Ter ficado de fora da Copa do Mundo da Rússia foi um verdadeiro balde de água fria na cabeça do Chile, que sonhava em fazer bonito no Mundial deste ano após a conquista do bicampeonato da Copa América. Agora, restou aos comandados de Reinaldo Rueda focarem totalmente na Copa do Qatar em 2022.
Eliminatórias da Copa 2018:
A expectativa diante do Chile nas Eliminatórias da Copa da Rússia 2018 eram grandes, afinal, a La Roja havia aparecia como uma das favoritas a classificar-se ao Mundial depois de fazer bonito ao conquistar pela primeira vez ao longo da história, a Copa América, e detalhe, os chilenos venceram tanto a edição de 2015 no próprio Chile quanto a edição especial do torneio em 2016 nos Estados Unidos, conhecida como Copa América Centenário. Além disso, a seleção na época comandada por Juan Antonio Pizzi contava com a sua melhor safra de jogadores até hoje, chamada de “geração dourada”, não à toa, estrelas como Arturo Vidal, Alexis Sánchez e Claudio Bravo figuravam na equipe.
Entretanto, como no futebol não existe lógica, a campanha do Chile nas Eliminatórias pode ser considerada um tremendo fiasco, isso porque os chilenos encerraram sua participação na competição somente na sexta posição da tabela com 26 pontos ganhos, contabilizando 8 vitórias, 2 empates e 8 derrotas em dezoito partidas disputadas, obtendo assim, 48,1% de aproveitamento.

Problemas internos:
Seria muito vago de nossa parte achar que a desclassificação da La Roja nas Eliminatórias foi uma mera coincidência. Segundo a mídia chilena, a falta de comprometimento de alguns jogadores foi o ponto crucial para o insucesso do Chile na competição. O ex-treinador da seleção chilena, Jorge Sampaoli, já havia informado em entrevistas que os atletas Gary Medel, Matías Fernández, Jorge Valdívia, Eduardo Vargas, Mauricio Pinilla, Alexis Sánchez e Arturo Vidal estavam passando dos limites. Uma situação que retrata muito bem isso, foi quando o volante do Bayern Munique se apresentou bêbado à concentração, e por este motivo, foi dispensado por Sampaoli.
Por essas e outras, o atual técnico da seleção argentina chegou a declarar que os excessos, as bebidas e as festas deixariam o Chile de fora do Mundial, a não ser que a postura de boa parte do grupo mudasse de forma radical, algo que definitivamente não ocorreu. O único integrante do elenco sempre elogiado pelo ex-comandante, era o goleiro Claudio Bravo, considerado um exemplo dentro e fora das quatro linhas.

Era Reinaldo Rueda:
A era Reinaldo Rueda terá início na tarde deste sábado, quando o Chile entrar no gramado da Friends Arena para encarar a Suécia. No entanto, o ex-técnico do Flamengo mal chegou e já está tendo de lidar com um contratempo, a ausência de Claudio Bravo.
Depois de Reinaldo Rueda elaborar sua primeira lista de convocados para os amistosos do Chile frente a Suécia e a Dinamarca, respectivamente, o capitão chileno informou através de um comunicado que não integraria a seleção de seu país pelo fato dela não ter um treinador de goleiros de sua confiança. Dessa maneira, o goleiro do Manchester City evidenciou seu descontentamento com a Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile (ANFP), presidida por Arturo Salah.
Muitos acreditam que o real motivo do pedido de dispensa de Claudio Bravo, é a sua conturbada relação com boa parte do elenco da La Roja, porém isso foi negado veementemente pelo atacante Alexis Sánchez, um dos líderes da equipe. Essa ponderação ganhou notoriedade após a esposa de Bravo fazer críticas pesadas sobre alguns jogadores nas redes sociais, no período em que o Chile terminou as Eliminatórias na sexta posição, ficando de fora da Copa do Mundo. Esta aí um belo abacaxi para o treinador colombiano descascar.

O futuro está logo aí:
Acompanhar a Copa do Mundo pela televisão certamente será uma dura experiência aos chilenos, por isso, a ANFP decidiu contratar o treinador Reinaldo Rueda, campeão da Copa Libertadores 2016 com o Atlético Nacional de Medelín, e conhecido mundialmente pelo bom trabalho desenvolvido nos selecionados de Honduras (2007 até 2010) e do Equador (2010 até 2014). A intensão do Chile, é conquistar o tricampeonato da Copa América em 2019 no Brasil, e obviamente garantir uma vaga no Mundial de 2022 no Qatar.
Com esse projeto em mente, Reinaldo Rueda já convocou uma série de jovens promessas do futebol chileno como Guillermo Maripán, Erick Pulgar, Ángelo Sagal e Marcos Bolados, para integrar a seleção ao lado dos consagrados Arturo Vidal e Alexis Sánchez, buscando assim renovar a equipe. Dos 24 atletas presentes na lista de Rueda, sete jogam no Colo Colo, três atuam na Universidad Chile enquanto outros dois defendem as cores da Universidad Católica.
A trajetória de Reinaldo Rueda à frente da La Roja está apenas começando, e pelo jeito, o colombiano terá um longo e árduo trabalho pela frente, a começar pela parte extra-campo, e depois pelo processo de organizar a reformulação do combinado andino. Competência para isso ele tem, só nos resta saber se Rueda será capaz de conduzir essa nave desgovernada chamada Chile ao caminho das vitórias.