Crystal Palace tem duas escolhas a fazer após o título da Supercopa da Inglaterra

Três meses após conquistar o seu primeiro grande título ao derrotar o Manchester City pelo placar mínimo na decisão da FA Cup, o Crystal Palace voltou a fazer história sob o comando de Oliver Glasner ao superar o Liverpool na finalíssima da Supercopa da Inglaterra e, assim, dar uma nova volta olímpica em Wembley.

A propósito, o principal personagem do Crystal Palace no retorno do clube do sul de Londres ao mítico estádio de Wembley foi novamente o goleiro Dean Henderson, isso porque depois de defender a penalidade de Omar Marmoush na final da FA Cup, ele também se destacou ao agarrar as cobranças de Alexis Mac Allister e Harvey Elliott na disputa de pênaltis que rendeu aos Eagles o título da Supercopa da Inglaterra sobre o Liverpool, na estreia de ambos pela temporada 2025-26.

Vale ressaltar que o Crystal Palace provou mais uma vez que a resiliência continua sendo uma das suas grandes virtudes, pois apesar do Liverpool ter ficado em vantagem no placar em duas oportunidades, quando abriu o marcador aos 4 minutos de partida, e no momento em que ampliou a contagem para 2 a 1, aos 20 minutos da etapa inicial, os londrinos tiveram forças nas pernas e equilíbrio mental para buscar o empate diante dos Reds, que investiram o montante de 293 milhões de euros em contratações nessa janela de meio de ano.

Por sinal, um panorama oposto em comparação ao Crystal Palace, que apresentou apenas o lateral-esquerdo Borna Sosa, além do goleiro Walter Benítez, como reforços até aqui, ainda que o Palace tenha assegurado a permanência de todo o elenco que venceu a FA Cup na temporada passada, tanto é que o time que enfrentou o Liverpool na Supercopa da Inglaterra foi exatamente o mesmo da última aparição em Wembley, contra o Manchester City.

Obviamente, o fato de — ao menos até então — não perdido nenhuma peça da equipe titular agrada Oliver Glasner. Em contrapartida, o técnico austríaco aguardava uma janela mais agitada por parte do clube que disputará competições europeias pela primeira vez na história. Aliás, por falar nisso é importante destacar que na manhã desta segunda-feira (11) o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) informou que o Crystal Palace perdeu o recurso contra o descenso da Europa League à Conference League, o que significa que os ingleses jogarão o torneio do terceiro escalão da UEFA.

Embora o campeão da FA Cup garanta o direito de jogar a Europa League na temporada seguinte, o Crystal Palace foi impedido de disputá-la porque o Eagle Football Group, cujo proprietário é John Textor, era detentor de 43% das suas ações. Deste modo, como a companhia norte-americana também possui 77% das participações do Lyon, outro clube classificado no torneio, a UEFA decidiu “rebaixar” o Palace à Conference League.

No entanto, a enorme revolta do Crystal Palace deve-se porque John Textor vendeu todas as suas ações no Crystal Palace ao conterrâneo Woody Johnson, dono do New York Jets, neste último mês de junho, o que acabou sendo em vão já que o regulamento da UEFA estabeleceu o dia 1º de março como prazo para comprovação de estruturas multiclubes, algo que também veio a ser confirmado pelo CAS.

Consequentemente, com menos dinheiro entrando em caixa devido a não presença na Europa League, rumores dão conta que o Crystal Palace precisará vender ao menos um jogador nessa janela de transferências, como é o caso de Marc Guehi, que está na mira do Liverpool. Inclusive, essa informação veio à tona pelo próprio presidente do clube, Steve Parish, uma vez que o zagueiro adentrou ao último ano de contrato junto aos Eagles, o que significa que ele poderá deixá-los sem custos ao término da temporada.

Em outras palavras, é fundamental que o Crystal Palace se movimente no mercado na busca por um defensor, especialmente considerando que o plantel da equipe é composto por apenas quatro opções para a zaga — incluindo Marc Guehi —, e o técnico Oliver Glasner utiliza um esquema com três zagueiros. Ademais, com a Conference League pela frente, o ideal seriam duas novas contratações para o setor.

À vista disso, é compreensível a insatisfação de Oliver Glasner mesmo após ter erguido o caneco da Supercopa da Inglaterra, lembrando que na temporada anterior o Crystal Palace realizou seu pior início na Premier League ao somar uma única vitória nas 13 primeiras rodadas do campeonato (6D-6E), um rendimento que, segundo o ex-treinador do Eintracht Frankfurt, só melhorou depois que os dois reforços contratados às pressas no último dia da janela, Maxence Lacroix e Eddie Nketiah, se adaptaram aos padrões táticos do time.

Diante deste cenário, Oliver Glasner projetava o Crystal Palace pronto na estreia dessa temporada, até porque a suposta saída de Marc Guehi já é prevista há tempos. Além disso, levando em conta que o camisa 6 precisou sair de campo contra o Liverpool em virtude de cãibras, e Daichi Kamada perderá os próximos dois jogos em função de uma lesão muscular sofrida no primeiro tempo, a realidade é que o Palace estaria em grandes dificuldades se estivessemos no meio da Premier League. Ou seja, é visível a necessidade de reforços no Selhurst Park, ainda mais com o alto grau de competitividade do futebol inglês.

Isto posto, o histórico trabalho de Oliver Glasner à frente do Crystal Palace, que o colocou entre os melhores técnicos do clube desde sua fundação em 1905, só continuará rendendo bons frutos se ambos caminharem no mesmo sentido. Logo, caso os Eagles não dêem passo a mais que se espera, certamente essa será a última temporada do técnico de 50 anos de idade no sul de Londres.

Portanto, a decisão está única e exclusivamente nas mãos de Steve Parish: ou o Crystal Palace entra na nova temporada com a esperança de que pode melhorar após vencer o atual campeão e favorito ao título da Premier League, ou se engana com a falsa impressão de que está pronto depois da conquista da Supercopa da Inglaterra, sob o risco de perder o magistral Oliver Glasner no ano final de contrato.

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