Aurinegros clamam pela saída de Favre

O sonho do Borussia Dortmund de erguer o caneco da Bundesliga após longos oito anos, ficou mais distante da realidade após o revés sofrido pelos aurinegros diante do Bayern Munique em pleno estádio Signal Iduna Park.

O Borussia Dortmund entrou em campo encarando o Der Klassiker da última terça-feira (26), válido pela 28ª rodada da Bundesliga, como um jogo de vida ou morte, afinal, bastava um simples triunfo para que o conjunto aurinegro diminuísse a vantagem de quatro pontos dos líderes do campeonato para apenas um, enquanto uma derrota, poderia significar o singelo “adeus” ao tão sonhado título alemão. Todavia, o fato dos pupilos de Lucien Favre atuarem em seus domínios, aliado a boa sequência de resultados do time no torneio, aumentavam as chances de uma possível vitória preta e amarela, ainda que o Signal Iduna Park estivesse vazio, sem a presença de torcedores em virtude do novo coronavírus.

E por incrível que pareça, o Der Klassiker foi pra lá de equilibrado, isso fica evidente através das estatísticas. Para se ter uma ideia, o Borussia Dortmund obteve 51% de posse de bola contra 49% do Bayern, ao passo que no número de finalizações, os anfitriões registraram 13 arremates diante de 11 dos visitantes. Até no quesito passes notamos esta enorme paridade, visto que os aurinegros trocaram 612 passes frente 588 dos bávaros. Mas no final das contas, os atuais heptacampeões da Bundesliga acabaram sendo mais cirúrgicos durante o jogo, e graças ao gol de Joshua Kimmich no finalzinho da primeira etapa, eles retornaram à Baviera com mais uma vitória na bagagem.

Além da derrota no Der Klassiker, o Borussia Dortmund perdeu Erling Haaland lesionado aos 24 minutos do segundo tempo. Exames apontarão a gravidade da contusão no joelho do atacante norueguês.
Além da derrota no clássico, o Borussia Dortmund perdeu Erling Haaland lesionado aos 24 minutos do segundo tempo. Exames apontarão a gravidade da contusão no joelho do atacante norueguês.

Com isso, o Borussia Dortmund estacionou na vice-posição da Bundesliga com 57 pontos ganhos, e viu a vantagem do líder Bayern Munique, subir para sete pontos na tabela, lembrando que restam somente seis rodadas para o término da competição. Vale ressaltar, que a campanha dos aurinegros não é de toda ruim no campeonato, tanto é, que eles assinalam 67,9% de aproveitamento no torneio, colecionando 17 vitórias, 6 empates e cinco derrotas em 28 jogos. No entanto, esta performance está longe de ser a ideal para garantir ao time o tão sonhado título alemão.

Competir com o Bayern não é – e nunca foi – uma tarefa fácil ao Borussia Dortmund, mas o último Der Klassiker da temporada provou que este é o melhor futebol praticado pelos aurinegros sob a batuta de Lucien Favre, haja vista o equilíbrio no clássico. Entretanto, ficou clara a enorme queda de rendimento do Borussia após a saída do lesionado Erling Haaland. Sem o jovem centro-avante de 19 anos de idade em campo, os anfitriões perderam a sua referência no ataque, e consequentemente, o poderio ofensivo do time caiu de forma abrupta.

Nos três clássicos disputados frente o Bayern ao longo da temporada, o Borussia Dortmund colecionou uma vitória e duas derrotas.
Nos três clássicos disputados frente o Bayern ao longo da temporada, o Borussia Dortmund obteve uma vitória (2 a 0, pela Supercopa da Alemanha) e duas derrotas (ambas pela Bundesliga).

A forte pressão na saída de bola do adversário continua sendo a principal arma do Borussia Dortmund, aliás, este foi certamente, um dos maiores legados deixados por Jurgen Klopp no time alemão. Em contrapartida, na defesa encontramos o setor mais vulnerável da equipe, em especial debaixo das balizas, sobretudo porque o goleiro Roman Burki já demonstrou em diversas ocasiões que não está à altura do antecessor Roman Weidenfeller. A propósito, talvez seja esta a razão pela qual os aurinegros tenham apenas a terceira melhor defesa da Bundesliga, ao lado de Borussia Monchengladbach e Wolfsburg – todos com 34 tentos sofridos em 28 jogos.

Contudo, Lucien Favre detectou rapidamente os problemas na defesa aurinegra. Não à toa, a primeira ação tomada pelo técnico suíço logo que assumiu a equipe em 2018, foi aposentar o esquema 4-3-3 – utilizado desde os tempos de Thomas Tuchel, Peter Bosz e Peter Stoger -, para armá-la no 4-2-3-1. Sem obter sucesso, Favre decidiu inovar mais uma vez ao apostar no 3-4-3, com três homens na zaga e dois volantes marcadores no meio-campo. Assim, ele manteve a qualidade do Borussia Dormund de pressionar a saída de bola do oponente, e ao mesmo tempo, fortaleceu o setor defensivo da equipe, que embora esteja longe do ideal, já apresenta-se melhor em comparação a temporada passada.

Ainda assim, os questionamentos referentes ao trabalho de Lucien Favre são inúmeros entre os torcedores aurinegros, principalmente por conta das más substituições realizadas por ele no decorrer das partidas. Por este motivo, não seria nenhuma surpresa vermos o treinador deixando o Signal Iduna Park após o término da temporada, apesar de seu contrato junto ao clube alemão ser válido até 2021. Logo, ao que tudo indica, os demais compromissos do Borussia Dortmund pela Bundesliga, diante de Paderborn (F), Hertha Berlin (C), Dusseldorf (F), Mainz 05 (C), RB Leipzig (F) e Hoffenheim (C), podem ser os últimos de Favre à frente do BVB. Aguardemos!

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