Valencia Club de Fútbol, um dos clubes mais tradicionais da Espanha, fundado no ano de 1919 (97 anos de existência), seis vezes campeão espanhol, sete da Copa do Rey e uma vez da Copa da UEFA, vive atualmente um dos momentos mais delicados de sua longa e linda história.
A cada início de temporada, as projeções feitas em relação a campanha do Valencia sempre são boas, tudo por conta da grande tradição desse clube da comunidade valenciana, considerado pela RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) a terceira maior força do futebol espanhol, atrás apenas do Real Madrid e do Barcelona. Por conta disso, a mídia sempre aponta o Los Che (apelido do Valencia) como um dos favoritos a estar na zona de classificação da Champions League, ou seja, entre os quatro primeiros colocados da liga espanhola, porém na temporada passada, o que se viu, foi o Valencia se salvar do rebaixamento nas rodadas finais da competição, fator que gerou uma enorme preocupação por parte de seus adeptos.

Com a entrada de mais uma temporada, os torcedores valencianistas se encheram de esperanças, mesmo com as vendas de Paco Alcácer, André Gomes e Shkodran Mustafi, tudo por conta da contratação do meia-atacante Luís Nani, um dos principais jogadores da seleção portuguesa, que estava no Fenerbahce. Junto dele, chegaram também o zagueiro argentino Ezequiel Garay (estava no Zenit) e o volante Mario Suárez (emprestado pelo Watford). Mesmo incorporando estes reforços ao plantel, o que se vê no Valencia, é um time extremamente ansioso, nada confiante e desorganizado, que comete diversas falhas durante as partidas. Os números de sua campanha falam por si só, na Liga BBVA (campeonato espanhol) por exemplo, a equipe luta novamente na parte de baixo da tabela, onde ocupa a pífia 17ª colocação, somando 12 pontos ganhos, com 3 vitórias, 3 empates e 9 derrotas em 15 jogos disputados. Vale lembrar que essa posição na classificação da liga, mantém o Valencia somente uma acima da zona de rebaixamento, à frente dos modestos Sporting Gijón, Granada e Osasuna.
Para piorar ainda mais a situação do Valencia, o treinador Cesare Prandelli pediu demissão, depois de apenas 3 meses no comando técnico da equipe, aonde trabalhou em dez jogos, colecionando 3 vitórias, 3 empates e 4 derrotas (30% de aproveitamento).

O italiano chegou ao Los Che em meados de setembro, e entregou o cargo no dia 30 de dezembro, sendo portanto, o décimo treinador do Valencia desde a saída de Unai Emery (2012), o último comandante de sucesso no clube. Desde que o chinês Peter Lim comprou o Valencia, tornando-se dono da equipe em 2014, o time vive numa constante decadência, e é nítido que a administração da atual diretoria, é péssima, para não dizer algo pior.
Cesare Prandelli ganhou destaque na mídia esportiva, durante o período em que trabalhou na Fiorentina, aonde permaneceu por 5 temporadas (2005 a 2010), e só saiu porque recebeu o convite para treinar a seleção italiana de futebol. Na Azzurra, Prandelli foi vice-campeão da Eurocopa de 2012, e esse feito definitivamente resgatou o prestígio da seleção da Itália. Já na Copa do Mundo do Brasil em 2014, os italianos foram muito mal, sendo eliminados ainda na fase de grupos do torneio, e por isso o treinador decidiu abandonar o cargo. Posteriormente, Cesare Prandelli trabalhou somente no Fenerbahce, mas também num curtíssimo espaço de tempo, 16 jogos para ser mais exato, contabilizando 6 vitórias, 3 empates e 7 derrotas, obtendo o total de 37,5% de aproveitamento.

Com a confirmação da saída de Cesare Prandelli, o assistente Salvador “Voro” Gonzalez ganhou novamente a oportunidade de assumir o comando técnico do time valenciano, digo novamente, pois antes, o ex-jogador do Valencia, de 53 anos, já havia trabalhado como treinador interino, sendo sempre utilizado como um quebra-galho nos períodos em que o clube estava sem técnico. Desta vez, segundo o diretor de futebol Jesus Garcia Pitarch, chegou a hora de Voro Gonzalez provar toda sua competência como treinador do time principal.
Ficou claro que o ano de 2016 foi um verdadeiro pesadelo para o Valencia e toda sua torcida, que com certeza não irão querer lembrar de absolutamente nada que nele aconteceu. A esperança é que a chegada de 2017 leve a paz novamente aos arredores do estádio Mestalla, mudando totalmente o clima vivido pelo clube, e essa mudança pode começar já a partir de hoje, com uma boa vitória do Los Che sobre o Celta, em partida válida pelas oitavas de finais da Copa do Rey. Aguardemos ansiosamente as cenas dos próximos capítulos!