O otimismo voltou ao Borussia Dortmund sob o comando de Niko Kovac

No início do ano, Niko Kovac desembarcava na região do Rhur tendo pela frente o enorme desafio de assumir o Borussia Dortmund, na ocasião, ocupando a 11ª colocação da Bundesliga a 9 pontos da zona da degola e a quatro do G-4.

Na realidade, o Borussia Dortmund que também já havia sido eliminado pelo Wolfsburg logo no primeiro compromisso da DFB-Pokal, sentia o impacto das duríssimas consequências do erro cometido por ter escolhido Nuri Sahin para comandar a equipe. Não à toa, a passagem do sucessor de Edin Terzic pelo Signal Iduna Park durou míseros 27 jogos, deixando como “legado” o pior começo de ano do clube nas últimas 25 temporadas da Bundesliga.

Diante do exposto, a demissão de Nuri Sahin até demorou para ser concretizada, algo que ficou ainda mais evidente após a chegada de Niko Kovac, a julgar pelos 28 de 42 possíveis pontos conquistados pelos Aurinegros sob o comando do técnico croata na Bundesliga. Com isso, ao embalar uma série de cinco vitórias nas cinco rodadas finais do campeonato, o Borussia Dortmund garantiu a inesperada vaga na Champions League em função do 4º lugar na classificação.

Deste modo, foi notório o progresso do Borussia Dortmund com Niko Kovac à frente do time. A propósito, tanto o CEO esportivo Lars Ricken, quanto o diretor-técnico Sebastian Kehl, levaram em consideração o perfil rígido do ex-técnico do Wolfsburg para contratá-lo, uma vez que uma enorme onda de marasmo havia contagiado o clube do Rhur mediante ao temperamento pra lá de leve de Nuri Sahin.

Como resultado, o Borussia Dortmund tornou-se mais intenso, fluido e competitivo em campo, sobretudo em virtude da intensificação dos trabalhos físicos do elenco, que fizeram com que alguns jogadores de maior qualidade técnica como Marcel Sabitzer, Julian Brandt e até mesmo o capitão Emre Can perdessem espaço na equipe. Além deles, o talentoso Jamie Gittens também deixou de ser titular por não cumprir as funções defensivas exigidas por Niko Kovac, diferentemente de Karim Adeyemi. Aliás, isso explica porque o ponta inglês foi negociado junto ao Chelsea por 56 milhões de euros nessa janela de meio de ano.

Assim, o excelente final de temporada do Borussia Dortmund aumentou as expectativas pelos lados do Signal Iduna Park, apesar da tímida movimentação dos Aurinegros no mercado, composta somente pela vinda do meio-campista Jobe Bellingham, lembrando que 56,5 milhões de euros já foram investidos pelo clube alemão na atual janela de transferências, sendo 30,5 milhões para efetivar a contratação do ex-jogador do Sunderland, e outros 26 milhões oriundos das obrigações de compra dos laterais Yan Couto e Daniel Svensson.

Contudo, a estratégia do Borussia Dortmund em conter gastos nessa janela deve fracassar em razão da recente lesão muscular sofrida por Niklas Sule no jogo amistoso contra a Juventus, o que significa que ele é o terceiro zagueiro do plantel a integrar o departamento médico, se juntando à Emre Can e Nico Schlotterbeck. Em outras palavras, relevantes perdas para o técnico Niko Kovac, adepto a um esquema tático formado por uma linha de três homens na defesa.

Por este motivo, o Borussia Dortmund já manitora alguns nomes no mercado, a exemplo de Diego Aguado, do Real Madrid, e Juan Giménez, do Rosario Central, embora principal o alvo dos Aurinegros seja o norueguês Eivind Helland, zagueiro do SK Brann, avaliado em 3,5 milhões de euros. Com 1,96m de altura, o jovem de 20 anos de idade também pode atuar como lateral-direito e volante, uma condição que agrada bastante o técnico Niko Kovac. Todavia, o maior empecilho do negócio é a concorrência do Manchester United.

Ademais, o Borussia Dortmund também não descarta a possibilidade de trazer um meia, um ponta e um atacante, a exemplo dos interesses em Facundo Buonanotte, James McAtee, Jadon Sancho e Fábio Silva, por mais que todos estes possíveis reforços não sejam tratados como prioridades, ao contrário de um zagueiro, lembrando que Niko Kovac planeja um grupo curto de 22 atletas, a fim de diminuir o risco de descontentamento por parte daqueles com menor minutagem.

Seja como for, a contratação de reforços acabou ficando em segundo plano em meio ao bom trabalho desenvolvido por Niko Kovac no Borussia Dortmund, fruto da rápida identificação do treinador junto ao clube, motivada pela cultura da própria cidade operária baseada em valores como trabalho árduo, luta, esforço e momentos lúdicos. Quer dizer, foi o casamento perfeito, o que se subentende que o atual contrato válido até o encerramento da temporada será renovado.

Vale ressaltar ainda, que apesar do estilo linha dura, Niko Kovac caiu nas graças dos Aurinegros por respeitar as principais lideranças do vestiário, das quais se destacam Emre Can, Waldemar Anton, Pascal Gross e Nico Schlotterbeck. Além disso, tendo a oportunidade de realizar a primeira pré-temporada no Borussia Dortmund, ele vem se mostrando bastante simpático fora das quatro linhas, apesar do alto nível de exigência nas atividades em campo, criando assim, um clima harmonioso de trabalho em prol da evolução do clube e dos jogadores.

De qualquer maneira, é difícil imaginar os pupilos de Niko Kovac brigando pelo título alemão na próxima temporada. Por sinal, mesmo com o diretor esportivo da DFB, Rudi Völler, prevendo que Bayern de Munique e Borussia Dortmund iniciarão a Bundesliga com cinco pontos de desvantagem por terem disputado a Copa do Mundo de Clubes, é inegável que os Aurinegros estão alguns passos atrás dos atuais campeões na corrida pela Meisterschale, vide a larga distância de 25 pontos entre eles na edição passada da competição.

No entanto, o simples fato de começar a Bundesliga com as perspectivas de lutar pelas primeiras posições já anima — e muito — a torcida do Borussia Dortmund, que há um ano só imaginava o pior.

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