O eletrizante empate em 3 a 3 entre Internazionale e Barcelona na Catalunha, já era um presságio do que estava por vir no jogo de volta, fazendo com que ambos protagonizassem as melhores semifinais da história da Champions League.
Aliás, se por um acaso você conhece alguém que não gosta de futebol coloque essa pessoa para assistir este jogo, pois certamente ela se apaixonará, tendo em vista que italianos e espanhóis produziram nessa semifinal o máximo que o esporte mais fascinante do planeta pode proporcionar em todos os aspectos. Por isso, a queda do Barcelona soa como injusta, da mesma maneira que ocorreria se a Internazionale fosse eliminada.
Não à toa, os privilegiados que assistiram essas semifinais notaram que elas não tiveram um único momento de respiro ao longo dos 210 minutos, dos quais o Barcelona ficou em vantagem no placar em apenas 6′, mais especificamente entre os minutos 87′ e 93′ no San Siro, quando o zagueiro Francesco Acerbi apareceu na área para marcar o seu primeiro gol na temporada e, assim, repetir o 3 a 3 que acabou levando o jogo à prorrogação.
Em contrapartida, a Internazionale, que ficou a frente do marcador durante 38 minutos na Catalunha e outros 41′ em Milão, isso sem contar a prorrogação, precisou do inusitado gol de Francesco Acerbi nos acréscimos para empatar o duelo em 6 a 6, no agregado, tendo a oportunidade de vencer no tempo extra pelo placar mínimo. Portanto, reforço a tese de que o justo seria esta semifinal não ter perdedor. Contudo, da mesma forma que na vida, não existe justiça no futebol, e o Barcelona se despediu da Champions League.
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Obviamente, a dor da desclassificação na Champions League a um passo da final em Munique é pra lá de dolorosa aos torcedores barcelonistas, porém ao mesmo tempo é necessário enxergar o copo cheio, afinal dentre as lágrimas derramadas no San Siro, o Barcelona deixou claro a construção de um futuro próspero logo na primeira temporada sob o comando de Hansi Flick, algo impossível de se imaginar desde a pandemia.
Embora campeão espanhol na temporada retrasada, a realidade é que o Barcelona passou a ocupar mais os cadernos de economia do que os de esporte nestes últimos cinco anos, em função dos escândalos envolvendo a pífia gestão do ex-presidente Josep Maria Bartomeu, o que obrigou o atual mandatário, Joan Laporta, a promover diversas alavancas financeiras para resistir a enorme crise que abalou as estruturas do clube catalão.
Inclusive, foi essa a razão pela qual o Barcelona precisou intensificar o foco em LaMasia, já que sem dinheiro para ir ao mercado em busca de reforços restou ao Barça apostar nas próprias crias das categorias de base. Pois é, e o para a sorte dos catalães o raio caiu duas vezes no mesmo lugar, visto que depois de Lionel Messi, agora é a vez de Lamine Yamal brilhar defendendo a camisa blaugrana, vide a magistral partida realizada pelo camisa 19 no San Siro.
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Lamine Yamal em Inter 4-3 Barcelona:
???? 5 finalizações no gol (recorde da carreira!)
???? 14 dribles certos (recorde da carreira!)
???? 23 duelos ganhos (recorde da carreira!)
???? 7 faltas sofridas (recorde da carreira!)
???? Nota Sofascore 8.6 pic.twitter.com/gjiopveL6R
No entanto, o futuro promissor do Barcelona não se reflete única e exclusivamente no craque Lamine Yamal, mas também em Pau Cubarsí, Alejandro Balde, Marc Casadó, Pedri, Gavi, Fermín Lopez, e até mesmo a dupla Dani Olmo e Raphinha, que no auge dos 27 e 28 anos de idade, ainda tem bastante lenha pra queimar nos próximos anos.
Ademais, é importante destacar que uma eliminação como essa diante da Internazionale não somente trará maior experiência ao Barcelona, como também o fortalecerá, vide o exemplo dos próprios italianos que, dois anos após o vice-título frente o Manchester City em Istambul, estão novamente numa decisão de Champions League, todavia, hoje mais maduros e preparados para disputá-la.
Soma-se a isso, o fato de que somente cinco jogadores do Barcelona já haviam disputado uma semifinal de Champions League até então na carreira, enquanto do outro lado, Matteo Darmian, Francesco Acerbi, Alessandro Bastoni, Federico Dimarco, Nicolò Barella, Hakan Çalhanoglu, Henrikh Mkhitaryan e Lautaro Martínez estiveram em ação na final em 2023. Quer dizer, um dado que retrata o tamanho do desafio não superado pelos comandados de Hansi Flick em razão da magistral atuação do goleiro Yann Sommer.
Yann Sommer masterclass ⛔????@QatarAirways | #LetsFly pic.twitter.com/Dk7aKhSl0p
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Vale ressaltar ainda, que é raro uma equipe vencer a Champions League sem trilhar um longo e árduo caminho como, coincidentemente, ocorreu com o Barcelona campeão na temporada 2005-06. A propósito, nem altos investimentos são garantia de sucesso no torneio continental, haja vista o Paris Saint-Germain, que empilhou fracassos com os estrelados Lionel Messi, Neymar, Kylian Mbappé, Sergio Ramos, Marco Verrati e Edinson Cavani em campo.
Por fim, o poder de reação do Barça ao se recuperar de uma desvantagem de dois dos da Internazionale tanto no jogo de ida quanto no jogo de volta das semifinais da Champions League, oriundo da enorme força mental do jovem elenco de Hansi Flick, demonstra claramente que a queda em Milão não será sentida no último e decisivo El Clásico da temporada, que pode definir a conquista do título espanhol já na próxima rodada da LaLiga.
Isto posto, por mais que este Barcelona, semifinalista da Champions League, não termine a temporada faturando o triplete, ele está em vias de confirmar o doblete. Ou seja, nada mal para o início de um ciclo extremamente florescente e impensável até outrora.