O Milan voltou a ser Milan

Dida, Cafu, Paolo Maldini, Alessandro Nesta, Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, Kaká e Filippo Inzaghi. Eis alguns dos personagens do Milan na última vez em que o clube disputou as semifinais da Champions League há dezesseis anos.

No entanto, isso já faz parte do passado pois com o triunfo sobre o Napoli pelo placar mínimo em Milão, e o empate em 1 a 1 na Campânia, os rossoneros se tornaram um dos quatro semifinalistas da atual edição da Champions League, avançando em um confronto no qual eles não eram favoritos à classificação, haja vista a distância de 22 pontos que separa o líder e o quarto colocado da Serie A (75 a 53).

Por sinal, quem acompanhou os jogos entre Milan x Napoli notou que ao contrário do que ocorreu na recente goleada por 4 a 0 dos atuais campeões italianos em pleno estádio Diego Armando Maradona pela Serie A, os napolitanos jogaram melhor ao longo dos 180 minutos das quartas-de-final da Champions League.

Contudo, este melhor não foi suficiente para o Napoli superar o Milan, em especial por conta de alguns detalhes como a penalidade desperdiçada por Khvicha Kvaratskhelia aos 37 minutos da etapa final, que se somado ao tento de Victor Osimhen, eliminaria os comandados de Stefano Pioli do torneio.

Portanto, é inegável que a tradição do clube sete vezes campeão europeu também pesou a seu favor neste duelo pra lá de decisivo frente um oponente que jamais havia chegado na fase de quartas-de-final da Champions League.

E como não poderia deixar de ser, o empate com sabor de vitória do Milan na Campânia teve alguns “heróis”. O primeiro deles responde pelo nome de Mike Magnan, autor de três grandes intervenções ao longo da partida, incluindo o pênalti defendido na cobrança de Khvicha Kvaratskhelia, lembrando que o goleiro francês já havia sido o melhor jogador em campo no jogo de ida, no San Siro.

Além de Mike Magnan, Rafael Leão realizou no estádio Diego Armando Maradona uma das partidas mais brilhantes desde o início de sua carreira, vide a arrancada de 74 metros e 11 toques na bola que levou o atacante português a atropelar três defensores do Napoli até presentear o companheiro Olivier Giroud na cara do gol.  

Curiosamente, o lance do gol de Olivier Giroud foi bastante parecido com um tento marcado por Marco van Basten em uma vitória épica do Milan por 3 a 2 sobre o próprio Napoli em maio de 1988, quando o holandês Ruud Gullit desempenhou o mesmo papel de Rafael Leão ao “passar por cima” dos adversários para servir o compatriota.

“Stefano Pioli me tornou quem sou hoje. Ele foi paciente comigo e me tratou como um filho. Tenho que agradecer a ele, Paolo Maldini e Ricky Massara (diretor técnico e diretor esportivo do Milan, respectivamente). Eu devo isso a eles.”

Rafael Leão, atacante do Milan

E de acordo com as palavras de Rafael Leão, fica evidente que o excelente trabalho desenvolvido tanto pela comissão técnica quanto pela diretoria do Milan, também foi preponderante para este retorno às semifinais da Champions League pela primeira vez desde 2007. Por sinal, segue abaixo o desempenho do clube no decorrer destes 16 anos sem figurar entre os quatro melhores do Velho Continente:

TemporadaFaseAdversário
2007/08OitavasArsenal
2009/10OitavasMan.Utd.
2010/11OitavasTottenham
2011/12QuartasBarcelona
2012/13OitavasBarcelona
2013/14OitavasAtlético Madrid
2021/22GruposAtlético Madrid, Liverpool e Porto

Vale ressaltar ainda, que o maior trunfo da diretoria milanista nesta temporada, em especial do gerente de futebol Paolo Maldini, foi manter Stefano Pioli no cargo mesmo após a péssima fase vivida pelo Milan entre os meses de janeiro e fevereiro, decorrente dos sete jogos seguidos sem vitórias (5D-2E) que engloba duas derrotas para a rival Internazionale, sendo uma por 3 a 0 na decisão da Supercopa da Itália, e outra por 1 a 0 pela 21ª rodada da Serie A.

Consequentemente, naquela oportunidade o Milan viu o sonho de conquistar o bicampeonato italiano se tornar um pesadelo e, como é de praxe, tudo “desmoronou” sob as costas do treinador Stefano Pioli. Ainda assim, em nenhum instante a diretoria do clube acenou com a possibilidade de demití-lo, o que provou ter sido a decisão mais do que certa. A vaga nas semifinais da Champions League que o diga.

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