Fim do ciclo ou ciclo do fim?

A conturbada temporada 2019/20 terminou de forma melancólica ao Atlético de Madrid, isso porque os colchoneros se despediram da Champions League após o revés por 2 a 1 frente o RB Leipzig, adiando mais uma vez o tão desejado sonho de erguer a orelhuda.

Chegar nas quartas de final da Champions League foi um feito e tanto conquistado pelo Atlético de Madrid, afinal, o time espanhol superou o atual campeão, Liverpool, nas oitavas de final, lembrando que os comandados de Diego Simeone garantiram a classificação em pleno Anfield Road depois de uma verdadeira batalha que só foi decidida na prorrogação da partida. Por este motivo, o Atleti desembarcou em Lisboa – aonde está sendo disputada a fase final do torneio – sendo apontado como um dos grandes favoritos ao título continental.

É importante salientar, que o Atlético de Madrid carrega consigo uma enorme pressão quando entra em campo pela Champions League, tudo em virtude dos sucessivos fracassos do time na competição. Todavia, muitos acreditavam que os colchoneros superariam esses “traumas” nesta temporada, a começar porque o Real Madrid, equipe que despachou o Atleti QUATRO vezes na “era Simeone”, já havia sido eliminado pelo Manchester City na fase anterior. Além disso, o seu outro algoz, Cristiano Ronaldo, também se despediu precocemente do torneio, devido à queda da Juve mediante o Lyon.

Ademais, os altíssimos investimentos realizados pelo Atlético de Madrid no início da temporada elevaram o nível da equipe e, consequentemente, fizeram com que a pressão também aumentasse sobre os colchoneros. Contudo, nenhum destes motivos foram suficientes para que o Atleti, enfim, conquistasse o tão sonhado título da Champions League, visto que a derrota diante do RB Leipzig, culminou com a eliminação dos rojiblancos nas quartas de final do torneio.

Obviamente, qualquer eliminação acaba sendo dolorosa aos torcedores. Entretanto, a de ontem ainda não foi digerida pelos colchoneros, sobretudo porque o Atlético de Madrid preferiu abdicar do jogo para apenas defender-se, logo, a estratégia adotada por Diego Simeone foi dar a bola ao adversário e apostar nos contra-ataques. No único momento da partida em que os espanhóis propuseram jogo, eles conseguiram balançar as redes. Ou seja, muito pouco para um time que sonha tão alto.

Seria fácil compreender esta opção de Diego Simeone se o Atlético de Madrid tivesse jogadores limitados tecnicamente à disposição, porém a realidade não é essa. A decisão de iniciar a partida contra o RB Leipzig com João Félix no banco de reservas, também não agradou os torcedores colchoneros, em especial porque o técnico argentino escalou o meio-campista Marcos Llorente em seu lugar, tornando a equipe ainda mais defensiva. Diante de todo este contexto, fica evidente porque Simeone está sendo bastante criticado nas redes sociais, e por mais que o presidente Enrique Cerezo garanta a permanência de Cholo na próxima temporada, o seu futuro é incerto no clube.

Em contrapartida, seria uma tremenda injustiça apontar Diego Simeone como o grande responsável por mais esta eliminação do Atleti. Deve-se entender, que cada treinador enxerga o futebol de uma maneira, e escolhe o estilo de jogo da forma que mais lhe é peculiar. Desde que o técnico de 50 anos de idade assumiu o comando da equipe madrilenha, ela sempre atuou defensivamente, dando ênfase nas bolas paradas e explorando os contra-ataques. Aliás, foi assim que o Atlético de Madrid chegou em duas decisões da Champions League e faturou a LaLiga na temporada 2013/14.

Não restam dúvidas de que Diego Simeone toma decisões erradas, claro. No entanto, o clube passou por uma série de mudanças nos últimos anos, desde a saída e a chegada de diversos jogadores, até a troca do Vicente Calderón pelo estádio Metropolitano neste período. Portanto, estes fatores devem ser considerados antes de avaliarmos o trabalho do técnico argentino. Assim, diante das atuais circunstâncias, talvez o que esteja pesando no momento é o desgaste de uma longa relação que está prestes a completar NOVE anos. Sim, parece realmente que o ciclo do eterno ídolo colchonero chegou ao fim no Atlético de Madrid. A ver!

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