Com a estreia na Serie A se aproximando, a Inter segue priorizando o setor ofensivo

O trauma das sucessivas perdas da Coppa Italia, Serie A e Champions League continua vivo na memória da Inter de Milão, por mais que os Nerazzurri estejam diante do início de uma nova temporada.

A propósito, superar essas sequelas será o primeiro grande desafio do técnico Cristian Chivu, que inclusive já sentiu o amargo sabor do final de temporada da Inter de Milão ao assumir o antigo posto de Simone Inzaghi poucos dias depois da derrota na decisão da Champions League para a disputa da Copa do Mundo de Clubes, em que os italianos caíram diante do Fluminense nas oitavas-de-final.

No entanto, apesar da escassez de títulos o desempenho da Inter de Milão não foi tão ruim, a julgar que os Nerazzurri foram semifinalistas da Coppa Italia, vice-campeões italianos e finalistas da Champions League. Todavia, a forma pela qual essas quedas ocorreram tornaram a temporada da Inter pra lá de tenebrosa, já que a eliminação na copa nacional deu-se contra o eterno rival Milan, enquanto a perda do scudetto para o Napoli foi sacramentada na última rodada da Serie A, e o revés na decisão do torneio continental veio através da sonora goleada por 5 a 0 diante do Paris Saint-Germain.

Em todo o caso, um dos principais problemas do trágico desfecho de temporada da Inter de Milão foi a queda de rendimento dos atacantes Lautaro Martínez e Marcus Thuram, em especial por conta das lesões sofridas pela dupla justamente na decisiva reta final. Ao mesmo tempo, uma situação que também expôs que os suplentes Mehdi Taremi, Joaquín Correa e Marko Arnautovic não estavam à altura do time.

Não à toa, Joaquín Correa e Marko Arnautovic já deixaram a Inter de Milão neste meio de ano, o nome de Mehdi Taremi segue na lista de negociáveis, e o clube investiu o montante de 23 milhões de euros para contratar Ange-Yoan Bonny junto ao Parma, lembrando que o atacante francês foi um dos destaques dos emilianos na temporada passada com 6 gols e 4 assistências em 38 jogos.

E como a prioridade da Inter de Milão na temporada é reforçar o setor ofensivo, a vinda de Ademola Lookman está próxima de se concretizar. Aliás, embora o camisa 11 esteja forçando sua saída da Atalanta ao faltar nos treinamentos, a negociação segue emperrada porque o clube de Bergamo exige 50 milhões de euros para vendê-lo, ou seja, dez milhões de euros a mais em relação ao valor oferecido pelos Nerazzurri.

Vale ressaltar ainda, que a Inter de Milão já havia contratado o meia-atacante Luis Henrique, ex-Olympique de Marselha, na curta janela de transferências aberta antes da Copa do Mundo de Clubes, o que se significa que a diretoria interista, representada tanto pelo presidente Giuseppe Marotta quanto pelo diretor-esportivo Piero Ausilio, já trouxe duas novas peças, e busca a terceira através da transferência de Ademola Lookman para fortalecer o ataque.

Embora a chegada de novos atacantes tire o espaço de jovens promessas como Pio Esposito, é necessário considerar a experência de Giuseppe Marotta e Piero Ausilio neste movimento de revigorar o setor de frente interista. Entretanto, é fundamental que a defesa não seja deixada de lado, sobretudo levando em conta que o Napoli foi a equipe menos vazada da Serie A na caminhada rumo ao scudetto.

Por sinal, o Napoli se despediu da última temporada da Serie A com míseros 28 gols sofridos em 38 jogos, sete a menos em comparação a Inter de Milão, dona da segunda melhor defesa do campeonato. Ademais, é importante salientar que até o mês de março, época em que os Nerazzurri sonhavam com a conquista da tríplice coroa, eles haviam sido vazados somente duas vezes na Champions League, sendo uma dentre as oito rodadas da fase de grupos, e outra, de pênalti, contra o Feyenoord nas oitavas-de-final.

Em contrapartida, o declínio da Inter de Milão teve início exatamente no instante em que o time começou a levar mais gols, a exemplo dos 14 sofridos nos cinco compromissos entre as quartas-de-final e a decisão da Champions League, quando o Bayern de Munique marcou três, o Barcelona, seis, e o PSG, cinco. Certamente, a altíssima qualidade técnica por parte dos adversários deve ser avaliada, mas a fragilidade defensiva da Inter também.

Diante deste cenário, o desgaste físico causado pela longa maratona da temporada retratra o aumento do número de gols sofridos pela Inter de Milão no sprint final, até porque Francesco Acerbi, o herói da classificação sobre o Barcelona, já tem 38 anos de idade, Matteo Darmian completará 36 em dezembro, Stefan de Vrij vive o auge dos 33, e Benjamin Pavard está próximo dos 30. Talvez a intenção de rejuvenescer a defesa explique porque Simone Inzaghi utilizou o lateral Carlos Augusto como zagueiro em diversas oportunidades.

A esse respeito, a Inter de Milão chegou a sondar Giovanni Leoni, do Parma, porém desistiu do negócio em prol da contratação de Ademola Lookman. Logo, o técnico Cristian Chivu terá à disposição os mesmos defensores que Simone Inzaghi tinha até então, o que não o permitirá, por exemplo, implementar um sistema de jogo com as linhas altas baseado na marcação pressão avançada em virtude da lentidão dos seus zagueiros. Assim, a tendência é que os Nerazzurri continuem atacando com posse de bola e fluidez, recuando para um terço final profundo e bastante compacto durante a fase defensiva. 

À vista disso, ainda que sob o comando de Cristian Chivu, na próxima temporada também veremos a Inter de Milão atuando com três zagueiros, a fim de não expor o meio-campo a ataques que possam sobrecarregar a defesa, vide o exemplo da Copa do Mundo de Clubes. Contudo, com a única diferença de que com um homem a mais no meio, muito provavelmente, composto por Nicolò Barella, Luka Sucic, Hakan Çalhanoglu, além de Ademola Lookman.

Isto posto, a única certeza é que somente por intermédio de poucos gols sofridos a Inter voltará a dar uma volta olímpica novamente, algo que, a 18 dias da estreia na Serie A, parece não ter sido compreendido pelos lados de Milão. Aguardemos!

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