O melhor ataque da Copa do Mundo de 2026, com 13 gols marcados em apenas quatro partidas, já diz muito sobre a força da seleção francesa nesta Copa do Mundo. Mais do que os números, porém, chama a atenção a maneira como a equipe comandada por Didier Deschamps vem construindo suas vitórias. Com um futebol ofensivo, intenso e tecnicamente refinado, a França tem encantado torcedores e analistas, apresentando, na minha opinião, o melhor desempenho da competição até aqui. Não por acaso, desponta como a principal favorita ao título Mundial.
O talento individual do setor ofensivo francês impressiona por si só. Um ataque formado por Kylian Mbappé, Michael Olise e Ousmane Dembélé é capaz de colocar qualquer defesa do planeta em dificuldades. São jogadores velozes, inteligentes e extremamente criativos, que alternam constantemente de posição e tornam a marcação adversária uma tarefa praticamente impossível. A qualidade técnica desse trio transforma qualquer espaço concedido pelo rival em uma oportunidade clara de gol.
O desempenho coletivo reforça ainda mais essa superioridade. Nas quatro partidas disputadas até o momento, a França balançou as redes pelo menos três vezes em cada uma delas, demonstrando uma regularidade ofensiva rara em competições de tiro curto. Isso evidencia que os Les Bleus chegaram muito bem preparados para a Copa do Mundo, tanto do ponto de vista físico quanto tático. Os franceses conseguem manter intensidade durante praticamente todo o jogo, sem abrir mão da organização.
Talvez a maior notícia positiva desta campanha seja a versão apresentada por Kylian Mbappé. O camisa 10 parece completamente renovado em relação ao que vinha mostrando pelo Real Madrid durante a temporada. Mais feliz em campo, participativo e comprometido com o coletivo, Mbappé voltou a ser aquele jogador capaz de influenciar todos os momentos da partida. Sua postura sem a bola também chama atenção, pressionando a saída adversária e recompondo defensivamente com muito mais frequência.
A goal per game. Kylian Mbappe is unstoppable at World Cups 😤🔥 pic.twitter.com/udmy8JZ2OE
— Sky Sports Football (@SkyFootball) July 1, 2026
Outra dúvida antes do início da Copa do Mundo dizia respeito ao rendimento de Kylian Mbappé atuando como referência ofensiva. A resposta dentro de campo não poderia ter sido melhor. Mesmo escalado como centroavante, ele não permanece preso entre os zagueiros. Pelo contrário, recua para participar da construção, realiza tabelas, atrai a marcação, abre espaços preciosos para as infiltrações dos companheiros e marca gols. Consequentemente, o futebol de Michael Olise, Ousmane Dembélé, Désiré Doué e Bradley Barcola é potencializado.
Nesse contexto, Michael Olise merece um capítulo à parte. O meia-atacante vem desempenhando um papel fundamental na engrenagem ofensiva francesa, atuando de forma centralizada e distribuindo o jogo com enorme inteligência. Contra a Suécia, por exemplo, participou diretamente de praticamente todos os principais lances ofensivos, registrando duas assistências e uma pré-assistência. Sua capacidade de encontrar espaços entre as linhas adversárias tem sido uma das grandes armas da França neste Mundial.
O excelente momento de Michael Olise não surpreende quem acompanhou sua temporada pelo Bayern de Munique. Ele já havia demonstrado enorme evolução no futebol alemão e apenas transportou esse desempenho para a seleção francesa. Ao lado de Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e companhia, encontrou o ambiente ideal para explorar toda a sua criatividade. Hoje, é justo colocá-lo entre os principais destaques individuais da Copa de 2026.
Além da qualidade dos titulares, chama atenção a profundidade do plantel francês. Poucas seleções do planeta podem se dar ao luxo de deixar no banco jogadores como Marcus Thuram, Jean-Philippe Mateta e Rayan Cherki. São atletas capazes de mudar o ritmo de qualquer partida e que, em muitas outras, seriam titulares absolutos. Essa abundância de opções permite a Didier Deschamps manter o nível da equipe mesmo quando promove substituições ao longo dos jogos.
A 🇫🇷 França apresenta uma média superior a três golos por jogo no Mundial 2026: os gauleses somam, já, 13 golos na prova
— Playmaker (@playmaker_PT) July 1, 2026
⚠ A última equipa a marcar 13 + golos nos quatro primeiros jogos de um Mundial tinha sido o 🇧🇷 Brasil, em 2002 – e sagrou-se campeão pic.twitter.com/RV4jwzorJP
Se o ataque encanta, a defesa também respondeu às dúvidas que cercavam os Les Bleus antes da competição. Em quatro partidas, a França sofreu apenas dois gols, demonstrando um sistema defensivo sólido e bem protegido. Adrien Rabiot e Aurélien Tchouaméni vêm formando uma dupla de volantes extremamente eficiente, equilibrando o meio-campo e oferecendo sustentação constante aos defensores. Esse trabalho coletivo facilita bastante a vida da última linha.
Entre os zagueiros, William Saliba confirma o excelente momento que atravessa no Arsenal e se consolida como o principal nome do setor defensivo francês. Seguro nas disputas individuais, forte pelo alto e muito competente na saída de bola, o defensor de 25 anos de idade transmite confiança a toda a equipe. Pelos lados, Jules Koundé e Lucas Digne desempenham funções mais conservadoras, priorizando a solidez defensiva em vez das constantes ultrapassagens ofensivas, o que contribui para o equilíbrio da França.
🔎 A França é a seleção com mais gols em Copas do Mundo desde que Didier Deschamps assumiu a equipe em 2012! 🇫🇷⚽️
— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) June 30, 2026
49 – 🇫🇷 França
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37 – 🇩🇪 Alemanha
36 – 🇦🇷 Argentina
36 – 🇧🇷 Brasil pic.twitter.com/FT2mGZzMgb
Mesmo enfrentando adversários que adotam posturas extremamente reativas, com linhas baixas e muitos jogadores atrás da linha da bola, os franceses encontram soluções com enorme naturalidade. A movimentação permanente dos homens de frente, aliada à velocidade das trocas de passe, permite quebrar bloqueios defensivos que normalmente oferecem enorme dificuldade. A França sabe acelerar quando necessário, mas também demonstra paciência para circular a bola até encontrar o melhor momento para atacar.
Naturalmente, o fato de apresentar o melhor futebol da Copa do Mundo até este momento não significa que a França já possa ser apontada como campeã. Torneios curtos costumam ser definidos por detalhes. Um erro individual, uma expulsão, uma atuação abaixo da média ou até mesmo um dia inspirado do adversário podem mudar completamente o rumo da competição. A história dos Mundiais está repleta de exemplos que comprovam essa realidade.
Ainda assim, ignorar o que a seleção francesa vem produzindo seria fechar os olhos para aquilo que está acontecendo dentro das quatro linhas. Pela qualidade do elenco, pelo desempenho coletivo, pela consistência defensiva, pelo poder de fogo ofensivo e pela capacidade de decidir jogos das mais diferentes maneiras, a França se firma como a principal potência da atualidade. Se conseguirá transformar esse favoritismo em título, apenas o tempo responderá. Mas, até aqui, nenhuma seleção apresentou um futebol tão completo e convincente quanto os comandados de Didier Deschamps.