Períodos de crises levam qualquer empresa, instituição, organização e até mesmo clubes de futebol para o buraco. Muitas vezes estes problemas são causados por brigas políticas, maus planejamentos e péssimas administrações , ou seja, todas essas adversidades sempre começam na parte diretiva, e se alastram para todos os demais setores da entidade. É exatamente isso que acontece no São Paulo, que sofre a cada temporada por conta das catastróficas gestões, sempre culminando com campanhas adversas e mudanças constantes de treinadores.
A crise são-paulina teve início na horrenda gestão de Juvenal Juvêncio, que após o tricampeonato brasileiro (2006, 2007 e 2008), transformou o São Paulo numa verdadeira zona. Depois da demissão do treinador Muricy Ramalho, diversos treinadores foram contratados por JJ (apelido de Juvenal Juvêncio), passaram pelo clube nomes como Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, Paulo César Carpegiani, Adílson Batista, Émerson Leão, Ney Franco, Paulo Autori e novamente Muricy Ramalho, sem contar as constantes idas e vindas do interino Milton Cruz no comando técnico da equipe.

Em seguida, o ex-presidente Carlos Miguel Aidar assumiu a presidência do Tricolor do Morumbi e mesmo no pouco tempo em que ficou à frente do clube, teve a capacidade de fazer mais treinadores marcarem carreira no São Paulo, foi o caso de Juan Carlos Osório, Doriva e novamente Milton Cruz. Para finalizar com chave de ouro, na administração do atual presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, popularmente conhecido como Leco, já estiveram no time paulista Edgardo Bauza, André Jardine e Ricardo Gomes, esse mesmo que já havia trabalhado no clube (2009 e 2010), e já não havia dado certo. Com um desastroso desempenho, colecionando seis vitórias, cinco empates e sete derrotas, em 18 partidas realizadas (aproveitamento de 42,59%) nessa sua última passagem, Ricardo Gomes foi demitido durante o meio de semana e em seu lugar, interinamente ficará o ex-jogador e atual auxiliar-técnico do São Paulo, Pintado.

Mas uma polêmica decisão chamou a atenção de boa parte da mídia no início da tarde de ontem, pois em comunicado oficial, o São Paulo anunciou a contratação de Rogério Ceni, ex-goleiro do time paulista. A notícia caiu como uma bomba nos arredores do Morumbi, pois Rogério Ceni jamais teve uma experiência como técnico, e logo de cara, assumir um clube do tamanho do São Paulo, é realmente um ato de coragem por parte do agora treinador. Conselheiros dizem que Leco contratou Rogério Ceni, ídolo da torcida tricolor, devido as eleições presidenciais do São Paulo, que ocorrerão em abril de 2017, e com o Mito (apelido de Rogério Ceni) no comando da equipe profissional, o número de votos a favor dele aumentarão, tudo por conta da aceitação de Ceni no clube.
Rogério Mucke Ceni, 43 anos de idade, chegou ao São Paulo em 1990, aonde permaneceu até 2015, portanto foram 25 temporadas defendendo as cores de seu time de coração, somando um total de 1238 jogos e 132 gols, tornando-se assim, o maior goleiro artilheiro do mundo. Vale ressaltar que Rogério Ceni bateu tantos recordes com a camisa do São Paulo, que eu teria que fazer um novo post somente para citá-los. Todos esses números, títulos e toda essa história de amor para com o São Paulo Futebol Clube, fizeram de Rogério Ceni, o maior ídolo da história do clube, superando nomes como Raí, Telê Santana, José Poy, Pedro Rocha, entre outros, por isso, o apelido de Mito, foi dado pela torcida tricolor ao seu eterno goleiro.

Ao aceitar o convite para assumir o comando técnico do São Paulo, Rogério Ceni poderá vivenciar algo que jamais ocorreu em sua longa carreira no Morumbi, ser chamado de burro. A profissão de treinador de futebol é uma das mais ingratas que existem, pois estes profissionais sofrem uma pressão absurda (ainda mais no Brasil) tanto da torcida, quanto de conselheiros e membros diretivos do clube. Posso inclusive citar alguns treinadores que experimentaram isso na pele, como por exemplo Paulo Roberto Falcão, ídolo no Internacional, Emerson Leão, ídolo no Palmeiras e mais recentemente, Roger Machado, ídolo no Grêmio. Mas pelo que observei, Rogério se preparou e muito para esse momento, ele não está caindo de pára-quedas no CCT do São Paulo e assumindo a equipe. Após sua aposentadoria (dezembro de 2015), o Mito passou um ano sabático estudando, preparando-se, fazendo estágio nas categorias de base do Liverpool e com o treinador do Sevilla, Jorge Sampaoli. Além disso, ele visitou diversos clubes, onde pôde conversar e compartilhar ideias com grandes referências como Jurgen Klopp, Jurgen Klinsmann, Claudio Ranieri, entre outros.
No momento, só nos basta aguardar, vi muitas pessoas na mídia, a maioria aliás, questionando Rogério Ceni, dizendo que não é a hora certa dele assumir uma responsabilidade dessa, mas será? Será que um cara que viveu 25 anos dentro do mesmo clube, não saberá gerir um grupo de jogadores? Não entende nada de tática? Não sabe posicionar os atletas em campo? Não sabe definir uma estratégia de jogo? Não aprendeu nenhum conceito tático com tantos treinadores com o qual trabalhou? São perguntas que só o Rogério poderá responder com o tempo, e na minha modesta opinião, inteligência e capacidade ele sempre teve de sobra, sei que devemos separar o goleiro Rogério Ceni, do treinador Rogério Ceni, são duas pessoas distintas, porém prefiro esperar, pois se o Mito tiver fora das quatro linhas, o mesmo sucesso que teve dentro delas, os torcedores do São Paulo já podem sair comemorando e soltando rojões pelas ruas do Brasil afora.