Fora da Champions League, restou ao City brigar “apenas” pela dobradinha na Inglaterra

Perder, essa ação passou a fazer cada vez menos parte do cotidiano do Manchester City, dado o nível de excelência alcançado desde a chegada de Pep Guardiola, derrotado 62 vezes em 464 jogos no comando técnico da equipe inglesa, o que corresponde a uma baixíssima taxa de 13% de derrotas.

Ainda assim, isso não significa que o Manchester City seja imbatível. Embora esta sensação tenha aumentado com a conquista da inédita tríplice coroa na temporada passada, é óbvio que os Citizens não estão isentos de derrotas, tampouco em um confronto direto frente o Real Madrid pela Champions League, a julgar pela queda nas quartas-de-final em pleno Etihad Stadium.

A propósito, uma derrota com requintes de crueldade ao time que perdeu míseros 4 jogos ao longo da temporada 2023-24, afinal, ela ocorreu nas penalidades, depois do Manchester City registrar o total de 67% de posse de bola, contra 33% do Real Madrid, além de 33 finalizações, mediante apenas oito dos espanhóis, incluindo o tempo normal e a prorrogação do jogo que terminou empatado em 1 a 1.

Para se ter uma ideia, o City tocou na bola o montante de 88 vezes na área do Real Madrid, sendo este, o maior número num jogo da Champions League desde que a base de registros estatísticos da UEFA começou há 15 anos, lembrando que os 104 toques assinalados na área do Luton Town na partida anterior pela Premier League, também determinaram o novo recorde da liga inglesa.

Ademais, os 33 arremates disparados pelos atuais campeões europeus, se converteram na maior quantidade de finalizações em uma partida de mata-mata da Champions League desde 2020. Entretanto, a realidade é que somente o chute de Kevin De Bruyne balançou as redes, o que tornou este verdadeiro bombardeio totalmente irrelevante.

De qualquer maneira, através destes dados é possível notar a enorme dominância e superioridade por parte do Manchester City, assim como aconteceu nos embates das duas edições anteriores da Champions League, ambos válidos pelas semifinais, em que os ingleses foram derrotados em 2022, e triunfaram em 2023 por intermédio de uma avassaladora goleada por 4 a 0 no Etihad Stadium.

Por sinal, o Manchester City não sofria uma derrota significativa desde o 3 a 1 – na prorrogação – no Santiago Bernabéu pelo jogo de volta das semifinais da temporada 2021-22 da Champions League. Aliás, uma duríssima eliminação que só foi curada um ano depois com o troco dado na vitória por 4 a 0, mas que agora voltou a perturbar os Citizens novamente.

No entanto, o sentimento de dever cumprido ou de ter feito o melhor para avançar de fase, apagou a decepção de uma eliminação como a sofrida diante do Tottenham em 2019. Talvez, o único erro cometido pelo Manchester City contra o Real Madrid foi o de ter insistido tanto nas jogadas pelos lados do campo, especialmente pelo lado direito com Phil Foden puxando a marcação de Ferland Mendy a fim de abrir espaço para Kevin De Bruyne.

Em todo o caso, a grandiosidade do melhor Manchester City de todos os tempos, o mantém, involuntariamente, na condição de uma equipe invencível até mesmo em um encontro contra o “rei da Europa” pela Champions League. Logo, quando a vitória não vem a derrota acaba tendo um peso redobrado sobre os comandados de Pep Guardiola.

Não à toa, a partir de agora nada mais é esperado ao Manchester City que não a conquista da Premier League e da FA Cup neste final de temporada, em outras palavras, uma dobradinha que representaria o tetracampeonato inglês, juntamente com o bi da copa nacional.

Muitos julgam os altos investimentos do Manchester City como forma de obrigação a conquistar todos os títulos em disputa nas temporadas, porém estes mesmos se esquecem que os grandes clubes do futebol mundial também desembolsam cifras astronômicas em contratações a cada janela de transferências. Por sinal, o vizinho do City, United, é a prova de que antes de gastar, é preciso saber fazê-lo.

Seja como for, a caminhada do Manchester City rumo à dobradinha ficou menos tortuosa na Premier League depois que o novo líder da Premier League não apenas assumiu a ponta da tabela na rodada do último final de semana, como ainda abriu dois pontos de vantagem em razão dos tropeços de Arsenal e Liverpool, além é claro, do seu triunfo sobre o Luton Town por 5 a 1.

Em contrapartida, a desgastante partida física e mental da Champions League, composta pela prorrogação de 30 minutos, certamente foi bastante bem-vinda ao Chelsea, o oponente do Manchester City no próximo sábado, dia 21, pelas semifinais da FA Cup no estádio de Wembley.

Obviamente, o título da FA Cup está nos planos do insaciável Manchester City, todavia, se a vaga na final não vier haverá um tempo maior de descanso e preparo para as seis rodadas restantes da Premier League, que terão início com os Citizens visitando Brighton e Nottingham Forest, respectivamente, e com a semana livre sem os compromissos das semifinais da Champions League entre o invervalo dos jogos seguintes contra Wolverhampton e Fulham, que antecederão os últimos frente Tottenham e West Ham.

Isto posto, o fato é que o City terá de se contentar com a perspectiva de encerrar a temporada conquistando “somente” o sexto título inglês dos últimos sete anos, somado ao segundo consecutivo da FA Cup.

 

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