ligue 1 de declararem o término da competição em decorrência da pandemia do novo coronavírus, esta equipe é o Olympique de Marseille. Isso porque os pupilos de André Villas-Boas acabaram ficando – merecidamente – com o vice-título nacional. Colecionando o total de 56 pontos em 28 jogos (16 vitórias, 8 empates e 4 derrotas), o OM obteve 66,7% de aproveitamento no campeonato. No final das contas, o único oponente capaz de superá-lo nesta temporada foi o tricampeão, PSG.

O Olympique de Marseille, detentor de nove canecos da liga francesa e um da Champions League (1992/93) ao longo da história, tinha como principal objetivo terminar a Ligue 1 entre os quatro primeiros colocados na tabela, o que lhe renderia no mínimo uma vaga à Europa League. No entanto, o excelente trabalho realizado pelo técnico André Villas-Boas superou totalmente as expectativas, sobretudo porque além do OM ser dono apenas do quinto elenco mais caro do futebol francês, o clube atravessa uma enorme seca de títulos – não dá a volta olímpica desde 2012, quando venceu a Copa da Liga.

O último título francês conquistado pelo Olympique Marseille, deu-se na temporada 2009/10, época em que a equipe era comandada por Didier Deschamps (foto).
O último título da Ligue 1 conquistado pelo Olympique de Marseille, deu-se na temporada 2009/10, época em que a equipe era comandada por Didier Deschamps (foto), atual técnico da seleção da França.

Apesar do excelente trabalho à frente do Olympique de Marseille, a permanência do treinador André Villas-Boas ainda é incerta pelos lados do Velòdrome, uma notícia que preocupa demasiadamente os torcedores do conjunto marselhense. A intenção do jovem treinador de 42 anos de idade é ficar na equipe, porém a complicada situação financeira do clube pode inviabilizar a continuidade do comandante português, que embora tenha contrato vigente até 2021 junto ao OM, ameaça deixar o cargo dependendo do planejamento visando a próxima temporada.

Quero saber do planejamento do Olympique, saber quanto dinheiro teremos para investir no plantel e se o clube quer continuar comigo ou não. Se não quiser, não há problema. Só quero transparência. Sinto-me bem no clube e quero jogar a Champions League, mas penso que é normal que um treinador procure ter alguma segurança. Se houver diferenças, tanto eu como o presidente somos honestos o suficiente para dizer as coisas na cara um do outro. Eu estou aberto a continuar mas quero ter um mercado de transferências com qualidade”. disse André Villas-Boas.

Contratado pelo Olympique Marseille no início da atual temporada, o técnico André Villas-Bolas coleciona 19 vitórias, 8 empates e seis derrotas nos 33 jogos em que esteve à frente dos marselhenses.
Contratado pelo Olympique de Marseille no início da temporada, o técnico André Villas-Boas coleciona 19 vitórias, 8 empates e seis derrotas, nos 33 jogos em que esteve à frente da equipe (65,6% de aproveitamento).

Por este motivo, uma reunião envolvendo o presidente Jacques-Henri Eyraud, o diretor esportivo Andoni Zubizarreta e o técnico André Villas-Boas, ocorrerá no início da próxima semana para, em tese, definir se o treinador português continuará – ou não – no Velòdrome. Segundo a mídia francesa, o Olympique de Marseille tem uma dívida que gira na casa dos 100 milhões de euros (R$ 615 milhões). Aliás, esta seria a razão pela qual o atual dono do clube, Frank McCourt, está disposto a vendê-lo, embora o mandatário não afirme isso publicamente.

Além disso, alguns detalhes dão a entender que o bilionário norte-americano não anda nada bem das pernas, como por exemplo, as diversas vendas de imóveis que ele vem realizando tanto na região de Marselha quanto nos Estados Unidos. Ao ser questionado sobre o assunto, Frank McCourt somente disse que a crise do coronavírus está afetando seus negócios. McCourt comprou o clube francês em 2016 por aproximadamente 50 milhões de euros (R$ 307,5 milhões, na atual cotação), e com a classificação do OM à Champions League, especula-se que o seu valor de mercado esteja em torno de 250 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) no momento.

Diante deste cenário, é esperada uma participação bastante tímida do Olympique de Marseille na próxima janela de transferências. Vale ressaltar ainda, que a própria diretoria já deixou claro que precisará vender alguns atletas para estabilizar o caixa do clube. Logo, são enormes as chances dos jovens Bouna Sarr, Boubacar Kamara, Jordan Amavi, Valentin Rongier e Morgan Sanson deixarem a equipe neste meio de ano. É sabido que o mundo passará por drásticas mudanças no período pós pandemia, afinal, os estragos causados pelo coronavírus afetaram – e afetarão ainda mais – a economia global, e obviamente, no futebol não será diferente. Ou seja, outro obstáculo a ser superado pelo OM!

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