Revolução Holandesa – Parte II

A Revolução Holandesa teve início a partir do ano de 1965, e foi nada mais nada menos que um movimento político criado por jovens idealistas, que na época se rebelaram contra a estrutura do poder, o comunismo, o fascismo, e o dogmatismo religioso. Esse enorme grupo de jovens que saía com cartazes por toda Amsterdam, reivindicando mudanças, foram popularmente chamados de “Provos”, e essa foi a primeira grande manifestação política na Europa pós-Segunda Guerra Mundial. Todos os esforços renderam bons frutos aos holandeses, que por conta desse processo, tiveram como principal êxito o ambientalismo industrial, transformando as bicicletas como o maior meio de transporte do país, preservando assim, o ar, as árvores e a saúde da população na capital da Holanda. Além disso, naquela mesma ocasião, o povo deu total crédito a rebeldia do novato Johan Cruyff, considerado o maior responsável pela modernização do futebol holandês dentro e fora das quatro linhas.

Os "Protos" foram as ruas de Amsterdam reivindicar mudanças, e por vezes, sofriam com a violência da polícia, que na época apoiava o atual sistema.
Os “Provos” foram as ruas de Amsterdam reivindicar mudanças, e por vezes, sofriam com a violência da polícia, que na época apoiava o atual sistema.

Passados 52 anos da Revolução Holandesa, o que vemos nos tempos atuais, é a Laranja Mecânica (apelido da seleção holandesa) caindo em um abismo sem fim. Para se ter ideia, caso as Eliminatórias Europeias da Copa do Mundo de 2018 terminasse hoje, os holandeses estariam de fora do mundial, assim como ficaram de fora da Eurocopa 2016. Situada no grupo A do torneio, a Laranja Mecânica ocupa a pífia 4ª posição, atrás das seleções da França, Suécia e Bulgária. A situação da Holanda é tão triste, que nem treinador a equipe tem atualmente, afinal, no momento é o interino Fred Grim que está comandando o selecionado holandês. Depois da saída de Danny Blind, demitido devido ao péssimo desempenho recente da Holanda nas Eliminatórias da Eurocopa e da Copa do Mundo, a atual 32ª colocada do ranking da FIFA segue sem um técnico para dirigir o time.

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O ex-treinador da Holanda, Danny Blind, não resistiu a sequência de resultados negativos.

Na busca por uma mudança imediata, a KNVB (Federação Holandesa de Futebol) segue firme na luta por um nome para gerenciar o selecionado holandês que segundo a própria entidade, está na UTI. Notícias dão conta de que essa figura já foi escolhida pela federação, trata-se de Louis van Gaal, isso mesmo, o ex-treinador da Laranja Mecânica na Copa do Mundo 2014, se aposentou dos trabalhos como técnico, e por isso, pode aparecer como o novo gestor futebolístico da seleção nacional. Inclusive, o presidente da KNVB, Michael vaan Praag, pediu publicamente para que van Gaal aceitasse ocupar o novo cargo, dando cartas brancas para ele no que diz respeito a administração de todas as categorias da seleção da Holanda, desde a sub-15 até a principal. Acredito que até por estas circunstâncias, a entidade ainda não tenha escolhido um novo técnico para a Laranja Mecânica, pois esta decisão terá sem sombra de dúvidas, o aval de Louis van Gaal.

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Louis van Gaal foi o treinador da Holanda na Copa do Mundo de 2014, e na ocasião, a Laranja Mecânica ficou na terceira posição do torneio mundial. No momento, ele é considerado o homem certo para assumir a gestão de todas as categorias da seleção holandesa.

Por se tratar de uma das maiores seleções do planeta, diariamente diversos nomes são especulados na mídia como possíveis futuros treinadores da Holanda. Abaixo relacionei todos os nomes citados recentemente para quem sabe, assumir o comando técnico holandês:

Frank de Boer: é com certeza a bola da vez, tudo devido ao tricampeonato holandês (2010-11, 2011-12 e 2012/13) conquistado quando ele ainda treinava o Ajax. Vale lembrar também, que Frank de Boer é uma cria de Louis van Gaal, por isso, o nome dele ganha ainda mais força dentre os principais candidatos.

Fabio Capelo: A presença dele no clássico entre Ajax x Feyenoord pela Eredivise (campeonato holandês) há duas semanas atrás, repercutiram bastante na Holanda, afinal, qual o real motivo da ida do italiano até a Amsterdam Arena? Como os últimos trabalhos de Capelo não convenceram, não acredito em sua contratação.

Jorge Sampaoli: foi especulado porém o seu caminho deve ser mesmo a seleção da Argentina, com a qual já tem até reunião agendada.

Ronald Koeman: o ótimo trabalho do treinador no Everton (equipe inglesa) agrada a KNVB, mas a vontade do técnico holandês é permanecer no atual clube.

Dick Advocaat: já passou pela seleção holandesa em uma oportunidade, e por isso, as chances de seu retorno são praticamente nulas.

Guus Hiddink: também já comandou a seleção da Holanda anteriormente, e sua contratação é remota, até porque é considerado ultrapassado por muitos no país.

Marco van Basten: outro que já treinou a seleção holandesa, e como atualmente trabalha na FIFA, dificilmente assumiria o comando da Laranja Mecânica.

Phillip Cocu: a falta de experiência do atual bicampeão holandês (2014/15 e 2015/16) com o PSV, pesam contra ele, que por sua vez, sonha em dar passos mais altos com o clube de Eindhoven, e em decorrência disso, Cocu está descartado.

Frank Rijkaard: se aposentou em 2014, e seus últimos trabalhos tanto no Galatasaray quanto na seleção da Arábia Saudita, deixaram demais a desejar. Devido a estes aspectos, dificilmente ele será o novo técnico do conjunto holandês, embora seja algo que ele queira bastante.

Diante deste cenário, ao que tudo indica, Louis van Gaal deverá assumir a gerência de todas as categorias da seleção holandesa em breve, e o nome de Frank de Boer é o que aparece mais próximo da Laranja Mecânica no momento. Lembrando que o técnico da Holanda nos amistosos contra o Marrocos (31/05) e Costa do Marfim (04/06), além do confronto frente Luxemburgo (09/06) pelas Eliminatórias Europeias, continuará sendo o interino Fred Grim, ao menos que aconteça uma mudança geral no futebol holandês até antes destes compromissos. A verdade é que Louis van Gaal pode ser facilmente comparado aos jovens “Provos”, afinal, além de ser a esperança de todos no país, ele é o único capaz de tirar a Holanda do fundo do poço fazendo uma verdadeira revolução.

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