Segue a passos lentos a tão aguardada reformulação do Manchester United

A 15ª colocação na tabela da Premier League, evidencia o quão tenebrosa foi a temporada anterior do Manchester United, simbolizada pela pior campanha do clube desde a criação do campeonato em 1992.

De qualquer maneira, trata-se do reflexo do enorme equívoco cometido pela diretoria em não apenas manter Erik ten Hag no comando técnico da equipe, como também em renovar seu vínculo por mais dois anos devido a conquista da edição retrasada da FA Cup. Assim, a demissão do atual treinador do Bayer Leverkusen três meses depois, pode ser considerada a assinatura do erro por parte do Manchester United.

Como resultado, Rúben Amorim, o nome escolhido para suceder Erik ten Hag em Old Trafford, desembarcou em solo inglês tendo a difícil missão de assumir o Manchester United no meio da temporada, mais especificamente na 12ª rodada da Premier League, com os Red Devils ocupando o 13º lugar na classificação, somando 4 vitórias, 3 empates e quatro derrotas naquela oportunidade.

Contudo, o que os torcedores não imaginavam é que o desempenho do Manchester United seria ainda inferior sob o comando de Rúben Amorim, a julgar pelas 7 vitórias, 6 empates e 14 derrotas acumuladas nas 27 rodadas seguintes da Premier League. Por outro lado, a caminhada de sucesso na Europa League alimentava o sonho em torno da possível qualificação à Champions League, o que no final das contas se tornou um verdadeiro pesadelo mediante ao revés pelo placar mínimo na decisão diante do Tottenham.

E como não poderia deixar de ser, a continuidade de Rúben Amorim foi bastante discutida pelos lados do Old Trafford após o término da temporada, acima de tudo devido a gigantesca pressão vinda da opinião pública. Apesar disso, a cúpula diretiva do Manchester United decidiu mantê-lo no cargo, lembrando que o contrato do ex-treinador do Sporting junto ao clube inglês é válido até 2027.

Obviamente, Rúben Amorim deve ser responsabilizado pela patética temporada do Manchester United, vide a elevada taxa de 38,1% de derrotas à frente do time, isto é, a sétima pior marca dentre os técnicos com mais de 40 jogos pelo clube. Em contrapartida, a maior culpa é de quem o contratou, em especial pelas características completamente opostas do treinador português em comparação ao antecessor Erik ten Hag, isso levando em consideração aspectos como abordagem de jogo e composição tática.

A propósito, o principal deslize de Rúben Amorim foi introduzir sua filosofia logo de cara nos Red Devils, desconsiderando tanto o perfil dos jogadores quanto o modelo de jogo utilizado por Erik ten Hag nos últimos anos. Entretanto, é importante destacar que o jovem treinador de 40 anos de idade já havia informado que chegaria com o “manual embaixo dos braços” e, por este motivo, ainda questionou se não seria melhor o Manchester United contratá-lo depois da temporada, dada as drásticas mudanças que estavam por vir.

No entanto, ainda que às vésperas do mês de dezembro — o mais agitado do futebol inglês —, o Manchester United decidiu apostar na contratação de Rúben Amorim, uma escolha que resultou no 15º posto da Premier League com 42 pontos e um saldo negativo de 10 gols, além do vice-título da Europa League. Isto posto, demití-lo justamente no início de uma pré-temporada não faria sentido.

Seja como for, a temporada 2025-26 ainda nem começou e já está preocupando a torcida do Manchester United, principalmente no que diz respeito a lentidão do clube para trazer os reforços solicitados por Rúben Amorim e, enfim, deixar o time com cara do seu comandante. Não à toa, somente os atacantes Matheus Cunha e Bryan Mbeumo, e o lateral Diego León, foram contratados até agora.

Inclusive, a morosidade do Manchester United na janela de transferências, levando em conta os movimentos de entradas e saídas, o obrigou a utilizar os renegados Marcus Rashford, Alejandro Garnacho, Antony, Jadon Sancho e Tyrell Malacia nas atividades de pré-temporada. Dentre eles, apenas Rashford teve o futuro definido nesta segunda-feira (21) ao ser emprestado ao Barcelona depois de uma curta passagem pelo Aston Villa.

Vale ressaltar que um dos alvos primordiais do Manchester United era Liam Delap, até porque Joshua Zirkzee e Rasmus Højlund já provaram que não tem condições de vestir a camisa do clube. Todavia, o ex-jogador do Ipswich Town acabou se transferindo ao Chelsea, trazendo à tona rumores sobre um suposto interesse em Viktor Gyokeres, porém sem nenhuma veracidade.

À vista disso, Rúben Amorim mandou à campo, basicamente, a mesma equipe que encerrou a última temporada para enfrentar o Leeds no primeiro amistoso disputado pelo Manchester United — que terminou empatado sem gols em Estocolmo —, com exceção aos recém-contratados Matheus Cunha e Diego León. Ademais, a outra novidade foi o desfalque do goleiro André Onana, em virtude de uma lesão na coxa que pode lhe tirar das primeiras rodadas da Premier League.

É inegável que a conquista da vaga na Champions League aumentaria o poderio financeiro do Manchester United, e como ela não veio os recursos econômicos do clube se reduziram neste meio de ano. Isto posto, seria mais inteligente se os Red Devils não desprestigiassem algumas peças como já fizeram com Casemiro e agora repetem com os negociáveis Antony, Alejandro Garnacho, Jadon Sancho e Tyrell Malacia, que ainda podem render boas vendas para que novos reforços sejam contratados e, é claro, o 3-4-2-1, de Rúben Amorim, finalmente surta o mesmo efeito dos tempos de Sporting.

Por sinal, a escassez de ofertas expõe as dificuldades encontradas pelo Manchester United para negociá-los, tanto é que os ingleses aceitaram de imediato a proposta para emprestar Marcus Rashford ao Barcelona, se livrando de um alto salário na folha. Em todo o caso, uma alternativa que até pode acontecer com Alejandro Garnacho e Tyrell Malacia, mas não com Antony e Jadon Sancho, dois dos quatro reforços mais caros da história do clube.

Seja como for, embora a ausência em torneios continentais represente um calendário menos desgastante ao Manchester United, o que significa que Rúben Amorim terá semanas livres a mais para trabalhar na implementação do seu plano de jogo, a realidade é que praticamente nada mudou no Old Trafford a exatas três semanas da estreia na Premier League. Em outras palavras, um cenário pra lá de preocupante projetando a próxima temporada.

Deixar um comentário

Menu