Boca Juniors, campeão argentino 2016/17

Mesmo estando diante da televisão sem estar acompanhando o seu time em campo, os torcedores do Boca Juniors tiveram motivos mais do que especiais para comemorar a abertura da 29ª rodada do Campeonato Argentino. Digo isso, pois os xeneizes (apelido dos torcedores do Boca) puderam enfim soltar o grito de campeão, tudo porque o vice-colocado Banfield perdeu do San Lorenzo por 1 a 0, e com isso não tem mais chances matemáticas de alcançar o líder da competição. Este é o primeiro título de Guillermo Barros Schelotto como treinador do Boca Juniors, lembrando que na época em que atuava como atleta profissional, ele já era considerado um dos maiores ídolos do clube mais popular da Argentina.
O cenário para o Boca Juniors não poderia ser melhor, afinal, o San Lorenzo, quarto colocado do campeonato receberia o segundo colocado Banfield, no estádio Nuevo Gasómetro aonde a campanha do time de Diego Aguirre (técnico do San Lorenzo) é incrível, portanto, todos presumiam que a noite seria realmente especial aos xeneizes. Depois de um primeiro tempo bastante amarrado, ambas equipes foram para os vestiários empatados com o zero no placar, e voltaram para os 45 minutos finais, se arriscando em busca da vitória. E foi logo aos 10 minutos da segunda etapa, que o atacante Fernando Belluschi abriu o marcador para o time do Papa Francisco, após receber ótimo passe de Néstor Ortigoza, gol esse comemorado tanto pela torcida presente no estádio quanto pelos milhões de adeptos do Boca Juniors espalhados pelo mundo. O Cíclon (apelido do San Lorenzo) ainda teve a oportunidade de ampliar sua vantagem através de uma cobrança de pênalti, porém Néstor Ortigoza a desperdiçou. A derrota manteve o surpreendente Banfield na 2ª posição do Campeonato Argentino com 54 pontos, e restando somente um jogo para a equipe que está quatro pontos atrás do Boca Juniors (59 pontos) no torneio, o sonho de conquistar o titulo acabou. O River Plate (52 pontos – 28 jogos) segue no terceiro posto, enquanto o San Lorenzo aparece logo abaixo na quarta posição da tabela (52 pontos – 29 jogos).

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Curiosamente, podemos considerar o tento de Fernando Belluschi, do San Lorenzo, como o gol do título do Boca Juniors.

A conquista do Boca Juniors é inquestionável, basta olharmos a performance dos comandados de Guillermo Barros Schelotto no Campeonato Argentino. Líder isolado com 59 pontos, o Boca coleciona 17 vitórias, 8 empates e 3 derrotas em 28 jogos disputados, ou seja, um aproveitamento de 70,2%. Além disso, os xeneizes contam com o melhor ataque (58 gols marcados) e também com a melhor defesa (23 gols sofridos) da competição, desta maneira, fica bastante nítido que o título ficou mesmo com o concorrente mais estável do torneio. Um dos segredos do campeão, foi o seu excelente desempenho atuando fora de seus domínios, pois o time tem a segunda melhor campanha como visitante, contabilizando 27 pontos em 14 partidas, enquanto diante de sua torcida, no glorioso estádio La Bambonera, o Boca Juniors é apenas a quarta melhor equipe com 32 pontos em 14 jogos. E não para por aí, o artilheiro do campeonato também veste as cores azul e amarela, me refiro ao goleador Dario Benedetto, de 27 anos, que está na ponta da artilharia com 18 gols marcados até aqui, relembrando que restam duas rodadas para o Boca encerrar sua participação no Campeonato Argentino.

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Os jogadores do Boca Juniors comemoraram o título no hotel que estão hospedados em Bahía Blanca. Trajados de fantasmas, alguns deles provocaram o grande arquirrival River Plate.

Ídolo na época em que brilhava com a camisa 7 do Boca Junior, Guillhermo Barros Schelotto conquistou ontem o título mais importante de sua curta carreira como técnico. Guille, como é carinhosamente chamado pelos torcedores xeneizes, iniciou sua trajetória fora das quatro linhas no Lanús em 2012, aonde permaneceu até o ano de 2015, tendo sempre ao lado, como auxiliar, o irmão gêmeo Gustavo Barros Schelotto, seu fiel escudeiro. No Granate (apelido do Lanús), Schelotto ergueu a taça de campeão da Copa Sul-Americana em 2013, e até então esse havia sido o seu maior triunfo como treinador. Após uma breve passagem pelo Palermo (5 partidas), clube italiano que não permaneceu por não ter a licença da FIFA, o jovem comandante de 42 anos transferiu-se ao Boca Juniors no início de 2016, para substituir o antecessor Rodolfo Arruabarrena, mas logo de cara Schelotto foi bastante questionado por decorrência da eliminação da equipe na semifinal da Copa Libertadores 2016 para o inexpressivo Independiente del Valle (Equador), e apesar de ser considerado um dos maiores nomes da história do clube da Bambonera, por muito pouco ele não foi demitido do time. De forma assertiva, o presidente Daniel Angelici bancou a permanência de Schelotto no comando técnico do Boca Juniors, e graças a essa decisão, hoje os torcedores comemoram mais essa conquista.

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Guillermo Barros Schelotto, além de ser um ídolo do Boca Juniors como jogador, transformou-se também como treinador.

Seria totalmente injusto não citar os nomes de alguns outros jogadores, que foram fundamentais na conquista do Boca Juniors. Trata-se de Fernando Gago, Rodrigo Betancur, Cristian Pavón, Ricardo Centurión e de Carlos Tévez. Começando pelo último (Carlitos), que antes de transferir-se ao futebol da China, ajudou muito o Boca no início do Campeonato Argentino, sendo decisivo em algumas vitórias do time que no final consagrou-se campeão. Já o rodado Fernando Gago de 31 anos, aquele mesmo que atuou pelo Real Madrid, Roma e Valencia, sofreu ao longo da temporada com os sequentes problemas de lesões, porém esses contratempos não foram suficientes para tirar mais esse troféu do currículo do volante. Enquanto isso, os jovens Cristian Pavón e Rodrigo Betancur, de 21 e 20 anos, respectivamente, foram as grandes revelações dos xeneizes no torneio, e por conta da idade e do enorme talento, dificilmente permanecerão no clube, haja visto o interesse de diversas agremiações do Velho Continente pelo futebol dos novatos. Para finalizar com chave de ouro, mencionarei Ricardo Centurión, um dos maiores responsáveis pelo sucesso do Boca Juniors. Ele que herdou a camisa 10 do time, conseguiu fazer jus ao número que um dia pertenceu a Diego Maradona, Juan Roman Riquelme, e posteriormente a Carlos Tévez. Ao todo, Centu balançou as redes adversárias em sete oportunidades ao longo da competição, e por isso, sua permanência será implorada pela torcida do clube da capital argentina. O contrato dele é válido somente até o próximo dia 30, depois disso, ele retornará ao São Paulo, detentor de seus direitos federativos.

 

Mesmo com uma série de problemas extra-campo, Ricardo Centurión caiu nas graças do torcedor do Boca Juniors, que sonham com a permanência do atleta na Bambonera.
Mesmo com uma série de problemas extra-campo, Ricardo Centurión caiu nas graças dos torcedores do Boca Juniors, que sonham com a permanência do atleta na Bambonera.

Esse foi o 32º título do Campeonato Argentino conquistado pelo Boca Juniors, que permanece como o segundo maior campeão da história, atrás somente do River Plate que tem 36 conquistas na bagagem. O último vencedor da competição havia sido o Lanús em 2016, ressaltando que o Boca ergueu a taça pela última vez no ano de 2015. Além de festejarem mais esse triunfo, os torcedores xeneizes comemoram também o retorno do time à Copa Libertadores na próxima temporada, torneio este, que o clube da Bambonera já venceu em seis ocasiões. As pretensões do Boca Juniors são grandes para disputar a competição, tanto é, que o presidente Daniel Angelici afirmou que seu desejo agora é trazer os craques Paulo Henrique Ganso, atualmente no Sevilla, além do volante chileno Gary Medel, que está na lista de dispensa da Internazionale. Um possível retorno de Carlos Tévez, que foi comprado em janeiro pelo Shanghai Shenhua (China), também não está descartado, porém Carlitos só viria mesmo em 2018. O Boca Juniors entrará em campo na noite desta quarta-feira, às 19:45 (horário de Brasília) para encarar o Olimpo, em Bahía Blanca. Mas é certo que a festa será completa no próximo domingo, quando os pupilos de Guillermo Barros Schelotto enfrentarão o Unión de Santa Fé, em casa, pela última rodada do Campeonato Argentino.

 

 

 

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