A missão de Xabi Alonso ao desembarcar em solo alemão para assumir o comando técnico do Bayer Leverkusen era apenas uma: salvá-lo do rebaixamento a qualquer custo.
Pois é, e passados pouco mais de cinco meses, já é possível afirmar que Xabi Alonso realiza um excelente trabalho à frente do Leverkusen, a começar pela atual oitava colocação do time que ocupava a penúltima posição na tabela da Bundesliga no momento da chegada do treinador espanhol no lugar do antecessor Gerardo Seoane.
Aliás, quando Gerardo Seoane foi demitido do cargo na 8ª rodada da Bundesliga, o Bayer Leverkusen somava míseros cinco pontos no campeonato, e já havia sido eliminado na primeira rodada da Copa da Alemanha pelo modesto SV Elversberg, clube que disputa a terceira divisão.
No entanto, as 13 vitórias, 4 empates e sete derrotas do Leverkusen sob a batuta de Xabi Alonso, foram suficientes para recolocá-lo na briga por uma vaga no G-4 da Bundesliga, e entre os favoritos ao título da Europa League, lembrando que o Werkself tornou-se quadrifinalista do torneio continental após despachar Monaco e Ferencvaros nas fases anteriores.

Bayer Leverkusen e Bayern de Munique são os únicos “sobreviventes” alemães em competições internacionais nesta temporada.
Contudo, o último grande feito dos pupilos de Xabi Alonso foi derrotar ninguém menos do que o Bayern de Munique por 2 a 1, de virada, na BayArena. Por sinal, um péssimo resultado aos bávaros que foram ultrapassados pelo Borussia Dortmund na liderança da Bundesliga.
Embora mais desgastados fisicamente em função do jogo de volta das oitavas-de-final da Europa League, na quinta-feira passada (16) em Budapeste, o Bayer Leverkusen reuniu forças para superar os decacampeões alemães após uma partida pra lá de intensa, na qual o Werkself correu o montante de 121 km, ante 118 km percorridos pelo Gigante da Baviera.
A propósito, a marcação pressão exercida pela linha de frente do Leverkusen, formada por Amine Adli, Florian Wirtz e Moussa Diaby, impediu a construção de jogadas do Bayern de Munique desde a defesa até o ataque, o que acabou desencadeando na falta de criatividade dos visitantes. Além disso, o fato de Xabi Alonso ter posicionado o volante Robert Andrich, entre os zagueiros Odilon Kossounou e Edmond Tapsoba, também surpreendeu os adversários.
“Pensei muito no nosso plano de jogo para encarar o Bayern. Sabemos que o ataque deles é flexível. Portanto, também queríamos defender com flexibilidade, com Rob (Andrich) como um zagueiro mais versátil, e funcionou muito bem. Podemos ficar satisfeitos.”
Xabi Alonso
Vale ressaltar ainda, que a defesa compacta, as rápidas transições, o alto grau de combatividade, além da pressão alta, caracterizam o jogo coletivo deste Bayer Leverkusen, de Xabi Alonso, quer dizer, atributos que só funcionam através do elevado nível físico dos atletas. Ademais, as perigosas ações de bolas paradas de Florian Wirtz, por vezes resultam em gols, pontos e vitórias ao Werkself.
Desde modo, fica evidente porque o B04 é dono da quarta melhor campanha da Bundesliga desde a vinda de Xabi Alonso em outubro do ano passado contabilizando 32 pontos ganhos – permanecendo apenas atrás de Borussia Dortmund (38), Bayern (37) e RB Leipzig (34) -, registra uma média de 1,88 pontos conquistados por jogo neste período, e segue invicto há exatos SETE compromissos, obtendo SEIS triunfos nesta série.
Logo, a sensação de que a temporada do Bayer Leverkusen seria melhor caso Xabi Alonso tivesse assumido o cargo anteriormente, é unânime entre os torcedores que já demonstram preocupação em relação a sua saída neste meio de ano, sobretudo devido a enorme pressão que assola Julian Nagelsmann no clube em que o técnico espanhol pendurou as chuteiras em 20 de maio de 2017.