O vermelho voltou a colorir a cidade de Manchester

Esperança, ilusão e confiança. Foi exatamente com estes sentimentos que os torcedores do Manchester United deixaram o Old Trafford após a vitória por 2 a 0 sobre o Manchester City, em jogo válido pela abertura da 22ª rodada da Premier League.

A propósito, um placar que, inegavelmente, não faz jus ao que aconteceu durante os noventa minutos da reestreia de Michael Carrick à frente do Manchester United, a julgar pelo enorme amasso dos Red Devils, representado por TRÊS gols anulados, por duas bolas na trave, além das cinco defesas realizadas pelo goleiro Gianluigi Donnarumma. Portanto, fica claro e evidente que o City saiu no lucro ao sair de campo derrotado apenas por 2 a 0.

Consequentemente, o triunfo no Derby de Manchester depois da acachapante derrota por 3 a 0 no primeiro turno da Premier League, expôs o quão desastrosa foi a passagem de Ruben Amorim por Old Trafford, sobretudo porque o sucessor Michael Carrick provou que o simples, por vezes, pode ser a melhor opção, a exemplo da escolha pelo 4-2-3-1, da utilização de Bruno Fernandes como meia, e a escalação de Kobbie Mainoo na equipe titular.

Vale ressaltar que um dos principais motivos que resultaram na queda de Ruben Amorim foi a insistência pelo esquema 3-4-2-1, mesmo em meio ao perfil diferente do plantel do Manchester United em comparação com o elenco do Sporting CP. À vista disso, a realidade é que a inflexibilidade do treinador português cavou sua própria cova no Old Trafford, lembrando que ele teve a prova de que a mudança para uma linha de quatro defensores lhe renderia bons frutos na vitória por 2 a 0 sobre o Newcastle — numa das últimas partidas pelo clube —, mas ainda assim não abriu mão das suas convicções.

E o que dizer em relação a Kobbie Mainoo, que só ganhou a oportunidade de começar uma partida como titular na Premier League devido a chegada do técnico Michael Carrick. É fato que o camisa 37 precisa melhorar na fase defensiva, já que sem a bola ele carece de intensidade. Todavia, um déficit que se compensa ofensivamente, mediante a enorme qualidade e técnica do jovem jogador de 20 anos de idade que precisa de rodagem para evoluir. Pois é, e pensar que o Manchester United planejava emprestá-lo nessa janela de janeiro.

De qualquer maneira, foi a atuação de gala de Bruno Fernandes que mais se destacou. Sim, não é necessário ser nenhum gênio para notar que o futebol do capitão do Manchester United rende muito mais quando ele coordena o setor de criação, jogando mais próximo do gol adversário. Não à toa, o meia da seleção portuguesa é o líder isolado da Premier League em assistências. Para se ter uma ideia, já foram nove concedidas depois da última no Derby de Manchester, mesmo incluindo as atuações como volante sob a batuta de Ruben Amorim.

Por sinal, é indiscutível que Bruno Fernandes teria uma relevância maior na história do Manchester United se defendesse as cores do clube em outro momento que não neste período obscuro, em que ele sempre se sobressaiu. Basta imaginá-lo em ação nos tempos áureos de Sir. Alex Ferguson, no qual os Red Devils eram protagonistas tanto na briga pelo título inglês quanto no certame do futebol europeu.

Diante deste cenário, a reestreia de Michael Carrick no comando do Manchester United não poderia ter sido melhor. E olha que ele teve logo de cara a dificílima missão de encarar o Manchester City, o que não é nenhuma surpresa levando em conta que Villarreal, Chelsea e Arsenal foram seus oponentes nos jogos como interino em 2021, entre a saída de Ole Gunnar Solskjaer e a chegada de Ralf Rangnick.

De acordo com a mídia inglesa, Michael Carrick era o verdadeiro estrategista do Manchester United durante o trabalho de Ole Gunnar Solskjaer, uma vez que o técnico norueguês priorizava mais a parte de gestão do vestiário. Por essa razão, o clube decidiu trazer o ex-auxiliar de forma provisória até o desfecho da temporada, uma decisão que pode mudar se, por exemplo, a vaga na Champions League for alcançada, ao mesmo tempo que as boas atuações como a do Derby de Manchester persistirem.

Eliminado de maneira precoce da Copa da Liga e da FA Cup, ao cair no primeiro compromisso em ambas competições, o Manchester United só tem a Premier League para disputar no restante da temporada, o que significa que serão somente 16 jogos pela frente, ou seja, uma média de uma partida por semana. Logo, o calendário será um grande aliado de Michael Carrick na corrida pela classificação à Champions League.

Aliás, é importante destacar que muito provavelmente o G-4 da Premier League se transformará num G-5, dada a boa campanha dos times ingleses nos torneios continentais. Deste modo, considerando que três vagas já estão quase preenchidas por Arsenal, Manchester City e Aston Villa, tudo nos leva a crer que o Manchester United lutará diretamente com Liverpool e Chelsea pelas outras duas que seguem em aberto.

Seja como for, desde a criação do SoccerBlog há exatos dez anos, foram pouquíssimos os artigos positivos escritos sobre o Manchester United, em suma maioria tomado por críticas, questionamentos e outros abordando elevadas expectativas geradas em função do início de novos ciclos, o que demonstra de forma fiel que é necessário tempo para sabermos ao certo se os Red Devils se consolidarão após a vitória no Derby de Manchester ou trata-se apenas de um simples lampejo de bom futebol.

Contudo, o fato de que Michael Carrick conseguiu em um único jogo o que Ruben Amorim jamais foi capaz em 14 meses, ao resgatar a fé pelos lados de Old Trafford, já sinaliza que o vermelho voltou a colorir a cidade de Manchester.

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