Tottenham sem Son, Son sem Tottenham, e um novo ciclo se inicia no norte de Londres

A temporada 2025-26 ainda nem começou mas já pode ser considerada um verdadeiro divisor de águas na história do Tottenham, a julgar pelo adeus de Son Heung-min após dez anos defendendo as cores do time do norte de Londres.

A propósito, quis o destino que a despedida de Son Heung-min ocorresse justamente na Coréia do Sul, diante de 65 mil torcedores presentes no Estádio Sang-am de Seul, situado a 90 quilômetros da sua cidade natal, Chuncheon, por conta da pré-temporada realizada pelo Tottenham no continente asiático, na qual os pupilos de Thomas Frank venceram o clássico frente o Arsenal pelo placar mínimo, e empataram em 1 a 1 com o Newcastle.

Em todo o caso, este mesmo destino também determinou que o último jogo oficial de Son Heung-min vestindo a camisa do Tottenham terminasse com a volta olímpica dada em Bilbao, devido ao triunfo por 1 a 0 sobre o Manchester United, que resultou na conquista do primeiro título do sul-coreano pelo clube, e na quebra do longo jejum de 17 anos dos Spurs sem erguer um único caneco.

Por sinal, a persistência foi um dos principais pontos que colocaram Son Heung-min entre os maiores jogadores do Tottenham em todos os tempos, até num tamanho superior a Harry Kane, sobretudo porque ao contrário do atacante inglês o camisa 7 rejeitou propostas de outros clubes ao permanecer no norte de Londres até a inédita conquista da Europa League na temporada passada.

Dentro de campo, Harry Kane até se sobressaiu em relação a Son Heung-min, porém essa condição não se sustenta no que diz respeito a história de cada um deles pelo Tottenham fora das quatro linhas. Ao mesmo tempo, o gigantesco futebol praticado pelo melhor jogador asiático da Premier League é capaz de mantê-lo como o sétimo jogador com mais jogos pelos Spurs somando 454 aparições, e também como o quinto maior goleador do clube com 173 gols.

Ademais, é importante destacar que quando Son Heung-min desembarcou na capital inglesa há uma década, o Tottenham iniciava a segunda temporada sob o comando de Mauricio Pochettino numa era marcada pela ascenção do clube vice-campeão inglês em 2017, e finalista da Champions League em 2019. Não à toa, o jogador de 33 anos de idade foi constantemente destaque da Premier League entre 2017 e 2022.

Contudo, ainda que na maioria das vezes o destino seja injusto ou cruel, com Son Heung-min aconteceu o contrário, em especial porque na última temporada foi visível a abrupta queda de rendimento do ex-atacante do Tottenham, a exemplo da atuação na final da Europa League em que ele entrou em campo aos 22 minutos do segundo tempo e errou quase todas as jogadas, se mostrando nada competitivo fisicamente.

Para corroborar com essa tese, Son Heung-min assinalou dois dígitos de gols na Premier League durante oito anos consecutivos, chegando a conquistar a Chuteira de Ouro na edição 2021-22 do torneio — sem pênaltis —, e isso sem contar que ele também alcançou a mesma marca em assistências durante quatro temporadas. Todavia, na anterior foram míseros sete tentos em 30 jogos pela liga inglesa, sendo 11 em 46 partidas por todas as competições.

Logo, não me restam dúvidas de que Son Heung-min aceitou a proposta recebida para transferir-se ao Los Angeles FC por compreender que não teria mais condições de ajudar o Tottenham, que, por sua vez, também acenou positivamente com a saída de Sonny pelo mesmo motivo, o que significa que a histórica trajetória de ambos acabou da melhor maneira possível para os dois.

Deste modo, a necessária virada de página foi dada pelo Tottenham sem que efeitos devastadores que poderiam ser causados pela saída de Son Heung-min acontecessem, pois embora ele ainda integrasse o elenco de Thomas Frank é bem provável que sua minutagem fosse reduzida na próxima temporada, ainda mais depois da chegada de Mohammed Kudus.

Aliás, apesar da 17ª colocação na Premier League o setor ofensivo do Tottenham não decepcionou, tanto é que os londrinos tiveram o sétimo melhor ataque do campeonato ao lado do Chelsea com 64 gols. Por essa razão, a prioridade de Thomas Frank foi reforçar a defesa nessa janela de transferências, o que explica as contratações de João Palhinha, Luka Vuskovic e Kota Takai, além da compra em definitivo de Kevin Danso.

De qualquer maneira, esse novo capítulo na história dos Spurs começa repleto de pressão, principalmente em torno do técnico Thomas Frank, que embora herdando o Tottenham campeão após 17 anos na fila, também o assume depois da pior campanha na Premier League desde a criação do torneio em 1992, e agora sem a sua maior referência da última década em campo.

Portanto, desafios não faltarão pelos lados do norte de Londres. Inclusive, eles já terão início logo no primeiro compromisso da nova temporada em que o Tottenham estreará contra ninguém menos que o atual campeão da Champions League, PSG, na decisão da Supercopa da UEFA, em Udine.

Deixar um comentário

Menu