Grêmio, campeão da Copa Libertadores 2017

Após vinte e dois longos anos, o torcedor gremista enfim pôde soltar o grito de tricampeão, afinal, o Grêmio literalmente trucidou o Lanús na segunda e decisiva partida da Copa Libertadores 2017. Méritos totais da comissão técnica, de todos os jogadores e principalmente do contestado Renato Portaluppi, popularmente chamado de Renato Gaúcho, maior ídolo da história do Imortal, que conseguiu a façanha de vencer o torneio continental tanto dentro quanto fora de campo.
Antes mesmo do apito inicial da finalíssima entre Lanús e Grêmio na noite de ontem, muitos acreditavam que os argentinos eram franco favoritos à vitória, tudo porque o time de Jorge Almirón realizou um ótimo primeiro tempo no jogo de ida, realizado na quarta-feira passada na Arena Grêmio. No entanto, a equipe gaúcha dominou o segundo tempo naquela ocasião, e com um gol do meio-campista Cícero, venceu os primeiros noventa minutos dessa verdadeira batalha. Mas pelo fato do Granate disputar o jogo de volta em casa, os torcedores do Lanús juntamente com a mídia argentina estavam confiando totalmente no triunfo de Lautaro Acosta, Román Martínez, José Sand e companhia limitada.
Além de enfrentar um forte adversário, o Grêmio teve que encarar também a atmosfera do estádio El Fortaleza, que estava completamente lotado por fanáticos torcedores ansiosos em ver o Lanús campeão. Entretanto, o que todos puderam presenciar foi o conjunto gremista atropelando a equipe argentina, tanto é, que os comandados de Renato Gaúcho mataram o jogo logo no primeiro tempo, através dos gols de Fernandinho aos 27 minutos, e do craque Luan aos 41 minutos. Com isso, o Grêmio somente controlou o restante da partida na etapa final, e nem mesmo o gol do veterano José Sand aos 27 minutos foi capaz de assustar os gaúchos. Desta maneira, depois do árbitro paraguaio encerrar a decisão, o Imortal consagrou-se tricampeão da Copa Libertadores, competição que já havia vencido nos anos de 1983 e de 1995. Consequentemente, o time de Renato Gaúcho levou os cinco mil gremistas presentes no estádio La Fortaleza, e toda a comunidade tricolor espalhada pelo mundo, completamente à loucura.

A América do Sul amanheceu azul, branca preta nesta quinta-feira.
A América do Sul amanheceu azul, branca e preta nesta quinta-feira.

O tricampeonato do Grêmio, clube mais copeiro do Brasil, foi incontestável, pois o time realizou a melhor campanha dentre todos os participantes da Copa Libertadores, perdendo somente dois jogos durante a competição, e além disso, não sofreu nenhum revés em todas as partidas disputadas fora de seus domínios na fase mata-mata. Contudo, o Grêmio precisou superar diversas adversidades, como por exemplo contusões de algumas de suas principais peças, suspensões, viagens longas e desgastantes, ou seja, barreiras normais que um legítimo campeão precisa derrubar. Mas o que chamou mais a atenção, foram os questionamentos em relação ao treinador Renato Gaúcho e o elenco gremista, composto por atletas renegados em outras agremiações, como é o caso de Edílson, Léo Moura, Maicon, Cícero, Marcelo Oliveira, Fernandinho, Bruno Cortês, Cristian, Jael e Lucas Barrios. Para quem não se lembra, grande parte da mídia jamais creditou todo o progresso da equipe a Renato, e era comum vermos alguns jornalistas exaltando o ex-técnico do clube porto-alegrense, Roger Machado, apontando-o como responsável pelo sucesso do Grêmio, mesmo após dois anos de sua saída do Tricolor, algo que definitivamente não entrava em minha cabeça. Me recordo também que Renato foi criticado por escalar os reservas em várias partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro, poupando os titulares para priorizar a Copa Libertadores. Talvez agora, alguns jornalistas elogiarão a conquista de Renato.

Renato ficará eternizado para sempre na memória dos gremistas.
Renato está eternizado para sempre na memória dos gremistas.

Outro detalhe curioso é que frequentemente vemos os grandes craques das equipes utilizando a camisa 10, como ocorreu por exemplo com Pelé no Santos e na seleção brasileira, Diego Maradona no Boca Juniors e no selecionado argentino, Zico no Flamengo e na seleção, e acontece hoje com Neymar no PSG, Lionel Messi no Barcelona, e daí por diante. Mas no Grêmio a história é diferente, pois a camisa mística, vestida pelos craques do time, é a número 7. Basta lembrarmos das principais conquistas do tricampeão sul-americano ao longo de sua trajetória, Na primeira delas, a Copa Libertadores de 1983, o dono da camisa 7 era justamente o atual treinador do Tricolor, Renato Gaúcho. Já na segunda, a Copa Libertadores de 1995, Paulo Nunes só não fez chover com o manto azul branco e preto, formando inclusive uma dupla imbatível com Jardel. Para finalizar, na noite de ontem, o jovem Luan, marcou o segundo gol do Imortal na decisão usando a mítica camisa 7. Cada um deles brilhou em suas respectivas épocas, porém para mim, Renato foi o melhor dentre os três, seguido de Paulo Nunes e Luan, na devida ordem. Em contrapartida, o rio-pretense Luan, de 24 anos, terá no mínimo dez anos de carreira pela frente e por este motivo, ainda tem totais condições de superar os já aposentados Renato e Paulo Nunes.

Assim ficou a avenida Goethe na madrugada desta quinta-feira.
Torcedores gremistas invadiram a avenida Goethe, e lá comemoraram até altas horas da madrugada desta quinta-feira.

Com a confirmação do tricampeonato da Copa Libertadores o Grêmio se junta ao São Paulo e ao Santos, como o maior vencedor do torneio entre os times brasileiros, seguido de perto pelo seu grande arquirrival Internacional, e também pelo Cruzeiro, ambos com duas taças na bagagem, e de longe pelo Flamengo, Vasco da Gama, Palmeiras, Corinthians e Atlético Mineiro, todos com uma conquista cada um. Todavia, os clubes tupiniquins permanecem atrás dos líderes de títulos Independiente com sete troféus, do Boca Juniors com seis, do Peñarol com cinco e do Estudiantes com quatro canecos do torneio continental. O próximo compromisso do Imortal será já no próximo domingo diante do Atlético Mineiro, fora de casa, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, porém este jogo não vale nada ao clube gaúcho que por esta razão, entrará em campo com um time misto. O grande desafio dos pupilos de Renato Gaúcho ainda nessa temporada, é o Mundial de Clubes da FIFA, que terá Abu Dhabi como sede este ano. O Grêmio estreia na segunda fase da competição, no dia 12/12, contra o vencedor do confronto entre Pachuca (México) e Wydad Casablanca (Marrocos), para assim quem sabe, chegar a tão sonhada final frente o Real Madrid no dia 16/12. Com toda a sinceridade, para um time tão acostumado a superar adversidades como o Grêmio, não será nenhuma surpresa vê-lo conquistando o mundo, e fechando o 2017 com chave de ouro.

 

 

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