Ano da virada

Valencia Club de Fútbol, um dos clubes mais tradicionais da Espanha, fundado no ano de 1919 (97 anos de existência), seis vezes campeão espanhol, sete da Copa do Rey e uma vez da Copa da UEFA, vive atualmente um dos momentos mais delicados de sua longa e linda história.
A cada início de temporada, as projeções feitas em relação a campanha do Valencia sempre são boas, tudo por conta da grande tradição desse clube da comunidade valenciana, considerado pela RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) a terceira maior força do futebol espanhol, atrás apenas do Real Madrid e do Barcelona. Por conta disso, a mídia sempre aponta o Los Che (apelido do Valencia) como um dos favoritos a estar na zona de classificação da Champions League, ou seja, entre os quatro primeiros colocados da liga espanhola, porém na temporada passada, o que se viu, foi o Valencia se salvar do rebaixamento nas rodadas finais da competição, fator que gerou uma enorme preocupação por parte de seus adeptos.

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Os torcedores do Valencia sofreram e muito no ano de 2016.

Com a entrada de mais uma temporada, os torcedores valencianistas se encheram de esperanças, mesmo com as vendas de Paco Alcácer, André Gomes e Shkodran Mustafi, tudo por conta da contratação do meia-atacante Luís Nani, um dos principais jogadores da seleção portuguesa, que estava no Fenerbahce. Junto dele, chegaram também o zagueiro argentino Ezequiel Garay (estava no Zenit) e o volante Mario Suárez (emprestado pelo Watford). Mesmo incorporando estes reforços ao plantel, o que se vê no Valencia, é um time extremamente ansioso, nada confiante e desorganizado, que comete diversas falhas durante as partidas. Os números de sua campanha falam por si só, na Liga BBVA (campeonato espanhol) por exemplo, a equipe luta novamente na parte de baixo da tabela, onde ocupa a pífia 17ª colocação, somando 12 pontos ganhos, com 3 vitórias, 3 empates e 9 derrotas em 15 jogos disputados. Vale lembrar que essa posição na classificação da liga, mantém o Valencia somente uma acima da zona de rebaixamento, à frente dos modestos Sporting Gijón, Granada e Osasuna.
Para piorar ainda mais a situação do Valencia, o treinador Cesare Prandelli pediu demissão, depois de apenas 3 meses no comando técnico da equipe, aonde trabalhou em dez jogos, colecionando 3 vitórias, 3 empates e 4 derrotas (30% de aproveitamento).

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O treinador Cesare Prandelli mal chegou ao Valencia, e já saiu. Segundo o técnico italiano, o Valencia é uma verdadeira bagunça, e por isso, ele preferiu sair do clube.

O italiano chegou ao Los Che em meados de setembro, e entregou o cargo no dia 30 de dezembro, sendo portanto, o décimo treinador do Valencia desde a saída de Unai Emery (2012), o último comandante de sucesso no clube. Desde que o chinês Peter Lim comprou o Valencia, tornando-se dono da equipe em 2014, o time vive numa constante decadência, e é nítido que a administração da atual diretoria, é péssima, para não dizer algo pior.
Cesare Prandelli ganhou destaque na mídia esportiva, durante o período em que trabalhou na Fiorentina, aonde permaneceu por 5 temporadas (2005 a 2010), e só saiu porque recebeu o convite para treinar a seleção italiana de futebol. Na Azzurra, Prandelli foi vice-campeão da Eurocopa de 2012, e esse feito definitivamente resgatou o prestígio da seleção da Itália. Já na Copa do Mundo do Brasil em 2014, os italianos foram muito mal, sendo eliminados ainda na fase de grupos do torneio, e por isso o treinador decidiu abandonar o cargo. Posteriormente, Cesare Prandelli trabalhou somente no Fenerbahce, mas também num curtíssimo espaço de tempo, 16 jogos para ser mais exato, contabilizando 6 vitórias, 3 empates e 7 derrotas, obtendo o total de 37,5% de aproveitamento.

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O técnico Salvador Gonzalez, popularmente conhecido como Voro Gonzalez, foi anunciado oficialmente, no dia 31 de dezembro, como o novo treinador do Valencia.

Com a confirmação da saída de Cesare Prandelli, o assistente Salvador “Voro” Gonzalez ganhou novamente a oportunidade de assumir o comando técnico do time valenciano, digo novamente, pois antes, o ex-jogador do Valencia, de 53 anos, já havia trabalhado como treinador interino, sendo sempre utilizado como um quebra-galho nos períodos em que o clube estava sem técnico. Desta vez, segundo o diretor de futebol Jesus Garcia Pitarch, chegou a hora de Voro Gonzalez provar toda sua competência como treinador do time principal.
Ficou claro que o ano de 2016 foi um verdadeiro pesadelo para o Valencia e toda sua torcida, que com certeza não irão querer lembrar de absolutamente nada que nele aconteceu. A esperança é que a chegada de 2017 leve a paz novamente aos arredores do estádio Mestalla, mudando totalmente o clima vivido pelo clube, e essa mudança pode começar já a partir de hoje, com uma boa vitória do Los Che sobre o Celta, em partida válida pelas oitavas de finais da Copa do Rey. Aguardemos ansiosamente as cenas dos próximos capítulos!

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