Tragédia anunciada

A desastrosa temporada realizada pelo Espanyol terminou da maneira que todos imaginavam, isto é, com o rebaixamento da equipe catalã depois de longos 26 anos figurando no alto escalão da Terra das Touradas.

A temporada 2019/20 foi um verdadeiro pesadelo para o Espanyol, não à toa, o “primo pobre” da cidade de Barcelona teve o rebaixamento confirmado com três rodadas de antecedência na LaLiga. E para piorar ainda mais a situação, foi justamente a derrota por 1 a 0 em pleno Cornellà-El Prat diante de seu maior rival no Dérbi da Catalunha, que sacramentou o descenso dos periquitos. Ou seja, o conjunto azul e branco não poderia escolher um final mais trágico do que esse para despedir-se da primeira divisão, até porque, convenhamos, encarar um rebaixamento não é uma tarefa nada fácil.

No entanto, seria um equívoco apontar o revés no clássico frente o Barcelona como o responsável pela queda do Espanyol, visto que o time catalão seguiu à risca a cartilha do rebaixamento. A começar pela abusiva troca de técnicos ao longo da temporada, lembrando que QUATRO treinadores dirigiram os periquitos neste período – David Gallego, Pablo Machín, Abelardo e Francisco Rufete. Aliás, é importante salientar que o atual comandante da equipe era o diretor esportivo do clube azul e branco, e assumiu o cargo quando restavam somente sete rodadas para o término da LaLiga.

Outro grande erro cometido pela diretoria azul e branca, foi negociar os jogadores Borja Iglesias e Mario Hermoso junto ao Betis e Atlético de Madrid, respectivamente, afinal, tanto Iglesias quanto Hermoso, foram fundamentais na ótima campanha do Espanyol na temporada passada, que culminou com a classificação da equipe de Barcelona à Europa League em virtude da sétima posição na edição 2018/19 da LaLiga.

Para preencher as lacunas deixadas por Borja Iglesias e Mario Hermoso, os periquitos contrataram o atacante Raúl De Tomás e o zagueiro Leandro Cabrera, que – definitivamente – não renderam o esperado. Ademais, as vindas de Naldo, Sebastién Corchia, Fernando Calero, Ander Iturraspe, Matías Vargas, Adrián Embarba e Jonathan Calleri também não elevaram o nível técnico do time, tanto é, que o Espanyol não conquistou nem a metade dos pontos da equipe de Rubi na temporada anterior.

Por essas e outras, o Espanyol passou a maior parte da temporada na posição que ocupa atualmente na LaLiga, a lanterninha. Somando míseros 24 pontos em 35 jogos disputados – 5 vitórias, 9 empates e 21 derrotas -, os comandados de Francisco Rufete obtêm 22,9% de aproveitamento através desta péssima campanha. Com 27 tentos marcados no campeonato, o ataque dos periquitos só supera o do Leganés, que balançou as redes em 25 oportunidades, ao passo que a defesa, vazada 55 vezes, só não é pior em relação à do Mallorca, que sofreu o montante de 59 gols.

Caros torcedores, a maior responsabilidade pelo mau resultado esportivo do Espanyol nesta temporada é minha. Portanto, quero expressar minhas sinceras e profundas desculpas à todos que se preocupam com o time. Ao mesmo tempo, promoveremos fortemente o desenvolvimento do clube. Por meio de esforços incessantes e trabalho duro, a equipe retornará à primeira divisão, onde merece estar na história”, disse o presidente do Espanyol, Chen Yansheng.

Conforme as palavras do próprio presidente Chen Yansheng, a diretoria pelo menos assumiu a culpa pelo rebaixamento do Espanyol. Apesar da queda à segunda divisão já estar confirmada, o futuro ainda é incerto pelos lados do Cornellà-El Prat, mas ao que tudo indica, o elenco azul e branco sofrerá uma grande reformulação, já que os contratos dos jogadores Diego López, Naldo, Dídac Vilà, Ander Iturraspe e Javi López se encerrarão ao término da temporada, enquanto os emprestados Facundo Ferreyra, Bernardo Espinosa e Jonathan Calleri, certamente não permanecerão no clube catalão.

Deixar um comentário

Menu