Todos nós sabemos que o futebol pode ser facilmente comparado a uma montanha russa, ou seja, existem períodos em que os clubes estão lá encima, vivendo dias gloriosos e de pura alegria, porém há também os momentos de extrema turbulência, aonde as coisas costumam dar tudo errado, nada funciona, e consequentemente intensas crises assolam a vida das equipes. No entanto, apesar de tudo isso, pouquíssimas pessoas imaginariam que uma poderosa tempestade afetaria o atual pentacampeão alemão, Bayern Munique, que luta incessantemente afim de retomar o caminho das vitórias neste início de temporada.
Apesar de ter faturado os títulos da Supercopa da Alemanha e o da Bundesliga na temporada passada, o trabalho do treinador Carlo Ancelotti foi bastante questionado tanto pelos torcedores do Bayern Munique como por boa parte da mídia alemã, afinal, as eliminações do Gigante da Baviera nas semifinais da Copa da Alemanha e nas quartas de finais da Champions League, não estavam nos planos dos bávaros, digo isso porque o investimento feito pela diretoria para que o Bayern Munique conquistasse todas as competições, foi realmente grande. Além disso, as inevitáveis comparações com o antecessor, Pep Guardiola, também colaboraram para a falta de paciência dos bávaros para com Ancelotti. No final das contas, acredito que o pentacampeonato alemão deu uma sobrevida ao experiente treinador italiano, que por este motivo, iniciou esta nova jornada sob o comando do time.

Devido a chegada de novos reforços para a disputa da atual temporada, a pressão sobre Carlo Ancelotti aumentou consideravelmente. Mas o tempo fechou mesmo para o técnico italiano, quando o Bayern Munique sofreu uma dura derrota para Hoffenheim (2 x 0), e posteriormente apenas empatou contra o Wolfsburg (2 x 2), em plena Allianz Arena, lembrando que ambos os tropeços foram pela Bundesliga. Com isso, o conjunto bávaro caiu para a 3ª posição na tabela, e viu o rival Borussia Dortmund abrir uma vantagem de três pontos na liderança do campeonato. Por esta razão, os pupilos de Carlo Ancelotti viajaram à Paris na quarta-feira passada para enfrentar o poderoso Paris Saint-Germain pela Champions League, extremamente pressionados, sabendo que somente uma vitória seria capaz de trazer a paz para a equipe. Contudo, o jogo diante do PSG foi um verdadeiro pesadelo para o Gigante da Baviera, tanto é, que o time registrou um dos piores revezes dos últimos anos, perdendo para os franceses por 3 a 0. Como não poderia deixar de ser, este resultado negativo não foi bem digerido pelo presidente do clube, Uli Hoeness, que não pensou duas vezes e demitiu Carlo Ancelotti na tarde do dia seguinte, algo raro no Bayern Munique, que tem a política de manter treinadores por longos períodos na equipe.

Somando 454 dias à frente do Bayern Munique, o treinador Carlo Ancelotti comandou o time da Baviera em 60 oportunidades, obtendo o total de 43 vitórias, 8 empates e 9 derrotas em 60 partidas na direção do time, conquistando os títulos da Supercopa da Alemanha (2017 e 2018), e o da Bundesliga (2016/17). Se pararmos para analisar, apesar do Bayern ocupar apenas o 3º lugar no campeonato alemão, a performance do treinador italiano era razoável, portanto fica claro que não foram somente os resultados negativos que determinaram a demissão de Ancelotti. Segundo foi dito pelo próprio diretor-executivo do clube, Karl-Heinz Rummenigge, havia um grande problema de relacionamento do comandante italiano com as principais estrelas da equipe, me refiro aos badalados Arjen Robben, Franck Ribéry, Thomas Muller, Robert Lewandowski e Jerome Boateng. Inclusive a insatisfação dos atletas para com o treinador ficou ainda mais explícita após a sua saída, pois os jogadores concederam entrevistas dizendo que realizavam treinamentos escondidos, devido a baixa intensidade das atividades dadas por Ancelotti.

Desta maneira a diretoria bávara corre para achar o substituto de Carlos Ancelotti no Bayern Munique, e os nomes que aparecem com maior destaque são os de Thomas Tuchel, ex-Borussia Dortmund, o de Jurgen Klopp, atualmente no Liverpool, e o da jovem revelação Julian Nagelsmann, do Hoffenheim. Enquanto o novo treinador não é contratado, o interino Willy Sagnol, aproveita para passar alguns dias no comando do time. Em seu primeiro compromisso como técnico do clube bávaro, o francês de 40 anos de idade, viu a equipe reassumir a vice-liderança da Bundesliga, após apenas empatar contra o Hertha Berlin por 2 a 2, na capital alemã. Vale ressaltar, que o Willy Sagnol atuou na lateral-direita do Gigante da Baviera de 2000 a 2009, período em que inclusive jogou ao lado de Franck Ribéry. Até por isso, Sagnol mantém uma ótima relação com a diretoria e a torcida do Bayern Munique. Em contrapartida, as chances do francês ser efetivado são praticamente remotas, isso só aconteceria caso o time apresentasse um futebol envolvente, ofensivo, do estilo dos bávaros, em um curto espaço de tempo.

O momento do Bayern Munique é de reconstrução, basta lembrarmos de Philipp Lahm e Xabi Alonso, que se aposentaram na temporada anterior, além dos veteranos Arjen Robben (33 anos) e Franck Ribéry (35 anos), que não demorarão para pendurar as chuteiras, ou seja, as estrelas estão se apagando e a intenção é que novas surjam bem reluzentes pelos lados da Baviera. Infelizmente Carlos Ancelotti foi incapaz de administrar o grupo bávaro, não soube trabalhar nesse processo de reformulação do elenco, e por consequência acabou demitido. A intenção da diretoria foi não repetir o mesmo erro cometido na época de Loius van Gaal (2011), que mesmo depois de realizar um primeiro ano bastante questionável, foi mantido no comando do time, levando-o ao fundo do poço. Creio que o telefone do novato Julian Nagelsmann não parou de tocar desde a última quinta-feira, todavia, eu acho que o técnico de 30 anos de idade não deixará o Hoffenheim na mão, assim como Jurgen Klopp não fará com o Liverpool. Por essas e outras, não seria nenhuma surpresa se Thomas Tuchel fosse anunciado daqui há alguns dias, como o novo treinador do Bayern Munique. Jovem, inovador, bom gestor, intenso e ofensivo, qualidades que cairiam como uma luva no Gigante da Baviera.