O Catar, de Félix Sánchez, espera surpreender na Copa do Mundo de 2022

Apesar da queda diante dos Estados Unidos nas semifinais da Copa Ouro 2021, o Catar, de Félix Sánchez, despediu-se da América deixando a sensação de que pode surpreender na próxima Copa do Mundo.

Após dar as caras na Copa América de 2019, o Catar também aceitou o convite para participar da Copa Ouro, tradicional torneio disputado entre nações situadas nas Américas do Norte e Central. Mas ao contrário do que ocorreu na competição sul-americana no ano retrasado, a seleção do Oriente Médio acabou sendo a grande sensação do campeonato promovido pela Concacaf. A começar por conta da campanha dos cataris, que avançaram de fase como líderes do grupo D, somando e vitórias e 1 empate em três jogos realizados, isto é, conquistando 7 de possíveis nove pontos.

No entanto, o que mais chamou a atenção foi o excessivo número de gols marcados pelos asiáticos na fase inicial da Copa Ouro. Para se ter uma ideia, eles marcaram o montante de nove tentos nas três partidas disputadas diante de Panamá (3 a 3), Granada (4 a 0) e Honduras (2 a 0), respectivamente, registrando uma incrível média de três gols por jogo neste período. E não para por aí, visto que com o triunfo frente El Salvador por 3 a 2 nas quartas-de-final, o Catar despediu-se da América tendo o melhor ataque do torneio com DOZE gols.

Contudo, a boa campanha do Catar na Copa Ouro é fruto do ótimo trabalho realizado pelo treinador Félix Sánchez. Desde 2017 no cargo, o técnico espanhol de 45 anos de idade, chamou somente atletas que atuam na Qatar Stars League para disputar o torneio da Concacaf, sendo que 12 dos 23 jogadores presentes na lista de convocados defendem as cores do Al Sadd, atual campeão da liga catari que é comandado pelo conterrâneo Xavi Hernández.

Com isso, Félix Sánchez, que chegou a trabalhar nas categorias de base do Barcelona, acaba usufruindo da qualidade de cada um dos atletas que trabalham com Xavi, na seleção do Catar. Desta maneira, fica fácil compreender porque os cataris praticam um futebol ofensivo, e que dentre tantas características tem como a principal, priorizar a posse de bola, ou seja, algo bastante similar com o que vemos no estilo de jogo da Espanha.

Aliás, nas cinco partidas disputadas pelo Catar na Copa Ouro 2021, o treinador espanhol utilizou a formação de sua equipe no 3-5-2 para atacar, e no 5-3-2 para defender, quer dizer, com os dois alas recompondo o setor defensivo e fazendo uma forte linha de cinco homens na zaga. Vale ressaltar ainda, que por vezes os Marrons pressionavam a saída de bola do adversário, porém a principal arma dos pupilos de Félix Sánchez era recuperar a posse no meio-campo no menor limite de tempo possível, em outras palavras, aplicando o famoso gegenpressing, de Jurgen Klopp.

Entretanto, as aparições do Catar na Copa Ouro 2021 deixaram claro a vulnerabilidade de sua defesa, não à toa, o selecionado árabe foi vazado SETE vezes no torneio. Como o time joga com apenas três peças no meio-campo, os oponentes acabavam encontrando espaços para criar jogadas, e assim, chegavam rapidamente na meta dos cataris. Em contrapartida, a fragilidade defensiva foi compensada pelo poderio ofensivo da equipe, dona de um rico toque de bola, capaz de quebrar as linhas dos adversários através de incisivos passes, em sua maioria partindo do meia Akram Afif.

Ainda assim, o Catar fez ótimo proveito de suas participações tanto na Copa América quanto na Copa Ouro, haja vista a evolução tática, técnica, e especialmente no que diz respeito ao entrosamento da equipe em campo. É óbvio, que os cataris não figurarão entre os principais postulantes ao título da Copa do Mundo no ano que vem, mas ao mesmo tempo, é fato que eles têm totais condições de medir forças com seleções de nível intermediário e assim, quem sabe, até mesmo superar a fase de grupos do torneio, o que por sinal, seria épico para uma nação estreante em Mundiais. A ver!

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