A vaga no G-4 da Premier League ou adeus! Eis a dificílima missão de José Mourinho para permanecer no comando do Tottenham na próxima temporada, após a vergonhosa eliminação dos Spurs nas oitavas-de-final da Europa League.
A temporada 2020/21, a primeira que José Mourinho iniciou à frente do Tottenham, se apresentava promissora ao conjunto londrino. A começar em função da histórica goleada aplicada pelos Spurs sobre o Manchester United por 6 a 1 em pleno Old Trafford, que inclusive, contribuiu para que eles liderassem a Premier League durante quatro rodadas em meados de dezembro. Ademais, o iminente sucesso de Harry Kane e Heung-min Son, na época os líderes de assistências e gols do campeonato, respectivamente, davam indícios de que os pupilos de Mourinho brigariam pelo título inglês.
No entanto, o sonho de erguer o caneco nacional após longos 60 anos não passou de mera ilusão para os Spurs, visto que o castelo de areia do clube do norte de Londres literalmente desmoronou depois da derrota diante do Liverpool em Anfield (2 a 1). De lá para cá, o Tottenham colecionou 7 derrotas, 5 vitórias e dois empates em 14 jogos válidos pela Premier League, isto é, um desempenho irregular que empurrou a equipe para a oitava posição do campeonato com 45 pontos, seis atrás do quarto colocado Chelsea.

Na rodada passada da Premier League, o Tottenham perdeu o North London Derby por 2 a 1. Os Spurs não eram derrotados pelos Gunners há cinco clássicos, quer dizer, desde dezembro de 2018.
Logo, embora ainda existissem chances do Tottenham alcançar o G-4 da Premier League, não restam dúvidas de que o caminho mais curto para o time inglês conquistar uma vaga na próxima edição da Champions League seria através da Europa League, sobretudo porque os Spurs já haviam vencido o Dínamo Zagreb por 2 a 0 no jogo de ida das oitavas-de-final do torneio, graças aos dois tentos de Harry Kane no Tottenham Stadium.
Pois é, mas ao contrário do que muitos – senão todos – imaginavam, o Tottenham conseguiu a façanha de regressar da capital croata com a eliminação da Europa League na bagagem, em decorrência da vexatória derrota por 3 a 0 para o Dínamo Zagreb, e detalhe, com direito a um hat-trick de Mislav Orsic, lembrando que o atacante marcou dois tentos no tempo regulamentar e outro na prorrogação da partida.

Desde 2014/15, José Mourinho chegou às quartas-de-final de um torneio europeu apenas uma vez – em 2017 à frente do Manchester United pela Europa League.
E como não poderia deixar de ser, a surpreendente queda nas oitavas-de-final da Europa League aumentou ainda mais a pressão sobre o treinador José Mourinho no Tottenham, especialmente porque o Dínamo Zagreb vivencia uma das piores crises institucionais de sua história devido aos escândalos envolvendo o ex-presidente do clube, Zdravko Mamic, e o seu irmão, Zoran Mamic, condenados por cometerem fraude ao se esquivar de impostos e embolsar milhões através de negociações de jogadores.
Para piorar ainda mais a situação, a eliminação no torneio europeu deu-se justamente quatro dias após a derrota dos Spurs no North London Derby (2 a 1), ou seja, em um momento nada favorável. A propósito, o técnico José Mourinho criticou o elenco do Tottenham de forma áspera nas entrevistas concedidas depois das partidas contra Arsenal e Dínamo Zagreb, expondo a falta apetite dos atletas em campo, principalmente dos mais badalados, o que significa que o clima não anda nada bom nos vestiários do clube londrino.
Diante deste cenário, o nome de José Mourinho já vem sendo bastante questionado até pela diretoria, e ainda que o Tottenham fature o título da Copa da Liga em Wembley, o treinador português não permanecerá no cargo caso a vaga no G-4 da Premier League não seja conquistada no final da temporada. Todavia, é importante salientar que o antecessor de Mourinho, Mauricio Pochettino, deixou o clube alegando exatamente a apatia dos jogadores. Portanto, por mais que o Special One tenha culpa no cartório, fica claro que ele não é 100% responsável pelo insucesso dos Spurs.