O peso da tradição

Tradição,segundo o dicionário significa transmissão de doutrinas, de lendas, de costumes, durante longo espaço de tempo, especialmente pela palavra; a tradição é o laço do passado com o presente.
No futebol a tradição tem um peso tão grande que muitas vezes ela ganha um jogo ou até mesmo decide um campeonato. Uma prova disso, foi a classificação do Nacional de Montevidéu na noite de quarta-feira, que graças ao gol de Matías Zunino nos acréscimos da conturbada partida frente o Banfield, garantiu sua vaga na fase de grupos da Copa Libertadores da América.

A obsessão pela Libertadores:

A Copa Libertadores da América é a galinha dos ovos de ouro dos grandes clubes da América do Sul, afinal, conquistar o continente é um sonho almejado por todos porém alcançado por poucos. No Nacional essa história não é diferente, tudo porque o Decano já ergueu a taça da Copa Libertadores três vezes até hoje (1971, 1980 e 1988), portanto, a tradição dos tricolores é realmente enorme no cenário sul-americano.
Sabendo disso, a diretoria do Nacional contratou o treinador Alexander Medina, que chegou com o objetivo de levar a equipe à fase de grupos da Copa Libertadores. Mas para isso, os Bolsos precisariam superar a Chapecoense e o Banfield, respectivamente, na fase pré-eliminatória do torneio. Desta maneira, fica evidente que o Nacional teria a difícil missão de encarar duas poderosas escolas do futebol mundial, a brasileira e a argentina.

Nacional na Copa Libertadores 2018.
O Nacional estreou na Copa Libertadores com um elenco repleto de jogadores cascudos e experientes, como são os casos de Esteban Conde, Diego Polenta, Jorge Fucile, Diego Arismendi e Álvaro González.

Missão I – Chapecoense:

Como citei anteriormente, o Nacional teria a indigesta missão de encarar a Chapecoense na primeira batalha da fase pré-eliminatória da Copa Libertadores. No jogo de ida, os pupilos de Alexander Medina arrancaram uma excelente vitória em plena Arena Condá pelo placar mínimo, com um gol de Santiago Romero aos 30 minutos da segunda etapa, e por esta razão, voltaram à Montevidéu com um sorriso de ponta a ponta no rosto.
Com a vantagem de jogar pelo empate no jogo de volta, o Nacional entrou extremamente tranquilo no gramado do estádio Gran Parque Central, e essa tranquilidade aumentou ainda mais quando novamente o volante Santiago Romero abriu o placar logo aos 6 minutos de partida. Assim, os uruguaios cozinharam o jogo até o apito final, e avançaram de fase na competição, deixando a Chapecoense a ver navios.

O volante Santiago Romero foi o destaque do Nacional nos dois duelos frente a Chapecoense.
O volante Santiago Romero foi o destaque do Nacional nos dois duelos frente a Chapecoense.

Missão II – Banfield:

Os Bolsilludos não tiveram nem tempo para comemorar o triunfo sobre a Chapecoense, pois logo de cara já tiveram de encarar confronto diante do Banfield, que havia eliminado o Independiente del Valle na fase anterior.
Mais uma vez o Nacional disputou os primeiros noventa minutos desta verdadeira decisão fora de casa, no estádio Florencio Sola. Depois de um duelo pra lá de acirrado, aonde os visitantes chegaram a ficar na frente do placar em duas oportunidades, através dos gols de Sebástian Fernández e Alfonso Espino, os uruguaios sofreram o golpe de misericórdia aos 48 minutos da etapa final, por conta do tento de Darío Cvitanich. Com isso, a primeira parte da batalha terminou empatada por 2 a 2.
Em Montevidéu, o Nacional precisava somente de um mísero empates sem gols ou até mesmo um simples 1 a 1, para enfim garantir a tão sonhada vaga na fase de grupos da Copa Libertadores. Após uma partida equilibradíssima e repleta de polêmicas, a classificação do Decano veio da maneira mais dramática, aos 50 minutos do segundo tempo, com o gol do meia-atacante Matías Zunino, que consequentemente levou os tricolores à loucura no estádio Gran Parque Central.

Na base da raça e do sofrimento, o Nacional garantiu sua vaga na fase de grupo da Copa Libertadores 2018.
Na base da raça e do sofrimento, o Nacional garantiu sua vaga na fase de grupo da Copa Libertadores 2018.

Fase de Grupos:

As vitórias diante da Chapecoense e do Banfield certamente geraram uma dose extra de confiança ao elenco do Nacional, e essa motivação aliada a tradição da equipe na Copa Libertadores, pode sim, levar os uruguaios mais longe no torneio.
O Nacional estará situado no grupo 6 da Copa Libertadores, ao lado do Santos, do Estudiantes e do Real Garcilaso, logo, o Decano terá de enfrentar novamente um time brasileiro e outro argentino na competição, lembrando que apenas dois concorrentes avançam de fase por grupo. Vale ressaltar que a classificação na Copa Libertadores já rendeu o montante de 800 mil dólares aos cofres dos Bolsilludos, que além disso, irão faturar 600 mil dólares por cada partida disputada em seus domínios.
A qualificação do Nacional não foi uma mera coincidência, afinal, a diretoria acertou em cheio na chegada dos jogadores Gino Peruzzi, Rodrigo Emarruspe, Luis Aguiar, Santiago Romero e Gonzalo Bergessio, que se juntaram a sólida base da equipe que já era formada por Esteban Conde, Diego Polenta, Jorge Fucile, Álvaro González, Diego Arismendi e Sebastián Fernández.
O atual líder do Campeonato Uruguaio com 9 pontos ganhos (3 vitórias em 3 partidas), estreará na fase de grupos da Copa Libertadores na semana que vem, dia 28, contra o Estudiantes em Montevidéu, mantendo vivo o sonho do tetracampeonato do torneio continental.

 

 

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