De Manchester à Catalunha, Marcus Rashford é o novo reforço do Barcelona

Nem o mais otimista dos torcedores barcelonistas imaginava que o Barcelona encerraria a temporada de estreia sob o comando de Hansi Flick faturando o doblete, somado ainda a conquista da Supercopa da Espanha, o que significa que os catalães só fracassaram na tentativa de vencer a Champions League.

Portanto, uma temporada bastante acima das expectativas, sobretudo considerando que o Real Madrid vinha dos títulos da LaLiga e da Champions League, e ainda apresentava Kylian Mbappé como novo reforço, enquanto o Barcelona se despedia do ídolo Xavi Hernández para apostar no ex-treinador da seleção alemã, que estava diante do primeiro trabalho no exterior.

Ademais, é importante salientar que Hansi Flick desembarcou na capital catalã em baixa depois da apagada passagem pela Alemanha, eliminada na primeira fase da Copa do Mundo de 2022, mesmo estando situada num grupo pra lá de acessível ao lado de Espanha, Japão e Costa Rica. Posteriormente, a goleada por 4 a 1 sofrida frente os próprios japoneses em amistoso realizado a nove meses do início da Eurocopa, resultou na demissão do sucessor de Joachim Low.

Isto posto, a realidade é que Hansi Flick quebrou todos os paradigmas no Barcelona, voltando a reviver os excelentes momentos dos tempos de Bayern, inclusive, deixando a sensação de ter utilizado a técnica do Ctrl+C e Crtl+V ao implementar a mesma filosofia de jogo no Barça, a julgar pelo futebol ofensivo, intenso e dinâmico praticado pelos campeões espanhóis, marcado pelo montante de 174 gols em 60 jogos disputados na temporada, o que equivale a uma elevada média de 2,9 tentos por partida.

Todavia, apesar do excessivo número de gols da temporada passada o segundo reforço do Barcelona nesta janela de transferências — depois do goleiro Joan García, ex-Espanyol — foi justamente um atacante. Pois é, trata-se de Marcus Rashford, contratado via empréstimo junto ao Manchester United depois de uma curta passagem pelo Aston Villa, tendo no contrato uma cláusula com opção de compra no valor de 30 milhões de euros.

Por sinal, a opção mais barata encontrada pelo Barça, que tinha Nico Williams como principal alvo neste meio de ano, mas não contava com a recusa por parte do jogador do Athletic Bilbao. Deste modo, os blaugranas mudaram o foco para Luis Díaz, porém a pedida do Liverpool superior a 60 milhões de euros inviabilizou o acerto, em especial após a entrada do Bayern na negociação.

De qualquer maneira, pelo menos na minha opinião a avaliação em relação a chegada de Marcus Rashford envolve dois pontos de vistas. O primeiro deles, diz respeito ao futebol que ele pode entregar, já que o jogador de 27 anos de idade joga em todas as posições de ataque, isto é, tanto pelos lados quanto centralizado, o que será extremamente benéfico ao Barcelona, dono de um elenco bastante curto.

Em contrapartida, Marcus Rashford precisará melhorar — e muito — o desempenho na fase defensiva pois não é novidade pra ninguém que o Barcelona atua em linha alta, sufocando o adversário no seu próprio campo. E como a maior deficiência do ex-jogador do Manchester United é a falta de intensidade na pressão sem a bola, ele terá que corrigir essa incapacidade, algo que Rúben Amorim, por exemplo, não conseguiu no Manchester United.

Além disso, a última boa fase de Marcus Rashford deu-se na temporada 2021-22 — a melhor da carreira até hoje —, quando ele balançou as redes 30 vezes e concedeu nove assistências em 56 aparições. Na ocasião, o camisa 10 surfava a onda da ótima Copa do Mundo realizada no Catar, na qual fez 3 gols em cinco partidas vestindo a camisa da Inglaterra.

Seja como for, ter no plantel um atacante capaz de substituir qualquer peça do setor ofensivo, seja Robert Lewandowski, seja Lamine Yamal ou Raphinha, será de suma importância ao time que terá a Champions League para disputar na próxima temporada. Contudo, é evidente que Marcus Rashford chega ao Barcelona para ser uma espécie de 12º jogador, servindo como uma interessante alternativa ao ataque juntamente com Ferran Torres.

Ofensivamente, por mais que Marcus Rashford não brilhe há dois anos, é inegável que ele contribuirá ao Barcelona, principalmente em virtude da força física, velocidade, e da qualidade em atacar os espaços, fazendo sombra para os titulares, um fator que inexistiu na temporada anterior. Aliás, a altura de 1,85 metros também fortalecerá o jogo aéreo da equipe catalã, cuja estatura é baixa.

Por outro lado, ainda que cedido via empréstimo, o altíssimo salário de 14 milhões por temporada de Marcus Rashford se mostra demasiadamente fora dos padrões para um reserva. Para se ter uma ideia, de acordo com o site Capology o novo reforço do Barcelona só ganhará menos que Robert Lewandowski, Frenkie de Jong, Lamine Yamal e Raphinha, respectivamente.

Logo, uma condição propícia pra criar um racha no grupo, considerando que importantes peças como Pedri, Dani Olmo, Jules Koundé, Alejandro Baldé e Pau Cubarsí, todos titulares do time campeão espanhol e da Copa do Rei, passarão a receber salários inferiores em relação a Marcus Rashford. Diante do exposto, uma situação capaz de gerar incômodo no vestiário, o que não aconteceria através de uma menor remuneração, ou se uma grande estrela estivesse chegando para assumir a titularidade.

Em todo o caso, um novo agravante que Hansi Flick deverá administrar internamente, já que o atacante solicitado foi entregue pela diretoria, lembrando que a movimentação do Barcelona na janela ainda inclui a contratação de um lateral-esquerdo para competir com Alejandro Baldé, e talvez um zagueiro canhoto devido a idade de Iñigo Martínez (34 anos), além do histórico de lesões de Andreas Christensen.

Entretanto, resta saber se o Barcelona terá espaço na folha salarial para inscrever novos atletas, tendo em vista que os problemas referentes ao Fair Play Financeiro continuam pelos lados do Camp Nou, apesar da recente conquista do doblete.

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