A seleção francesa inicia um dos capítulos mais aguardados de sua história recente. Depois de quatorze anos sob o comando de Didier Deschamps, chegou o momento de uma mudança que parecia inevitável e que, durante anos, alimentou debates entre torcedores, imprensa e ex-jogadores. A sucessão finalmente aconteceu com a confirmação de Zinedine Zidane como novo treinador dos Bleus. Trata-se de uma troca que vai muito além da simples substituição de um técnico. É a passagem de bastão entre duas lendas do futebol francês, ambas campeãs do mundo como atletas e agora unidas pelo mesmo objetivo: manter a França entre as maiores potências do planeta.
Didier Deschamps encerra sua trajetória deixando uma herança extremamente relevante. Durante esse longo período, conduziu a França ao título da Copa do Mundo de 2018 e também levantou a taça da Liga das Nações da UEFA 2020-21, consolidando um dos ciclos mais vitoriosos da história da seleção francesa. Ainda assim, o encerramento acabou marcado por um sentimento de frustração. A campanha no Mundial de 2026 terminou apenas na quarta colocação, resultado muito abaixo da expectativa criada em torno de um elenco considerado favorito ao título. A derrota por 6 a 4 diante da Inglaterra simbolizou o fim de uma era que, apesar das conquistas, já demonstrava sinais de desgaste.
É justamente nesse cenário que Zinedine Zidane assume uma responsabilidade gigantesca. Seu nome sempre esteve presente nas discussões envolvendo o futuro da França, principalmente ao término de grandes competições internacionais. A pergunta era recorrente: quando chegaria a vez do eterno camisa 10? Depois de anos de espera, a resposta finalmente apareceu. O ex-treinador do Real Madrid assinou contrato válido por quatro temporadas, iniciando um projeto que contempla a disputa da Eurocopa de 2028 e, sobretudo, a Copa do Mundo de 2030, principal objetivo estabelecido pela FFF (Federação Francesa de Futebol).
Didier Deschamps no comando da França:
— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) July 19, 2026
⚔️ 187 jogos
🚥 122V – 32E – 33D (!)
📊 70.9% aproveitamento (!)
⚽️ 404 gols (!)
🚫 180 gols sofridos (!)
🥅 357 grandes chances (!)
🔓 157 grandes chances cedidas (!)
👟 7.0 finalizações p/ marcar gol (!)
⚠️ 8.4 finalizações p/ sofrer gol… pic.twitter.com/8Ruql9moa8
A expectativa em torno desse novo ciclo não se limita apenas ao peso do treinador. Existe também uma enorme curiosidade para descobrir qual será a identidade construída por Zinedine Zidane dentro das quatro linhas. Durante mais de uma década, Didier Deschamps priorizou equilíbrio, organização tática, disciplina defensiva e eficiência competitiva. Essa estratégia rendeu títulos importantes, mas frequentemente recebeu críticas pelo estilo conservador. Agora, a tendência aponta para uma proposta diferente, baseada em maior posse de bola, criatividade, intensidade ofensiva e protagonismo durante as partidas.
Essa mudança de filosofia faz bastante sentido quando se observa a própria carreira de Zinedine Zidane como jogador. Poucos atletas da história conseguiram reunir tanta elegância, inteligência e capacidade técnica quanto ele. Sua visão privilegiada sempre valorizou o futebol associativo, a construção coletiva e o talento individual colocado a serviço da equipe. Naturalmente, muitos imaginam que essas características serão refletidas em sua comissão técnica. A promessa de uma França mais agressiva, dominante e ofensiva desperta enorme entusiasmo entre aqueles que desejavam ver a seleção explorar todo o potencial de sua geração atual.
Outro aspecto que torna essa chegada ainda mais simbólica é a paciência demonstrada pelo novo treinador ao longo dos últimos anos. Zinedine Zidane aguardava essa oportunidade havia cerca de cinco temporadas e, nesse período, recusou diferentes propostas de clubes tradicionais do futebol europeu. Em vez de aceitar projetos milionários, preferiu permanecer distante dos gramados esperando pelo convite que realmente desejava receber. Assumir a seleção nacional sempre foi seu maior sonho, fator que torna esse desafio ainda mais especial e carregado de significado para sua carreira.
Diferentemente de muitos profissionais que encontram seleções em reconstrução, Zinedine Zidane recebe um grupo pronto para competir imediatamente por qualquer troféu. A França continua reunindo uma impressionante quantidade de jogadores decisivos espalhados pelos principais campeonatos do mundo. Kylian Mbappé segue como principal referência técnica, enquanto Ousmane Dembélé, Michael Olise, Désiré Doué, Bradley Barcola, Rayan Cherki e Marcus Thuram representam diferentes características ofensivas capazes de oferecer inúmeras alternativas estratégicas ao treinador de 54 anos de idade durante as próximas competições internacionais.
𝗭𝗜𝗡𝗘𝗗𝗜𝗡𝗘 𝗭𝗜𝗗𝗔𝗡𝗘, 𝗡𝗢𝗨𝗩𝗘𝗔𝗨 𝗦𝗘́𝗟𝗘𝗖𝗧𝗜𝗢𝗡𝗡𝗘𝗨𝗥 𝗗𝗘 𝗟’𝗘𝗤𝗨𝗜𝗣𝗘 𝗗𝗘 𝗙𝗥𝗔𝗡𝗖𝗘 🐓🇫🇷 pic.twitter.com/5ocGyYETNm
— Equipe de France ⭐⭐ (@equipedefrance) July 28, 2026
Além dos nomes já consolidados, chama atenção a profundidade desse elenco francês. São atletas acostumados a disputar títulos nacionais, continentais e mundiais em seus respectivos clubes, algo que naturalmente eleva o nível de competitividade dentro da própria seleção. Essa concorrência saudável deverá aumentar ainda mais a exigência nos treinamentos e dificultar a definição da formação titular. Ao mesmo tempo, oferece ao treinador Zinedine Zidane a possibilidade de adaptar o modelo de jogo conforme o adversário, sem perder qualidade técnica nem capacidade de decisão.
As mudanças promovidas por Zinedine Zidane, entretanto, não ficarão restritas ao gramado, já que ele pretende modernizar diversos setores da FFF, ampliando significativamente a estrutura que atende diariamente a seleção principal. Entre as novidades está a implementação de uma área totalmente dedicada à análise de dados, utilizando tecnologia avançada para fornecer informações estratégicas sobre desempenho, comportamento coletivo, aspectos físicos e estudo detalhado dos adversários. Trata-se de uma tendência cada vez mais presente nas principais potências do futebol internacional.
Outro ponto importante desse processo de renovação envolve a composição da comissão técnica. Zinedine Zidane defendeu uma participação mais ampla de profissionais mulheres em funções especializadas, ampliando a diversidade dentro do ambiente de trabalho. Elas atuarão diretamente em setores como preparação física, psicologia esportiva e análise de desempenho, fortalecendo uma cultura organizacional diferente daquela observada na gestão anterior. A iniciativa demonstra que a transformação desejada vai além da parte tática, alcançando também questões relacionadas à inovação e ao desenvolvimento institucional.
🇫🇷⭐ Nouveau coach, nouvel écusson… les Bleus entrent dans une nouvelle ère !
— Prime Video Sport France (@PVSportFR) July 29, 2026
Après l'arrivée de Zinédine Zidane, la FFF vient de dévoiler son nouveau logo. ✨
💬 Vous validez ces changements ? 🤩 pic.twitter.com/UAjJeIwsPP
Em sua primeira entrevista oficial como treinador da França, Zinedine Zidane deixou bastante clara a direção que pretende seguir. Seu discurso reforçou o desejo de construir uma seleção ofensiva, capaz de controlar os jogos, criar oportunidades constantemente e proporcionar espetáculo aos torcedores. Evidentemente, isso não significa abandonar o equilíbrio defensivo, mas sim utilizar toda a qualidade disponível no estrelado plantel para assumir a centralidade diante dos oponentes. A ideia é fazer da França uma protagonista permanente, impondo seu ritmo independentemente do torneio disputado.
Naturalmente, a pressão será enorme desde o primeiro compromisso oficial. O histórico vencedor de Zinedine Zidane no Real Madrid, aliado ao talento extraordinário dessa geração francesa, fará com que qualquer resultado diferente das primeiras colocações seja recebido com grande cobrança. No futebol de seleções, o tempo para treinamentos costuma ser reduzido, exigindo adaptação rápida e capacidade de transmitir conceitos em poucos dias de trabalho. Ainda assim, poucos treinadores parecem tão preparados para lidar com expectativas elevadas quanto o novo comandante dos Bleus.
O começo desse projeto acontecerá muito em breve. A estreia oficial está marcada para o dia 25 de setembro, quando a França visitará a Turquia pela Liga das Nações da UEFA. Depois, enfrentará a Bélgica antes de retornar ao Stade de France, onde Zinedine Zidane viverá seu primeiro contato com a torcida francesa em um clássico contra a Itália, no dia 2 de outubro. Serão compromissos importantes para observar as ideias iniciais colocadas em prática e entender como o grupo de jogadores responderá às mudanças implementadas.
A missão de suceder Didier Deschamps certamente não será simples. O antigo treinador deixa um legado marcado por conquistas, regularidade e inúmeras campanhas de destaque, enquanto Zinedine Zidane chega cercado por expectativas quase inevitáveis devido à sua história como jogador e técnico. Ainda assim, poucas seleções parecem reunir tantos ingredientes favoráveis para iniciar um novo ciclo vencedor. Se conseguir transformar todo esse talento em um futebol ofensivo, dominante e eficiente, a França poderá chegar à Copa do Mundo de 2030 novamente como uma das principais candidatas ao título, desta vez guiada por um dos maiores ídolos de toda a sua história.