Dinastia ameaçada

Os bons resultados obtidos pela Juventus antes da paralisação da temporada, não foram suficientes para esconder que o futebol praticado pela equipe vinha deixando bastante à desejar. Por este motivo, os bianconeros precisarão melhorar muito no período pós pandemia, para que o sonho de reerguer a orelhuda após 24 anos torne-se, enfim, realidade.

A temporada 2019/20 tem sido bastante atípica aos bianconeros, e não somente por conta da paralisação em virtude da pandemia do novo coronavírus, mas sim, pelo fato da disputa pelo scudetto do Calcio estar totalmente em aberto, lembrando que ainda restam 12 rodadas para o término da Serie A. Para se ter uma ideia, a Juventus, líder da competição com 63 pontos ganhos, está apenas um ponto à frente da Lazio. Logo, esta apertada vantagem demonstra que os adversários da Juve evoluíram de forma considerável desde o ano passado, já que o time de Turim obtém ótimos 80,7% de aproveitamento no torneio.

E para chegar a esta conclusão, realizamos uma pequena análise considerando a performance da Juventus em todas as campanhas do octacampeonato. Assim, notamos que a equipe comandada por Maurizio Sarri só não tem um desempenho superior aos times de Antonio Conte e Massimiliano Allegri, nas temporadas 2013/14 e 2017/18, respectivamente. A propósito, neste longo período de hegemonia dos bianconeros no futebol italiano, eles transcenderam a casa dos 80% de aproveitamento na Serie A – como ocorre na atualidade – somente em duas oportunidades. Confira abaixo o demonstrativo:

  • 2011/12 (Antonio Conte) – 73,6% de aproveitamento – 4 pontos à frente do Milan
  • 2012/13 (Antonio Conte) – 76,3% de aproveitamento – 9 pontos à frente do Napoli
  • 2013/14 (Antonio Conte) – 89,4% de aproveitamento – 17 pontos à frente da Roma
  • 2014/15 (Massimiliano Allegri) – 76,3% de aproveitamento – 17 pontos à frente da Roma
  • 2015/16 (Massimiliano Allegri) – 79,8% de aproveitamento – 9 pontos à frente do Napoli
  • 2016/17 (Massimiliano Allegri) – 79,8% de aproveitamento – 4 pontos à frente da Roma
  • 2017/18 (Massimiliano Allegri) – 83,3% de aproveitamento – 4 pontos à frente do Napoli
  • 2018/19 (Massimiliano Allegri) – 78,9% de aproveitamento – 11 pontos à frente do Napoli
  • *2019/20 (Maurizio Sarri) – 80,7% de aproveitamento – 1 ponto à frente da Lazio

Mas apesar da ótima campanha, não restam dúvidas de que o futebol praticado pelos octacampeões italianos decaiu sob a batuta de Maurizio Sarri, em especial na defesa – sempre considerada o ponto forte da equipe. Uma prova disso, é que a Juventus já foi vazada o montante de 24 vezes em 26 jogos válidos pela atual edição da Serie A, obtendo assim, uma média de 0,92 gols sofridos por partida. Ou seja, a pior performance defensiva da Juve desde o início da dinastia alvinegra em 2012.

A última aparição da Juventus na temporada, deu-se no dia 08 de março, quando os bianconeros bateram a Inter por 2 a 1 em Turim.
A última aparição da Juventus na temporada, deu-se no dia 08 de março, quando os bianconeros bateram a Inter por 2 a 0 em Turim.

Vale ressaltar ainda, que o setor ofensivo da Juventus também retrocedeu. Com 50 gols marcados em 26 jogos (1,92 gols de média), a Juventus é dona apenas do quarto melhor ataque do Calcio, atrás de Atalanta (70), Lazio (60), e até mesmo da Roma (51). Desta maneira, fica evidente que os pupilos de Maurizio Sarri estão conquistando resultados positivos, porém quase sempre por placares apertados. Não à toa, a Juve venceu três das 26 rodadas disputadas na Serie A pela vantagem mínima no marcador, ao passo que outras NOVE vitórias foram seladas por 2 a 1. Além disso, constatamos que os bianconeros somam somente dois triunfos por três ou mais gols de diferença no campeonato, isto é, muito pouco para a equipe que domina há anos o futebol na Itália.

Certamente, esta queda de rendimento da Juventus dentro de campo tem a ver com a chegada de Maurizio Sarri à Turim, isso porque o técnico de 61 anos de idade mudou completamente a maneira da Juve jogar, porém isso já era esperado pela diretoria do clube, uma vez que a principal característica do ex-treinador do Chelsea é a ofensividade, ao contrário do antecessor Massimiliano Allegri, adepto de uma filosofia mais conservadora. Entretanto, vale recordar que Sarri deixou o time inglês sendo bastante questionado por sua falta de repertório tático, sobretudo porque os Blues não deixavam de utilizar o 4-3-3 de forma alguma, independente da situação em que o jogo se apresentava.

Ainda assim, o trabalho de Maurizio Sarri é avaliado de maneira positiva pelos lados do Allianz Stadium, até porque a Juventus continua viva na luta pela tríplice coroa na temporada. Aliás, a Juve voltará à campo no próximo dia 12, contra o Milan, pelo jogo de volta das semifinais da Copa da Itália – o jogo de ida terminou empatado em 1 a 1 no estádio San Siro. Dez dias depois (22), os octacampeões italianos reestrearão na Serie A diante do Bologna, e posteriormente, terão de encarar uma verdadeira maratona de partidas. Contudo, só nos resta saber se daqui adiante o futebol apresentado pelos bianconeros se tornará tão convincente quanto os resultados conquistados por eles. A ver!

2 Comentários

  1. Caio Flávio Responder

    A Juve é meu time na Itália e pra mim o Pocchetino devia ser o técnico. O Sarri até é bom mas não sabe armar a defesa. Outro técnico que eu gosto é o Zidane mas ele não vai largar o Real.

  2. Artur Yamada Responder

    Não adianta colocar a culpa no sarri, a culpa é da diretoria que contratou ele.

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