O provável bicampeonato francês não esconde a decepção dos parisienses

O revés do Paris Saint-Germain frente o Lorient por 3 a 1 em pleno Parque dos Príncipes, escreveu mais um triste capítulo da melancólica e interminável temporada 2022/23 dos parisienses.

Embora em vias de conquistar o bicampeonato francês, o sentimento depressivo dos parisienses é o mesmo dos últimos anos, especialmente pela abrupta queda de desempenho do PSG no momento em que o modo “piloto automático” foi acionado na temporada, ou seja, após as intragáveis eliminações nas oitavas-de-final da Champions League e da Copa da França.

Vale ressaltar, que a derrota diante do Lorient foi a NONA do Paris Saint-Germain na temporada, sendo a sexta pela Ligue 1. E de acordo com o treinador Christophe Galtier, isso é reflexo do comodismo por parte dos atuais líderes do campeonato devido a distância de cinco pontos que os separam do vice-colocado Olympique de Marselha.

Quando perdemos é porque estamos dominados fisicamente ou porque nos deixamos levar mentalmente. Esta tarde, nos perdemos em níveis mentais. Precisamos discutir esta questão. O que queremos fazer com as cinco partidas restantes? Há um título em disputa, e para obtê-lo devemos ter outro estado de espírito.” 

Christophe Galtier, treinador do PSG

Obviamente, é válida a justificativa do comandante do PSG, porém essa falta de apetite apresentada até mesmo por jogadores como Marquinhos, Sergio Ramos e Marco Verratti, também é decorrente da característica do estrelado plantel parisiense, cuja folha salarial ultrapassa a marca de 725 milhões de euros por ano, e é composto em sua maioria por atletas de altíssimo nível técnico, acostumados a jogar com a bola nos pés ao invés de ficar correndo atrás da redonda e dos adversários.

Além disso, já citei em diversas oportunidades que quando o Paris Saint-Germain atua em uma formação com Neymar, Lionel Messi e Kylian Mbappé, ele perde três homens na marcação, o que é inadmissível para qualquer equipe na atualidade, por comprometer totalmente o sistema defensivo.

Considerando o jogo do último domingo (30), Christophe Galtier mandou o PSG à campo armado no 4-2-2-2, com os volantes Danilo Pereira e Marco Verratti jogando à frente da defesa, Carlos Soler e Vitinha mais adiantados, enquanto Kylian Mbappé e Lionel Messi formaram a dupla de ataque, já que – como é frequente – Neymar segue fora de combate em virtude de uma lesão no tornozelo.

Deste modo, o PSG perdeu “somente” duas peças para ajudar na defesa – Lionel Messi e Kylian Mbappé. Ainda assim, como Carlos Soler e Vitinha não são exímios marcadores, e o lateral-direito Achraf Hakimi foi expulso na etapa inicial, a equipe acabou ficando bastante exposta, a julgar pelos três gols sofridos, além das 14 finalizações do Lorient, sendo sete no alvo, ao longo da partida.

Logo, por mais que o Paris Saint-Germain insista em mudar constantemente de treinadores, a realidade é que os velhos problemas enfrentados por Unai Emery, Thomas Tuchel e Mauricio Pochettino, continuam assolando o time e a torcida, farta de promessas vazias da profetizada conquista da Champions League e de projetos esportivos malsucedidos.

E como se tudo isso ainda não bastasse, a ida de Lionel Messi à Arábia Saudita para resolver compromissos particulares não agradou tanto o técnico Christophe Galtier quanto o diretor de futebol Luís Campos, sobretudo porque ambos concederam somente a segunda-feira (01) de folga aos atletas para impedí-los de realizar viagens ao exterior, algo que tornou-se comum no clube neste período recente, dando inclusive a impressão de que o elenco já está de férias.

Portanto, essa inesperada viagem de Lionel Messi, que rendeu até uma capa ao jornal L’Equipe nesta terça-feira (02), apenas reforça a tese de que o craque argentino vive realmente os seus últimos dias na capital francesa, porém só nos resta saber qual será o próximo destino do jogador de 35 anos de idade: o futebol árabe; a Major League Soccer; ou o Barcelona.

De qualquer maneira, a provável saída de Lionel Messi ao término da temporada pode favorecer o trabalho de Christophe Galtier, afinal, ela abrirá a possibilidade do treinador francês escalar um jogador mais combativo em campo, tirando-lhe ainda a obrigação de ter de escalar o trio MMN para não desagradar nenhuma das partes e, consequentemente, não gerar um clima de insatisfação.

Em contrapartida, é necessário que o PSG não repita o erro de contratar outra grande estrela do futebol mundial para repor a suposta saída de Lionel Messi, a fim de evitar com que um ciclo similar ao atual se inicie no Parque dos Príncipes, independentemente se Christophe Galtier ainda for o treinador do time, tendo em vista que os nomes de Zinedine Zidane, José Mourinho e Thiago Motta estão sendo bastante especulados para sucedê-lo no cargo.

Em última análise, ainda que o PSG esteja a exatos cinco jogos de conquistar o título da Ligue 1 pela 11ª vez e isolar-se como o maior campeão francês ao longo da história, a sensação mista de decepção e frustração dos torcedores parisienses é tão grande quanto o eterno desejo de todos por uma mudança de mentalidade da equipe. Pois é, assim terminará e começará mais uma temporada em Paris.

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