Assim como a humanidade, o futebol também não para de evoluir, basta analisarmos alguns grandes clubes do Velho Continente, que são administrados por donos, na maioria das vezes bilionários que fazem o possível e o impossível para levar esse time ao sucesso através de títulos, contratações de estrelas e internacionalização da marca. Um belo exemplo disso é a MLS (Major League Soccer) que atualmente conta com 20 franquias totalmente comandadas por investidores multimilionários. Pois é, acontece que no Brasil as coisas ainda não funcionam desta maneira, muito pelo contrário, aqui o que vemos são velhas e conhecidíssimas figuras gerindo os clubes de forma muitas vezes bizarra, sem que nada aconteça, pois o estatuto não permite uma punição severa ao presidente no caso deste cometer corrupção, fraudes ou atos ilícitos, o máximo que irá ocorrer é esse mandatário ser destituído do cargo através do impeachment, algo que conhecemos tão bem. Para ilustrar melhor isso tudo, podemos citar o ex-presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, que após diversos escândalos envolvendo pagamento de propina para empresários, além do recebimento de dinheiro em vendas de atletas, saiu do Morumbi direto para sua casa como se nada tivesse transcorrido, e o pior, até hoje nenhuma punição lhe foi imposta.
Sabemos que clubes brasileiros não tem donos, logo seria impossível investidores comprá-los, porém o Palmeiras provou a todos que a união entre companhias multinacionais e equipes de futebol pode sim, render bons frutos, tanto é, que no início da década de 90, o Verdão montou um verdadeiro esquadrão, saiu da fila de 17 anos sem títulos, e conquistou praticamente tudo, sendo essa, a época mais gloriosa do time ao longo da história. Logicamente que o contrato entre uma agremiação e uma empresa multinacional precisa ser bastante vantajosa, e clinicamente analisada pelo setor jurídico do clube, ou então, é normal vermos essa equipe ir literalmente para o buraco, assim como aconteceu com o Flamengo/ISL, Vasco/Nations Bank, além do Corinthians/Banco Excel e posteriormente Hicks Muse e MSI.

Curiosamente, mais uma vez o Palmeiras deu um passo adiante em relação aos seus demais concorrentes, e em 2015 assinou uma parceria com a Crefisa, banco de crédito pessoal. Vale ressaltar que existe uma diferença enorme do vínculo contratual da Crefisa e da Parmalat, já que a multinacional italiana mantinha um regime profissional, ou seja, era ela a responsável por administrar inteiramente o Palmeiras, enquanto a companhia brasileira, é apenas a patrocinadora master do uniforme do time, além de também colaborar na contratação de reforços. Com a chegada da Crefisa, o conjunto alviverde que travou uma intensa batalha contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro 2014, escapando da degola na última rodada da competição, viu todo esse drama ficar no passado, pois logo em seus dois primeiros anos, a empresa investiu a bagatela de 132 milhões de reais na equipe. Consequentemente, o Verdão ergueu a taça da Copa do Brasil 2015 e do Campeonato Brasileiro 2016. Vislumbrando um sucesso ainda maior, no inicio deste ano o Palmeiras e a Crefisa, através da presidente Leila Pereira, estenderam esse contrato por mais duas primaveras, sendo que neste novo acordo, o clube aceitou receber o montante de 150 milhões de reais (em dois anos), mais um bônus de R$ 40 milhões caso conquiste todos os títulos da temporada.

Com mais de 100 milhões de reais investidos só na compra de reforços, todos esperavam o Palmeiras dominando todas as competições este ano. No entanto, uma série de contratempos fizeram do alviverde a grande decepção da temporada, tudo porque os palmeirenses não ganharam absolutamente nada em 2017. O primeiro equívoco do departamento de futebol foi a contratação do treinador Eduardo Baptista, que logo que foi anunciado oficialmente como novo técnico do Verdão, começou a ser extremamente questionado tanto por torcedores quanto por conselheiros. Não à toa, ele foi demitido menos de cinco meses após a sua chegada, permanecendo apenas 23 jogos à frente do time. Assim, para a alegria de toda a nação palestrina, o bajulado Cuca, que havia conquistado o Campeonato Brasileiro 2016, voltou ao clube. Mas diferentemente do que todos esperavam, a segunda passagem dele foi bastante conturbada, pois além de ser eliminado da Copa do Brasil e da Copa Libertadores, o comandante alviverde se desentendeu com o volante Felipe Melo, algo que estremeceu os bastidores do Verdão. Depois de uma sucessão de maus resultados, Cuca também foi demitido, dando lugar ao interino Alberto Valentim, que nada conseguiu fazer para evitar o título nacional do arquirrival Corinthians.

Com a segunda posição no Campeonato Brasileiro 2017, o Palmeiras garantiu sua vaga na fase de grupos da próxima Copa Libertadores, por isso, o planejamento da temporada 2018 já começou pelos lados do Parque Antártica. A primeira novidade apresentada foi o treinador Roger Machado, que após uma passagem apagada pelo Atlético Mineiro, terá a oportunidade de comandar a equipe mais rica do Brasil. E não para por aí, se em 2017 o Verdão gastou R$ 116,9 milhões para trazer reforços, este ano as coisas não serão diferentes, já que o diretor de futebol palmeirense, Alexandre Mattos, está investindo pesado na contratação de novos atletas. Em pouco menos de um mês, o Palmeiras anunciou a chegada do lateral-esquerdo Diego Barbosa, ex-Cruzeiro, por R$ 17,2 milhões. Além dele, foram confirmados também o zagueiro Emerson Santos, ex-Botafogo, que recebeu do clube paulista R$ 5,5 milhões de luvas para fechar o negócio, e por último o meia Lucas Lima, ex-Santos, comprado por 50 milhões de reais, valor que inclui salários, luvas, comissões para o empresário do jogador, e bonificações. Com isso, é correto afirmar que o conjunto alviverde desembolsou o total de R$ 72,7 milhões, e detalhe, a intenção de Alexandre Mattos é fortalecer ainda mais o elenco, portanto, novos nomes irão pintar no time, dentre eles estão o goleiro Weverton (Atlético Paranaense), o lateral-direito Rafinha (Bayern Munique) o meia Gustavo Scarpa (Fluminense), e o atacante Ricardo Goulart (Guangzhou Evergrande). Levando em consideração o crescimento da marca Palmeiras nos três anos anteriores, as permanentes contratações de grandes astros, além da chance de entrar em qualquer competição como franco favorito à vencê-la, constatamos que uma boa parceria é fundamental para o sucesso de um clube nos dias atuais.