Há dois anos, Kasper Schmeichel, Wes Morgan, Marc Albrighton e Jamie Verdy, os últimos remanescentes do Leicester campeão da Premier League em 2016, erguiam o caneco da FA Cup em Wembley, no último momento de glória vivido pelos Foxes.
No entanto, o que os torcedores do Leicester não imaginavam é que a realidade do clube mudaria de forma tão drástica neste curto espaço de quase dois anos, a julgar que atualmente o conjunto de East Midlands ocupa somente a penúltima posição na tabela da Premier League, não vence há exatos nove compromissos – somando oito derrotas e um empate neste período -, e permanece sem um treinador à frente da equipe.
Demitido no início do mês, após a queda dos Foxes diante do Crystal Palace por 2 a 1, Brendan Rodgers encerrou o ciclo de quatro anos de um bom trabalho no qual o Leicester venceu os títulos da FA Cup (2021) e da Supercopa da Inglaterra (2021), terminou duas vezes na quinta posição da Premier League (2020 e 2021), e foi semifinalista da Conference League na temporada passada.

Brendan Rodgers obteve 92 vitórias, 42 empates e 70 derrotas, em 204 partidas à frente do Leicester, registrando 51,9% de aproveitamento no cargo.
Contudo, a realidade é que Brendan Rodgers acabou pagando um alto preço pela grave crise financeira que assolou o Leicester que, consequentemente, está prestes a perder sete jogadores devido ao término de seus contratos no final da temporada, enquanto outros oito atletas entrarão no último ano de seus respectivos vínculos.
Todavia, vale ressaltar que a saúde financeira do Leicester ficou prejudicada pra valer durante a pandemia da COVID-19, precursora de uma duríssima situação que tirou totalmente a possibilidade do clube inglês em dar andamento ao projeto de adentrar ao bloco Big Six da Premier League, ou então de ampliá-lo ao novo grupo Big Seven.
Além disso, as 100 milhões de libras despejadas nas contratações dos jovens Youri Tielemans e Ayoze Pérez na primeira janela de transferências sob o comando de Brendan Rodgers, e a de Wesley Fofana no ano seguinte, comprometeram ainda mais a situação econômica do Leicester que, por sua vez, já havia gasto outras 100 milhões de libras na construção do novo centro de treinamento em Seagrave, no norte de Leicestershire.
E como se tudo isso não bastasse, o faturamento da principal patrocinadora do Leicester, a King Power International, empresa administrada pelo dono do clube, Aiyawatt Srivaddhanaprabha, despencou de 2,3 bilhões de libras em 2019 para 448 milhões de libras em 2021. Não à toa, de acordo com a revista Forbes, a fortuna pessoal do mandatário tailandês caiu de 5,9 bilhões de dólares para 1,7 bilhão de dólares ao longo desta mesma época, conforme destaca o link abaixo:
https://www.forbes.com/profile/aiyawatt-srivaddhanaprabha/?sh=1d65c75d712e

Segundo o presidente do Leicester, Aiyawatt Srivaddhanaprabha, o clube registrou perdas recordes de 92,5 milhões de libras na temporada anterior .
Sem dinheiro no caixa e com a queda nas receitas, restou ao Leicester negociar alguns atletas para não infringir as regras do Fair Play Financeiro. Aliás, isso explica a contraditória saída do ídolo Kasper Schmeichel ao Nice por míseros 1 milhão de libras, e a não contratação de um substituto à altura.
Assim, foi somente depois da venda de Wesley Fofana ao Chelsea por 70 milhões de libras no ano passado, que o Leicester enfim conseguiu reforçar o setor defensivo com as vindas de Wout Faes ainda na janela do verão europeu e, posteriormente, com as chegadas de Harry Souttar, Victor Kristiansen, além de Tete por empréstimo junto ao Shakhtar Donetsk, na janela de inverno.
Portanto, embora todos os clubes tenham registrado prejuízos com a pandemia, fica evidente que ela causou maiores estragos ao Leicester, interferindo inclusive no planejamento do atual penúltimo colocado da Premier League lá no começo da temporada.
The twists and turns continue 🤩 pic.twitter.com/BWs8F4mhAx
— Premier League (@premierleague) April 10, 2023
Seja como for, a realidade é que restam oito partidas para o Leicester escapar da degola. Por este motivo, a diretoria do clube corre contra o tempo em busca de um treinador que até poderá ter sido anunciado antes da publicação deste artigo, lembrando que Dean Smith, ex-Aston Villa e Norwich, se apresenta como o principal nome para suceder Brendan Rodgers no momento.
Por sinal, a intenção do Leicester é trazer Dean Smith com a missão única e exclusiva de se livrar do rebaixamento, o que se subentende que será oferecido um curto contrato de dois meses ao técnico que está livre no mercado desde a sua saída do Norwich em dezembro de 2022. Por outro lado, Jesse March seria a opção para dirigir o time a partir da próxima temporada, quer dizer, um procedimento similar ao adotado pelo Chelsea.
De qualquer maneira, a batalha do Leicester contra o rebaixamento não será nada fácil, e uma prova disso é que o Manchester City será o seu próximo adversário no Etihad Stadium. A propósito, segue abaixo todas as partidas dos Foxes nesta reta final de temporada.
| Rodada | Adversário | Local |
| 31ª | Manchester City | Fora |
| 32ª | Wolverhampton | Em casa |
| 33ª | Leeds United | Fora |
| 34ª | Everton | Em casa |
| 35ª | Fulham | Fora |
| 36ª | Liverpool | Em casa |
| 37ª | Newcastle | Fora |
| 38ª | West Ham | Em casa |
Pois é, e considerando essa complicada tabela, o site de probabilidades FiveThirtyEight aponta o Leicester com 49% de chances de ser rebaixado, estando à frente apenas de Nottingham Forest (76%) e Southampton (80%) no pior desfecho possível para a equipe que há dois anos lutava diretamente por vagas na Champions League.