Os gênios jamais morrerão

Todos nós seres humanos sabemos que um dia partiremos desse mundo, e essa lógica ninguém pode mudar, é o ciclo natural da vida, exatamente o que aprendemos desde crianças nas aulas de ciências, o ser vivo nascecresce, se reproduz e morre. No entanto, os grandes gênios da humanidade permanecem eternamente vivos na história, basta lembrarmos de figuras como Albert Einstein, Galileu Galilei, Leonardo Da Vinci, Isaac Newton, Thomas Edison, René Descartes, Ludwig van Beethoven, entre outros. Curiosamente, no futebol esse fenômeno também acontece, ou seja, os mestres da bola são imortalizados para sempre no túnel do tempo, como é o caso de Alfredo di Stéfano, Ferenc Puskas, Eusébio, Rinus Mitchels, George Best, Johan Cruijff, e será assim com Pelé, Bobby Charlton, Diego Maradona, Michel Platini, Zico, Gianluigi Buffon, etc. Contudo, para a nossa grata surpresa, há nove anos atrás, o espanhol Josep Guardiola aceitou o desafio de assumir o comando técnico do Barcelona, clube pelo qual atuou durante a maior parte de sua carreira como jogador profissional. Foi a partir daquele instante, que ele, através de sua enorme inteligência e conhecimento, quebrou todos os paradigmas possíveis, bateu recordes jamais antes batidos, venceu uma série de títulos, e consequentemente, veio a se tornar o melhor treinador do planeta, entrando de uma vez por todas, no glorioso hall dos ídolos imortais.

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No dia 08 de maio de 2008, Pep Guardiola foi anunciado oficialmente como técnico do Barcelona, substituindo o holandês Frank Rijkaard. Foi a partir de então, que o jovem treinador começou a lapidar o diamante que Johan Cruyff havia ali deixado, e assim, revolucionou taticamente o futebol.

Depois de modernizar o futebol, inovando o estilo de jogo, melhorando tecnicamente cada jogador de seu plantel e provando que a organização tática é realmente fundamental em agremiações que visam o sucesso, Pep Guardiola levou tanto o Barcelona quanto o Bayern Munique ao caminho dos títulos, e essa vitoriosa trajetória segue firme também no Manchester City, atual clube do treinador espanhol. O fato das equipes de Guardiola registrarem uma média próxima a 80% de posse de bola por partida, faz com que boa parte da mídia acredite que sua proposta de jogo é exclusivamente ofensiva, porém quando analisamos a fundo a carreira do técnico, percebemos que o setor defensivo é o ponto forte dos conjuntos comandados por Guardiola. Levando em consideração as oito temporadas de trabalho dele até aqui, sem contar essa atual que ainda se aproxima da metade, fica claro que em sete delas os times de Pep Guardiola foram os que menos sofreram goleadas. Vale ressaltar ainda, que as equipes dirigidas pelo espanhol iniciam a marcação lá na frente com os homens de ataque, no intuito de roubar a bola já no campo do adversário, e até por isso, na maioria das vezes a defesa tem seu trabalho facilitado.

No Manchester City os pontas Leroy Sané e Raheem Sterling, marcam incessantemente a saída de bola dos adversários.
No Manchester City os pontas Leroy Sané e Raheem Sterling, marcam incessantemente a saída de bola dos adversários.

Ao longo da história já nos deparamos com alguns esquadrões marcando intensamente a saída de bola no campo do adversário, como por exemplo a incrível Laranja Mecânica de Rinus Mitchels e posteriormente o lendário Milan de Arrigo Sacchi. Para que essa proposta de jogo seja bem executada, o time precisa ser bastante treinado, compacto e organizado taticamente, ou então, este estilo pode afundá-lo. Acredito que a surpreendente campanha do Manchester City, líder isolado da Premier League, que mantém uma série de doze triunfos consecutivos na competição, é exatamente devido a esta filosofia. Entretanto alguns aspectos são de extrema importância para a funcionalidade deste jogo, a primeira delas é ter volantes que sabem jogar, diferentemente dos volantes à moda antiga, que eram somente destruidores de jogadas. Quando olhamos o Barcelona de Pep Guardiola, recordamos que o Barça daquela época contava com Sergio Busquets e Xavi compondo a dupla de volantes. O mesmo ocorreu no Bayern tricampeão alemão comandado por Guardiola, que tinha os técnicos Xabi Alonso e Bastian Schweinsteiger formando a dupla de volantes. Atualmente, Fernandinho e Ilkay Gundogan cumprem com excelência essa função no Manchester City. Além disso, os pontas são peças fundamentais no esquema de Pep Guardiola, pois como citei anteriormente são eles os responsáveis por iniciar a marcação da equipe oponente.

A gestão de grupo é outra das principais virtudes de Pep Guardiola.
A gestão de grupo é outra das principais virtudes de Pep Guardiola.

Por último, não poderíamos deixar de mencionar a eficiência dos laterais dos times de Pep Guardiola. Aliás, não me restam dúvidas de que esse foi a maior das inovações do treinador espanhol, afinal, todos os grandes clubes do futebol mundial tem nas laterais excelentes atletas, como por exemplo o Real Madrid, com Dani Carvajal e Marcelo, o Monaco da temporada passada com Djibril Sidibé e Benjamin Mendy, e até mesmo o Corinthians, com Fágner e Guilherme Arana, ao contrário do Barcelona que sofre desde a saída de Daniel Alves há dois anos atrás. Creio que o insucesso de Pep Guardiola em sua primeira temporada à frente do Manchester City aconteceu justamente pelo fato dos Citizens não terem bons laterais, pois para quem não se lembra, o lado direito era ocupado pelo possante Pablo Zabaleta, enquanto o esquerdo, era preenchido pelo pujante Gael Clichy. Não à toa, a diretoria do City investiu a bagatela de 50 milhões de libras (R$ 207,5 milhões) para contratar o lateral-direito Kyle Walker do Tottenham, e o montante de 52 milhões de libras (R$ 212 milhões) para trazer o lateral-esquerdo Benjamin Mendy do Monaco, resolvendo de uma vez este contratempo. Com isso, os Citizens lideram isoladamente a Premier League, mantendo uma larga vantagem de oito pontos sobre o arquirrival Manchester United (2º colocado).

Bons laterais, volantes técnicos, um goleiro bom com as mãos e com os pés, a não utilização de atacantes fixos na área do adversário. Estas são algumas características do esquadrão montado por Pep Guardiola no Manchester City.
Bons laterais, volantes técnicos, um goleiro bom com as mãos e com os pés, pontas que auxiliam o time no apoio e na marcação, a não utilização de atacantes fixos na área do adversário. Estas são algumas características das equipes de Pep Guardiola, utilizadas recentemente no Manchester City.

Desta maneira já é possível afirmar que só uma enorme catástrofe poderá tirar a taça de campeão nacional das mãos do Manchester City, e vou mais longe, os ingleses são também um dos principais candidatos à vencer a Champions League, porque gênios são seres capazes de alcançar feitos que para meros mortais, são inalcançáveis. Estas são apenas algumas das centenas de estratégias de jogo utilizadas pelo catalão. Para saber um pouco mais sobre o estilo de Pep Guardiola, não deixe de ler os dois exemplares sobre ele, ambos escritos pelo jornalista esportivo espanhol Martí Perarnau. O primeiro que foi publicado em 2014, tem como título “Guardiola Confidencial”, e retrata o período que o treinador montou o poderoso Barcelona de Lionel Messi, Andrés Iniesta, David Villa, Xavi, Daniel Alves, Sergio Busquets e companhia. Já o segundo, publicado em outubro de 2016, se chama “Pep Guardiola – A Evolução”, e detalha todos os desafios que o técnico enfrentou na época em que comandou o Bayern Munique. Tenho certeza absoluta que você irá se desfrutar dos dois livros, terminará a leitura com um profundo conhecimento sobre tudo que envolve o futebol dentro e fora das quatro linhas, e logicamente conhecerá um pouco mais desse fenômeno chamado Pep Guardiola. Não deixe de conferir!

 

 

 

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