Portugal, campeão da Euro 2016

Fantástico, assim posso definir a conquista da Eurocopa pela seleção de Portugal, afinal, vencer a França em pleno estádio de France, completamente lotado, é algo alcançado por poucos. A partida foi uma verdadeira batalha, onde os portugueses superaram o limite do físico e do psicológico, para então, depois de doze anos da fatídica final diante da Grécia no estádio da Luz, quando foram derrotados por 1 a 0, eles puderam tirar o grito entalado na garganta, e enfim pela primeira vez levantarem a taça de campeão da Eurocopa.
Considerada uma zebra pela maior parte da mídia, a seleção de Portugal entrou em campo frente aos franceses com a mesma proposta de jogo que utilizou durante todas as partidas na Eurocopa, uma equipe sólida defensivamente, que costuma roubar a bola do adversário no seu campo de defesa, para então explorar os velozes contra-ataques, em sua maioria, puxados por Nani e Cristiano Ronaldo, além de aproveitar o bom jogo aéreo que lhe é peculiar, sempre com Pepe, William Carvalho, Cristiano Ronaldo e José Fonte dando muito trabalho aos oponentes. Iniciando no esquema 4-1-3-2, o técnico Fernando Santos armou uma forte linha de quatro homens na defesa com Cédric, Pepe, José Fonte e Raphael Guerreiro, utilizando o volante William Carvalho à frente dessa linha de quatro, e um pouco adiante, posicionou uma linha de três meio-campistas composta por Renato Sanches, Adrien Silva e João Mário que davam suporte tanto na armação de jogadas, quanto na marcação. Já na frente, Nani e Cristiano Ronaldo ficaram encarregados de puxar os contra-ataques, além de preencher espaços no meio quando Portugal estava sem a bola.
No início do jogo, a França partiu pra cima, e Griezmann quase fez um gol de cabeça, mas Rui Patrício, um dos destaques da partida, fez ótima defesa. O drama português começou quando aos 8 minutos de bola rolando, o craque Cristiano Ronaldo sofreu uma falta de Payet no meio-campo, e com suspeita de ruptura do ligamento do joelho, o camisa 7 português foi substituído aos prantos, ainda nos 23 minutos da primeira etapa. Gostaria de aproveitar a oportunidade, para esclarecer que na minha visão, Dimitri Payet deu uma entrada normal em Cristiano Ronaldo, usou certa força, mas visou a bola, e em partidas como essas (finais), as disputas são intensas, afinal todos querem ganhar, mas volto a frisar, foi uma jogada normal e para a infelicidade de Ronaldo, o joelho dele acabou virando. Achei um absurdo comentaristas esportivos dizerem que foi uma falta desleal, digna de cartão amarelo e até vermelho. Acho uma entrada totalmente maldosa, aquela que Neymar recebeu de Zuniga na Copa do Mundo, essa sim, merecedora de expulsão, diferentemente da infração de Payet.

blog
Cristiano Ronaldo chora ao sair ainda no primeiro tempo, devido a uma contusão no joelho.

Com a saída do capitão do time, Ricardo Quaresma entrou exercendo a mesma função de Cristiano Ronaldo, portanto, a equipe portuguesa só perdeu mesmo em qualidade técnica individual, pois o esquema se manteve o mesmo. A França comandou as ações no primeiro tempo, buscou mais o gol, tentando aproveitar o abalo psicológico dos portugueses, e assustava demasiadamente com as chegadas de Sissoko, o principal nome dos franceses no jogo.
Na segunda etapa, o jogo iniciou morno, com ambas seleções não encontrando espaços em campo, porém com a entrada de Coman e a saída de Payet, a França ganhou mais velocidade, e o talento de Coman se sobressaiu, afinal, tanto Griezmann, quanto Pogba estavam apagados na partida. Passando sufoco, o treinador Fernando Santos mexeu pela segunda vez, sacou Adrien Silva para colocar João Moutinho, dando mais qualidade na saída de bola e controlando a mais o jogo. Não satisfeito, o treinador português queimou todas suas substituições, e mandou o atacante Éder ao gramado, no lugar do meio-campista Renato Sanches, aumentando com isso o poderio ofensivo de sua equipe. Mesmo assim a França continuou pressionando na maior parte da segunda etapa, até que aos 45 minutos, o atacante Gignac, que havia acabado de entrar, acertou uma bola na trave, depois de um bate rebate na área de Portugal. Com sorte e superação os portugueses seguraram o placar, levando a decisão do confronto para a prorrogação.
Na primeira etapa da prorrogação, Portugal conseguiu equilibrar as ações, após mudar o esquema para o 4-1-4-1, deixando o atacante Éder isolado no ataque, e posicionando Nani, João Moutinho, João Mário e Quaresma numa linha de quatro homens à frente do volante William Carvalho. Somente escanteios de ambas equipes, levam perigo no primeiro tempo da prorrogação, que já apresentava o cansaço dos jogadores.
Na etapa final do tempo extra, a seleção portuguesa foi pro tudo ou nada, querendo evitar a decisão por pênaltis, Portugal começou assustando a França e logo aos 3 minutos, o lateral-esquerdo Raphael Guerreiro acertou o travessão de Lloris após cobrança de falta próxima a área. No ataque seguinte, veio a ducha de água fria para os comandados de Didier Deschamps. Ao receber a bola na frente, Éder consegue achar espaço, e acerta um belo chute no canto direito de Lloris, para explodir de alegria a torcida portuguesa presente em Saint-Denis. Os minutos finais foram de ataque contra defesa, onde a desesperada França atacava, e Portugal bravamente se defendia. Até que o apito final do árbitro inglês Mark Clattenburg, consolidou de vez o placar final, 1 a 0, garantindo assim o título à Portugal.
Novamente a Eurocopa nos proporcionou uma final histórica, e o roteiro não poderia ser diferente, nos apresentando primeiramente o choro de sofrimento de Cristiano Ronaldo ao deixar a partida, para depois nos mostrar o comovente choro de felicidade do craque, que sem sombra de dúvidas, é o maior jogador da história de Portugal. Tivemos também o improvável herói Éder que entrou no final do segundo tempo, e levou milhares de portugueses aos prantos com a primeira conquista de uma seleção que há anos batia na trave, e ontem, feliz, pôde soltar o grito de campeão. Parabéns Portugal, pelo merecido e emocionante título da Eurocopa 2016.

Deixar um comentário

Menu