A parte azul da cidade de Milão está em êxtase, afinal, a Internazionale estará em Istambul no próximo dia 10 para disputar a final da Champions League pela primeira vez desde a conquista do tricampeonato europeu em 2010.
Contudo, é inegável que a euforia por parte dos nerazzurris é maior em comparação as cinco decisões anteriores por um único motivo: para chegar no último estágio da Champions League, a Inter de Milão superou ninguém menos do que o eterno rival Milan nas semifinais, derrotando-o tanto no jogo de ida, por 2 a 0, quanto no jogo de volta, pelo placar mínimo.
Consequentemente, os pupilos de Simone Inzaghi vingaram as dolorosas eliminações da Internazionale diante do rival nas semifinais da edição de 2002/03 do torneio continental, e nas quartas-de-final da temporada 2004/05.
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— Inter (@Inter) May 16, 2023
Aliás, fazendo jus a escola italiana de futebol, a solidez defensiva da Internazionale foi determinante para os dois triunfos sobre o Milan, lembrando que os nerazzurris não foram vazados ao longo dos 180 minutos das semifinais, assim como já havia ocorrido nos confrontos de oitavas-de-final contra o Porto, e no jogo de ida das quartas-de-final frente o Benfica no estádio da Luz.
Ademais, a classificação da Internazionale derruba de uma vez por todas a tese de que o peso da camisa tem relevância no futebol, pois apesar do plantel menos qualificado tecnicamente, muitos apontavam o Milan como favorito à vaga na final em virtude das sete conquistas europeias por parte dos rossoneros, do título italiano na temporada anterior, além do retrospecto favorável em relação aos nerazzurris em mata-matas de Champions League.
De qualquer forma, a realidade é que a Inter de Milão desembarcará em Istambul em condições bastantes parecidas como há treze anos em Madrid, quando os italianos na época comandados por José Mourinho, também tinham a defesa como ponto forte e não eram considerados favoritos ao título ante o Bayern.
A final da Champions League é um sonho que se tornou realidade. Não atingimos alguns objetivos na temporada, mas na Champions mostramos que a Inter está aí e tem jogadores importantes que podem fazer a diferença em campo. Já foi um sonho ter vencido a Copa do Mundo, e agora disputar a final da Champions League.”
Lautaro Martínez, autor do gol da vitória da Inter sobre o Milan
No entanto, o fato de não ser considerada favorita à vitória em Istambul não afetará em nada a equipe que vem se provando desde o início da temporada, vide a fase de grupos da Champions League, onde a Inter superou o poderoso Barcelona para avançar às oitavas-de-final ao lado do Bayern.
Já na Serie A, a sequência de cinco jogos consecutivos sem vitórias dos nerazzurris entre os meses de março e abril, por pouco não resultaram na demissão do treinador Simone Inzaghi. Mas como tem sido frequente nesta passagem do ex-treinador da Lazio por Milão, a Inter logo se recuperou ao emendar uma série de cinco triunfos seguidos na competição, subindo novamente ao G4 e abrindo cinco pontos do quinto colocado da tabela – Milan.
Decerto, apenas o fato de que a Internazionale, de Simone Inzaghi, é uma equipe pra lá de copeira. Não à toa, os atuais bicampeões da Supercopa da Itália são finalistas tanto da Champions League como da Copa da Itália, torneio pelo qual eles enfrentarão a Fiorentina na decisão que também vale o bicampeonato.

A Internazionale faturou o bicampeonato da Supercopa da Itália nesta temporada, após derrotar o Milan por 3 a 0 no King Fahd International Stadium.
Por sinal, talvez sejam essas as razões que motivaram os ultras da Curva Nord da Inter de Milão a estamparem a imagem de um cavaleiro de armadura brilhante segurando um escudo tomado por flechas em seu bandeirão, fazendo alusão as difíceis batalhas vencidas pelo clube para tornar-se o primeiro italiano a disputar uma final de Champions League desde a Juventus em 2017.
Soma-se a isso, a enorme crise financeira gerada pela pandemia depois da conquista do scudetto italiano sob a batuta de Antonio Conte na temporada retrasada, que culminou com a saída do próprio treinador, além das inevitáveis vendas de Achraf Hakimi ao PSG, e de Romelu Lukaku ao Chelsea.
Logo, embora não exista mais a possibilidade da Internazionale conquistar a tríplice coroa como em 2010, são enormes as chances do clube três vezes campeão europeu regressar de Istambul com a quarta taça na bagagem pelos simples fatos de que, por vezes, jogos únicos tendem a favorecer times copeiros e que se defendem bem. A ver!