Novos Horizontes

A notícia de que o brasileiro Elkeson defenderá as cores da seleção chinesa, causou uma enorme polêmica no país asiático. Todavia, mesmo em meio a toda essa repercussão, o treinador Marcello Lippi já vislumbra a possibilidade de ter outros atletas brasileiros vestindo a camisa da China.

O futebol nunca despertou o interesse dos chineses, muito pelo contrário, a nação mais populosa do mundo sempre deu maior importância ao basquete, as artes marciais, o badminton e ao tênis de mesa. Entretanto, o futebol cresceu de maneira considerável depois que a China participou pela primeira vez de uma Copa do Mundo, um feito alcançado no ano de 2002, quando o Mundial foi disputado nos vizinhos Coréia do Sul e Japão, lembrando que o selecionado chinês, conhecido popularmente como “A Grande Muralha“, afiliou-se à Fifa somente em 1931. Naquela oportunidade, a China, que dividia o grupo C ao lado de Brasil, Turquia e Costa Rica, ficou na lanterninha da chave, somando três derrotas em três jogos disputados.

Embora a seleção chinesa não tenha mais participado de nenhum Mundial desde a Copa de 2002, o futebol cresceu muito na país, atingindo níveis jamais antes imaginados. Não à toa, a Superliga Chinesa, composta por 16 clubes, é considerada a principal liga do continente asiático. Aliás, alguns badalados nomes do mundo da bola disputam a competição na atualidade, como são os casos de Marko Arnautovic, Stephan El Shaarawy, Marek Hamsik, Cédric Bakambu, Yannick Carrasco, Salomón Rondón, Mousa Démbéle, Marouane Fellaini, Sandro Wagner, além dos brasileiros Paulinho, Oscar, Hulk, Ricardo Goulart, Anderson Talisca, Renato Augusto, Miranda, entre outros.

Ao lado de Luiz Felipe Scolari, o treinador Marcello Lippi é o treinador mais vezes campeão da liga chinesa, com três títulos no currículo. Por esta razão, o técnico italiano foi escolhido para comandar a seleção da China.
Ao lado de Luiz Felipe Scolari, o treinador Marcello Lippi é o treinador mais vezes campeão da liga chinesa, com três títulos no currículo. Por esta razão, o técnico italiano foi contratado para comandar a seleção da China.

E não é somente dentro das quatro linhas que a Superliga Chinesa é repleta de grandes astros do futebol, visto que fora delas, os treinadores Vitor Pereira, Fabio Cannavaro, Rafa Benítez, Bruno Génésio, Roberto Donadoni, Jordi Cruijff, Uli Stielike, Luis Garcia e Dragan Stojkovic comandam algumas das principais equipes chinesas. Vale ressaltar, que Marcello Lippi, atual técnico da seleção da China, foi um dos primeiros treinadores a desembarcar no país asiático para dirigir o Guangzhou Evergrande, clube mais vezes campeão chinês, com sete títulos na bagagem.

Diante deste cenário, o futebol cresceu de maneira abrupta na China, tanto é, que 237 milhões de chineses afirmaram recentemente, que o futebol passou a ser o seu esporte favorito. Uma prova disso é o aumento em relação a média do público presente nos estádios nos últimos anos. Para se ter uma ideia, em 2004, ano em que a Superliga Chinesa foi realizada pela primeira vez, registrou-se uma média de 10.838 pessoas por jogo. Em 2009, há dez anos, a média foi de 16.059. Já na edição anterior do torneio, disputada em 2018, obteve-se a média de 24.107 torcedores por partida. Além disso, a liga chinesa passou a ser transmitida para diversos outros países, dentre eles o Brasil, que tem a ESPN como detentora dos direitos televisivos da competição.

Em reunião com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que o seu projeto é tornar a China uma das grandes potências do futebol mundial até 2050.
Em reunião com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que o projeto do governo chinês visa tornar a China uma das grandes potências do futebol mundial até 2050.

As altas cifras investidas pelo governo chinês no futebol, tem como objetivo transformar a China em uma potência do esporte até o ano de 2050, portanto trata-se de um projeto à longo prazo. Em contrapartida, este planejamento já teve início há uma década, após a disputa das Olimpíadas de 2008, realizada em Beijing, para ser mais específico. E para dar continuidade a este plano, a CTFA (Federação Chinesa de Futebol) escolheu Marcello Lippi, famoso treinador italiano, três vezes campeão chinês à frente do Guangzhou Evergrande, para comandar a Grande Muralha.

No primeiro momento, esta escolha foi comemorada pelos torcedores chineses, porém algumas decisões tomadas pelo técnico de 71 anos de idade estão sendo bastante questionadas no país. A principal delas, é fazer com que alguns jogadores estrangeiros se naturalizem chineses, para defenderem as cores da Grande Muralha. O primeiro atleta sem raízes chinesas que vestirá a camisa da seleção na história, será o brasileiro Elkeson, ex-jogador do Vitória e do Botafogo, que atua na Superliga Chinesa desde 2013. Vale ressaltar que o inglês Nico Yennaris também joga pela China, mas a sua convocação não rendeu críticas porque ele é filho de mãe chinesa, tendo assim, laços familiares com os asiáticos.

Para a fúria dos chineses, a ideia de Marcello Lippi é aumentar ainda mais o número de estrangeiros na seleção, uma vez que o treinador italiano já convenceu os brasileiros Ricardo Goulart, Alan Carvalho, Fernandinho e Aloísio, a seguirem os mesmos passos de Elkeson. Com todos à disposição, é evidente que a China entraria nas Eliminatórias Asiáticas da Copa de 2022 com uma equipe bastante competitiva. A estreia da Grande Muralha no torneio acontecerá no dia próximo dia 10, diante da Maldivas. A lista de convocados de Lippi para esta partida será divulgada dentro de alguns dias, mas até lá, não seria nenhuma surpresa vermos mais jogadores tupiniquins integrando a seleção chinesa, deixando a camisa tradicionalmente vermelha, com tons de verde e amarelo. Aguardemos!

 

 

 

 

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