Se a situação do Tottenham está ruim hoje, o que dirá amanhã

A humilhante derrota do Tottenham por 6 a 1 frente o Newcastle no St James ‘Park, escreveu mais um obscuro capítulo na tenebrosa temporada 2022/23 dos Spurs, e determinou a queda do técnico interino Cristian Stellini, uma semana depois da saída do diretor de futebol Fabio Paratici.

A propósito, vale ressaltar que desde a inelutável demissão do ex-treinador Antonio Conte, o Tottenham conquistou apenas uma vitória em quatro partidas disputadas (1V – 1E – 2D), ou seja, uma péssima sequência que terminou com este deplorável 6 a 1.

Mas apesar do pífio desempenho do Tottenham sob o comando de Cristian Stellini, seria um enorme erro crucificá-lo pela crítica fase vivida pelo clube na atualidade, afinal, os Spurs estão apenas colhendo os frutos gerados pelas sementes podres plantadas pelo presidente Daniel Levy.

O desempenho contra o Newcastle foi totalmente inaceitável. Foi devastador. Podemos olhar para muitas razões pelas quais isso aconteceu e, embora eu, o Conselho, os treinadores e os jogadores devam assumir a responsabilidade coletiva, em última análise, a responsabilidade é minha.”

Daniel Levy, presidente do Tottenham

Por este motivo, além de nenhum treinador ter sido capaz de erguer um caneco à frente dos Spurs, todos tiveram desfechos negativamente marcantes em suas respectivas passagens pelo clube nos últimos dez anos. A começar por Mauricio Pochettino, com a histórica goleada por 7 a 2 diante do Bayern de Munique em pleno Tottenham Stadium, crucial para a sua queda após 293 jogos no cargo.

Posteriormente, a derrota por 3 a 0 para o Dínamo de Zagreb, cujo técnico acabara de ser preso, tornou insustentável a continuidade de José Mourinho no Tottenham, tanto é, que o treinador português caiu no mês seguinte ao revés pelas oitavas-de-final da Europa League.

Já no caso do sucessor de José Mourinho, Nuno Espírito Santo, qualquer um dos cinco resultados negativos dos Spurs na Premier League, tornaram mais curta a sua trajetória de 123 dias ou 17 jogos no clube do norte de Londres, o que também não evitaria um desenlance diferente com maior tempo no cargo, a julgar por Antonio Conte que perdeu a cabeça e o emprego depois do empate em 3 a 3 contra o lanterna Southampton, encerrando um longo – em se tratando de Conte – ciclo de 16 meses de trabalho.

Em contrapartida, nenhum destes momentos foi mais doloroso do que o 6 a 1 vivenciado por Cristian Stellini no St James ‘Park, lembrando que os Spurs já perdiam do Newcastle por 5 a 0 aos 21 minutos de partida, o que se subentende que eles realmente regressaram à capital inglesa no “lucro”.

Entretanto, embora cada uma das derrotas mencionadas anteriormente tenham acontecido em períodos, competições e com treinadores distintos, todas apresentaram o Tottenham da mesma forma, isto é, ausente de: espírito; confiança; organização; disciplina; paixão; e planejamento.

Sendo assim, fica novamente nítido que os problemas do Tottenham não estão relacionados aos antigos treinadores, sobretudo porque os multi-campeões José Mourinho e Antonio Conte não venceram nenhum título no clube londrino, quer dizer, algo incomum no decorrer se suas carreiras, vide as recentes conquistas da Conference League por parte do comandante português na Roma, e do scudetto da Serie A do técnico italiano à frente da Inter de Milão.

Deste modo, é certo que nada mudará no Tottenham agora que Ryan Mason, aquele mesmo que dirigiu o time de maneira interina depois da saída de José Mourinho, assumiu o posto de Cristian Stellini nestes últimos seis jogos da Premier League.

Logo, a maior probabilidade é que o Tottenham não atinja seu principal objetivo que é encerrar a temporada no G-4 da Premier League, considerando a dificílima tabela que os Spurs terão pela frente, na qual eles enfrentarão Manchester United (c), Liverpool (f), Crystal Palace (c), Aston Villa (f), Brentford (c), Leeds (f), e West Ham (c).

Não à toa, o perfil da Opta Analyst publicou um gráfico no Twitter expondo que depois do Aston Villa, o Tottenham é a equipe com a sequência de partidas mais complicada nesta reta final da Premier League, conforme o link abaixo:

Com isso, ao que tudo indica os Spurs não receberão a premiação paga pela UEFA aos 32 participantes da próxima temporada da Champions League, o que já comprometerá as receitas do individado Tottenham. Por sinal, talvez seja esta a razão pela qual o presidente Daniel Levy já tenha informado que o valor de Harry Kane está estipulado em 80 milhões de libras para qualquer clube de fora da Inglaterra, e de 100 milhões de libras para os ingleses nesta janela de transferências de meio de ano.

Como o contrato de Harry Kane se encerrará em junho de 2024, ele ficará livre para assinar um novo vínculo com outro clube a partir do ano que vem, e para não correr o risco de perdê-lo de graça, o Tottenham se antecipou ao saber dos interesses de Bayern de Munique, PSG e Manchester United.

Portanto, se o presente sem um treinador se mostra preocupante ao Tottenham, o que dirá o futuro sem Harry Kane, sem dinheiro e sem perspectiva.

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