Quando o Atlético Madrid se deparou diante do Real Madrid na decisão da Supercopa da Europa, inevitavelmente a lembrança das derrotas nas finais das edições de 2013/14 e 2015/16 da Champions League, vieram à tona na mente dos colchoneros. No entanto, através de muita garra e dedicação, características bastante peculiares da equipe de Diego Simeone, o Atleti espantou o fantasma dos últimos revezes, e de maneira incontestável, ergueu a taça da Supercopa europeia pela terceira vez ao longo da história.
Enfrentar o Real Madrid em uma final de torneio internacional, não é uma tarefa árdua apenas para o Atlético Madrid, afinal, o conjunto madridista não era derrotado desde o ano 2000 em decisões válidas por competições fora da Espanha. Para se ter uma ideia, os Blancos disputaram treze finais neste período, sendo que destas, eles não perderam nenhuma, faturando o total de cinco Champions League, quatro Supercopas da Europa e quatro Torneios Mundiais de Clubes. Por essas e outras, o Real Madrid lidera isoladamente a lista dos clubes mais vezes campeões no continente europeu.
Acontece que para o Atleti, o Real Madrid não é “apenas” este gigante do Velho Continente, ele é também o seu eterno rival, o inimigo com o qual os rojiblancos dividem uma rivalidade oriunda desde os tempos da realeza espanhola. Além disso, como citei anteriormente, as derrotas recentes nas finais da Champions League ainda estavam entaladas na garganta dos torcedores colchoneros. Diante de todas estas informações, fica evidente porque a final da Supercopa da Europa representava tanto para o Atlético Madrid.

Apesar de se tratar da primeira partida oficial da temporada 2018/19 tanto para o Atlético Madrid quanto para o Real Madrid, disposição não faltou em campo, por este motivo, tínhamos a nítida impressão de que os jogadores estavam voando fisicamente. Uma prova disso, é que o atacante hispano-brasileiro, Diego Costa, abriu o placar logo no primeiro minuto de jogo. Entretanto, o Real Madrid chegou ao empate aos 27 minutos, através do francês Karim Benzema. E foi assim, com o empate de 1 a 1 no marcador, que colchoneros e madridistas encerraram os noventa minutos iniciais na A. Le Coq Arena.
Na etapa complementar, os pupilos de Julen Lopetegui viraram o jogo graças ao gol de Sergio Ramos, de pênalti, aos 18 minutos. Contudo, como a raça é a marca registrada do time de Diego Simeone, os rojiblancos empataram novamente a partida devido a outro tento do matador Diego Costa, aos 34 minutos. O Real Madrid por pouco não sofreu a derrota nos minutos finais do duelo, porém o Atleti não aproveitou as chances, e por esta razão a decisão terminou empatada, assim como ocorreu nos últimos dois Dérbis de Madrid realizados na temporada anterior.
Deste modo, com a igualdade no resultado final, a Supercopa da Europa foi decidida na dramática prorrogação, porém desta vez, o Atlético Madrid levou a melhor sobre o Real Madrid, derrotando o rival por 2 a 0 no tempo extra, com gols de Saúl Ñíguez e Koke. As palavras de Diego Simeone na coletiva pós-jogo, representam a importância deste título para todos os colchoneros, confira:
"Estou muito contente. Jogamos em um nível elevado, ainda por cima em uma final europeia. Ganhamos do Chelsea há uns anos e agora vencemos um rival, dono de uma enorme tradição e história, sobretudo na Europa. Foi a primeira final que eles perderam nos últimos anos e felizmente fomos nós que os derrotamos".
A mudança no comando técnico do Real Madrid, que contratou Julen Lopetegui para substituir Zinedine Zidane, contribuiu bastante para a derrota dos tricampeões europeus na Estônia. Em contrapartida, o excelente trabalho realizado pelo Atlético Madrid nesta janela de transferências, jamais poderia deixar de ser exaltado, pois os novos reforços apresentados pela diretoria deixaram o time que já era forte ainda mais poderoso, lembrando que os jogadores Thomas Lemar, Rodri, Nikola Kalinic, Santiago Arias, Gelson Martins e Antonio Adán chegaram ao clube colchonero.
Obviamente, ainda é muito cedo para cravar qualquer diagnóstico, visto que a temporada do futebol espanhol terá início na tarde desta sexta-feira, com duas partidas da La Liga (Girona x Valladolid e Betis x Levante). Mas uma coisa é certa, o Atlético Madrid, que já deixou de ser coadjuvante há muito tempo, se apresenta melhor a cada ano que passa, portanto, não será nenhuma surpresa vermos o esquadrão de Diego Simeone desbancando Barça e Real na Espanha, além de outros gigantes europeus em competições internacionais daqui adiante.