Em busca do doblete

A histórica goleada do Barcelona sobre a Real Sociedad por 6 a 1 em San Sebastián, demonstra que os catalães vivem o seu melhor momento sob o comando de Ronald Koeman, o que significa que a briga pelo título espanhol segue totalmente em aberta a dez rodadas do final da LaLiga.

Depois de um começo de temporada pra lá de turbulento, enfim o Barcelona desencantou. Pois é, e a boa fase do Barça teve início após a derrota dos catalães frente o Cádiz por 2 a 1 pela 12ª rodada da LaLiga, visto que desde então eles não perderam mais na competição, colecionando 15 vitórias e três empates em 18 jogos, conquistando 48 dos 54 pontos disputados no período. Consequentemente, os pupilos de Ronald Koeman subiram para a vice-colocação do campeonato com 62 pontos, permanecendo apenas a quatro do líder Atlético de Madrid.

Todavia, a boa fase do Barcelona deve-se ao ótimo futebol praticado pelo time, o melhor da Espanha na atualidade. Em contrapartida, o Atlético de Madrid caiu bastante de rendimento, e só lidera a LaLiga devido a gordura acumulada no início da temporada, época em que os blaugranas viviam um momento bastante instável. Além disso, o Real Madrid é outro que segue em ascensão somando oito jogos de invencibilidade no campeonato, porém ainda assim os merengues definitivamente não convencem, o que nos leva a crer que a luta pelo título ficará restrita a Barça e Atleti.

Contudo, o principal responsável pela recuperação do Barcelona responde pelo nome de Ronald Koeman. Embora este blogueiro que vos escreve não seja fã do técnico holandês, é impossível negar que as mudanças táticas realizadas por ele foram preponderantes para que os blaugranas retomassem o caminho rumo ao título espanhol. Aliás, o papel de um treinador é exatamente este, extrair o melhor de cada jogador em prol do time.

A implementação do 3-4-1-2 encaixou perfeitamente ao Barça, em especial por conta da nova função exercida por Frenkie de Jong, que passou a atuar mais recuado em campo, posicionado entre os zagueiros Óscar Mingueza e Clément Lenglet, o que deu maior sustentação a defesa e, de quebra, qualificou a saída de bola dos catalães. Assim, o jogador holandês deixou de brilhar de forma individual como na época que em que ele jogava mais à frente e até marcava gols, para ajudar a equipe a render de maneira coletiva.

A ida de Frenkie de Jong para jogar como uma espécie de líbero, potencializou o futebol do time inteiro do Barcelona, com destaque aos alas Sergiño Dest e Jordi Alba. Não à toa, o camisa 2 tornou-se o primeiro atleta norte-americano a marcar dois gols em uma única partida na LaLiga ao longo da história, enquanto Alba voltou a ser convocado para defender as cores da seleção espanhola. Além deles, Sergio Busquets ganhou espaço no meio-campo, à medida que Antoine Griezmann e Ousmane Dembélé passaram a ser mais incisivos, todos obviamente, orquestrados por Lionel Messi.

Ademais, é preciso salientar o importantíssimo papel de La Masia, tão questionada nos últimos anos, para o progresso do Barça. Para se ter uma ideia, sete dos 28 atletas que compõe o elenco barcelonista vieram das categorias de base, com destaque ao zagueiro Óscar Mingueza, aos meio-campistas Riqui Puig e Ilaix Moriba, além dos pontas Ansu Fati e Pedri… sem contar o defensor uruguaio Ronald Araújo, que não é cria do clube mas também é outro jovem que vem despontando com a camisa blaugrana nesta temporada.

Isto posto, é inegável o fato de que o Barcelona, de Ronald Koeman, engrenou justamente no momento mais decisivo da temporada, e por mais que os catalães não dependam apenas de si para serem campeões espanhóis, a verdade é que nas atuais circunstâncias eles são os favoritos aos títulos da LaLiga e da Copa do Rei. A propósito, a conquista de um possível doblete, aliada a volta do bom futebol e o regresso de Joan Laporta à presidência do clube, são argumentos fortíssimos para acreditarmos na continuidade de Lionel Messi no Camp Nou nas próximas primaveras. A ver!

Deixar um comentário

Menu